Oficina HQ bate papo exclusivo com Flávio Luiz

imagem do novo lançamento do FLávio Luiz, O CABRA

O quadrinhista FLávio Luiz, na véspera de lançamento de seu mais novo sucesso “O Cabra”, falou com exclusividade sobre todas as coisas relacionadas a lançamento, mercado, trabalho e sucesso. O breve e agradável papo com Wilton para a Ação Cultural Oficina HQ você confere logo abaixo:

Wilton Bernardo: Olá Flávio, a temática abordada no seu novo trabalho é o cangaço, certo? O que te motivou a abordar essa temática?
FLávio Luiz: Na verdade, sempre começo meus projetos pela criaçao do personagem. Ele, o cangaceiro era um desenho que havia feito a muito tempo e que decidi contar a sua história só agora. Por tê-lo feito assim meio PÓS APOCALIPTICO decidi abordar o cangaço ambientado num futuro distante.Tem agradado muitissimo!

W.B.: Quanto tempo você precisou pra pesquisar sobre a temática?  O que demorou mais? a pesquisa ou desenvolvimento de roteiro e quadrinho?

Flávio Luiz: Comprei alguns livros sobre a estética do cangaço porém as referências eu já as tinha, de tudo que já conhecia do Cangaço, mas não só ele, como  também, novelas, músicas…Você lendo a história, vai entender melhor. Quanto ao tempo gasto na produção da HQ foram 3 meses entre esboços e arte final e 2 meses na mão do colorista. Como estou envolvido em paralelo com outros projetos e trabalhos publicitários demorou tanto tempo. Se estivesse 100% cuidando só de HQ teria levado menos tempo.

W.B.: Estamos próximos do dia nacional dos quadrinhos (30/01). Claro que  dia  do quadrinhista é todo dia. Mas aproveito o momento pra lembrar que você já tem uma estrada, já experimentou aquela vontade e expectativa de ter o primeiro quadrinho publicado, já deve ter dialogado com editoras a fim de ver o trabalho publicado, já tem várias publicações, já conheceu leis de incentivo, enfim, é um profissional. Por isso te peço pra fazer um pequeno balanço dos quadrinhos nos últimos anos.  Diz como você percebe a transição dos quadrinhos das bancas de revistas para as livrarias, do mercado, da necessidade de um produtor para os artistas, das alternativas que os iniciantes podem ter, além de esperar que uma editora o contrate.
Flávio Luiz: Recentemente li a edição número 20 da MODERN MASTERS( editora Twomorrows)  com a entrevista de Kyle Baker ( Plastic Man,Why I hate Saturn entre outros) e ele consegue resumir e dizer tudo o que acho do mercado de HQ, produção, auto publicação etc hoje em dia. Se desse pra alguma editora grande publicar isso aqui seria uma aula fantástica mas se pode pedir online em livrarias confiáveis.

Quanto a sua pergunta  3  tentarei responder a todas as suas nuances ( NA VERDADE SÃO VÁRIAS PERGUNTAS EM UMA!!KKKK!!).
Desde que me entendo por leitor de HQ escuto dizer  que esse é um mercado em crise e que estava com seus dias contados. Depois da era de ouro, anos 40, o Quadrinho teve que competir com outras formas de entretenimento para o seu público mais evidente ( adolescentes ) como a TV, games, Internet e tem resistido bravamente ao longo de tantos anos  pois é uma forma  de arte e entretenimento que não vai acabar nunca. Além disso o leque de público alvos aumentou enormemente e  o trabalho de artistas como Will Eisner, Joe Kubert, Art Spilgerman, Crumb, Frtank Milller, Alan Moore e tantos outros mostraram a riqueza dessa forma de arte e sua pluralidade. E o QUADRINHO está aí firme e no melhor momento em termos de mercado nacional. Paulo Ramos no site BLOG DOS QUADRINHOS fez recentemente uma analise completa sobre isso e tá tudo lá pra quem quizer ler algo realmente completo.

No meu caso especifico, por ter um trabalho muito autoral tive um caminho mais dificil porém de uma gratificação imensa. Nunca consegui ser contratado por nenhuma editora grande ou gringa, já que não possuía o estilo MAISNTREAM  que estava em voga na época ( anos 90) que era aquela coisa IMAGE e que muitos desenhistas nacionais fazem tão bem  tanto que hoje, por sinal, dominam o mercado original desse estilo que é o americano. Hoje isso também mudou e o estilo cartunesco como o meu está agradando.

Numa viagem para a COMICON de San Diego em 96 ,conheci o Sergio Aragones que analisando meu portfolio, entre uma cervejinha e outra  comigo, disse que meu caminho seria um dos mais difíceis porém ao mesmo tempo, um dos mais bonitos pois por ter um traço e uma forma de contar histórias tão pessoal e definida, uma aposta no meu trabalho não seria tão fácil por parte das grandes editoras mas que, caso eu conseguisse emplacar algum trabalho e ter sucesso com ele, esse meu lugar conquistado não me seria tirado facilmente. A decisão de me autopublicar passou muito por essa analise e as decepções primeiras com um mercado tão difícil como o Soteropolitano( na época já que hoje graças a Deus está melhor para os queridos colegas de traço) me fizeram aprender muito e tentar coisas numa amplitude maior porém sendo o mais profisisonal possivel. Os frutos  dessa aposta, tenho colhido principalmente com o AU e com o CABRA( QUE DOS 2000 EXEMPLARES INICIAIS EM UM MES TEVE 1/4 JAH VENDIDOS) mais do que com a Jayne e a ROTA66, apesar dos premios da Jayne e do sucesso da ROTA 66 junto aos críticos e profissionais.
Hoje com a internet ,com os games, ipads, etc.. o quadrinho de banca tem sido esmagado por outras formas de publicação e acho que a livraria é uma alternativa pois coloca  a HQ  numa visibilidade melhor a um público que possui interesse e poder aquisitivo melhor e maior para desfrutar dele. As revistas MIX, também, na minha opinião serviram para afastar um consumidor ( como eu) já que por querer e gostar de coisas bem específicas nunca me senti confortável adquirindo títulos que não me interessavam junto com aqueles  de que gostava. Não sei se uma aposta de retorno ao formato inicial de revistas fininhas mas de personagens únicos seria uma alternativa … Como estou falando de um gosto pessoal pode ser que muitos discordem e não estamos errados porém, a qualidade de impressão, essas novas sagas interminaveis e difíceis de acompanhar para um novato, tudo isso pesa e afasta, na minha opinão, potenciais novos leitores. Acho que o fundamental para o artista é ter um produto em que acredita e tentar fazê-lo da melhor forma possível. Com certeza, se for algo bom o suficiente terá pessoas interessadas nele tanto como leitores como parceiros de negócios. A internet facilitou muito a exposição de qualquer projeto e, hoje, online mesmo, você pode fazer esse projeto ser conhecido.
O Artista tem que saber claramente onde quer chegar. Ser premiado ou esgotar sua tiragem? ( MELHOR SE CONSEGUIR AS DUAS COISAS, CLARO!!KKKK!!) Ser CONHECIDO ouSER  RECONHECIDO? Começar com HQ e migrar para outras midias ou ficar só na publicação em papel? Ficar fazendo Fanzine ou preparar álbuns diferenciados? Revistas seriadas, one-shots, graphic novels? Todas as propostas citadas são validas. Eu apesar de 30 prêmios prefiro saber que mais de 7000 pessoas compraram o Au. A jayne 1 ganhou o HQ mix, o trofeu Alfaiataria e estou com o quarto de empregada cheio de caixas com exemplares envelhecendo. O Au não ganhou nada mas hoje já é retratado por outros artistas, está esgotando a terceira edição, é citado de forma elogiosa como referência em estudos sobre a nova abordagem do negro nos quadrinhos, Mauricio de Souza o acha um personagem genial, outros grandes nomes da HQ nacional também ficaram fascinados com ele e veio pra ficar. O CABRA está seguindo o mesmo caminho e espero que realmente tudo o que estamos prospectando para ele MESMO EM OUTRAS MIDIAS venha a dar certo. É bom que o artista tenha alguém de confiança que pense com ele (ou um produtor, esposa, namorada) nas coisas “pé no chão” o que dará a ele a liberdade para criar mais despreocupadamente seus projetos. Isso também vai depender da vivência de cada um. Acho que uma única coisa não pode faltar. O ARTISTA DE HQ deve continuar estudando sempre, aprimorando seu traço, seu estilo, conhecendo e se interessando por estilos outros, pela história dos que fizeram esse mercado ser o que é, sua forma de contar histórias, seja em que midia tecnológica nova que surja ou no velho nanquim sobre papel. Fazer com amor aquilo que acredita, respeitar essa forma de arte e todos os que vieram antes e ao lado dele nesse mercado e principalmente se dar ao respeito como profissional, independentemente de tanto e tantos que, por ventura surjam, na maré contrária ao seu caminho. Boa Sorte a todos e Feliz Quadrinho Nacional todos os dias!
Abraçao amigo Wilton e nos vemos dia 26/01/11 na livraria cultura, Salvador Shopping!

A Oficina HQ Agradece!

Veja entrevista completa do Flávio Luiz no link “entrevistas” do site Oficina HQ. Basta clicar AQUI

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