FHUBÁ – Festival de Humor da Bahia


A 1ª edição de Festival de Humor da Bahia – Fhubá ocupará diversos espaços do Teatro Castro Alves, começando na noite do sábado 31 de março, às 19 horas, no Foyer do TCA e terminando apenas na noite do domingo, 1º, com apresentação de Renato Piaba, na Sala Principal do TCA. O Fhubá  é o primeiro evento com 24h de humor realizado em Salvador.

Reafirmando o gênero humorístico como forma de arte, a equipe do Roda Baiana (Andrezão Simões, Fernando Guerreiro e Jonga Cunha), unida a Nivaldo Lariú (escritor, autor do “Dicionário de Baianês”), pretende reunir a diversidade de pensamento e expressão do humor baiano e promover o acesso da população ao mundo da comédia.

Dona Dedé e Nina, dois personagens de Wilton que estavam engavetados há anos, e foram resgatados para participar da exposição realizada pelo Festival de Humor da Bahia

O festival contará com as principais expressões do humor teatral na Bahia, como Luis Miranda, Renato Piaba e Los Catedrásticos; artistas do humor gráfico, a exemplo de Lage, Setúbal, Flávio Luiz, Cau Gomez e Wilton Bernardo, que coordena a Ação Cultural Oficina HQ há 9 anos, realizando diversas ações culturais que valorizam e promovem as artes gráficas (Axé Comics, Ícones POP, Ícones POP da Música Brasileira, Releitura do Batman, Homenagem ao Homem-Aranha, entre diversas outras Mostras).

Programação

ABERTURA E EXPOSIÇÃO

Caracteriza como Gregório de Matos, o ator Jackson Costa será o anfitrião de todo o evento. Ao longo de 24 horas, Jackson fará diversas intervenções, declamando poemas e sonetos do “Boca do Inferno” para, com sátira, relembrar as críticas à “Cidade da Baia”, que era como Gregório se referia a Salvador. A abertura do evento acontece oficialmente às 19h do dia 31 de março, no Foyer do Teatro Castro Alves. Em clima de muita celebração, haverá uma exposição de charges, HQs, literatura de humor e cordel. Na ocasião, os visitantes do Fhubá poderão comprar caricaturas feitas na hora por Paulo Setúbal, caricaturista e ilustrador baiano conhecido em todo o Brasil (ver mais:http://bahiacaricaturas.blogspot.com.br/2009/11/esteblogtemporobjetivodivulgaro.html), juntamente com o cartunista Valtério. O artista plático Tute Minervino também contribuirá com o evento, com instalações bem humoradas, que estarão dispostas no Foyer do TCA.

Quem quiser conferir este trabalho precisa chegar cedo. A entrada para a confraternização de abertura é gratuita e durará aproximadamente 2 horas, quando Jackson Costa conduzirá os presentes e o público que for prestigiar Los Catedrásticos para a Sala Principal do TCA, em evento que será pago (detalhes abaixo).

Los Catedrásticos (foto)

Depois de dez anos longe do teatro, há poucos meses o grupo retornou as atividades e montou a peça Nova Mente, que traz interpretação escrachada e bem humorada de músicas de axé, pagode, funk, arrocha atuais, além de homenagens especiais a artistas da música baiana e brasileira.

Os apaixonados pelo jeito baiano de fazer comédia vão poder se divertir com os esquetes dirigidos por Paulo Dourado e que trazem no elenco Aícha Marques, Jackson Costa, Maria Menezes e Ricardo Bittencourt, em uma verdadeira celebração ao humor no teatro e na música.

Serviço: 31 março – Sala Principal do TCA – 21h. Ingressos: R$ 30 e R$ 15

Fhuleragem e Improviso

Em um cenário que mais remete a festas de largo, todo tipo de diversão e humor serão bem-vindos. O vão livre do TCA estará aberto para performances de atores, drag queens transformistas, repentistas, personagens populares e quem mais quiser participar para mostrar o seu número. Apresentado pelo diretor teatral Fernando Guerreiro, o Fhuleragem e Improviso é um show de humor, tipo o de programas de auditório da década de 80, onde tudo pode acontecer.

Serviço: 31 março- Vão Livre do TCA – 23h – Grátis

Fhubaile
Um baile dançante ao som de DJ agitará a madrugada com uma trilha sonora inusitada e criativa, que tocará muita música retrô, trilhas de comerciais e campanhas publicitárias marcantes, além de temas de novelas antigas, total clima diversão trash, tornando o ambiente propício à irreverência e humor. Pela primeira vez, uma inovação como esta acontecerá no Foyer do TCA.

Serviço: 1º de abril – Foyer do TCA – de 1h às 6h. Ingressos: R$ 20 e R$ 10

Café com Beijuuu
Para começar bem a manhã do Fhubá será servido um autêntico café da manhã baiano. Mingau, bolos, tapioca, amor, humor e gastronomia. Daniel Rabelo, um dos atores da comédia musical “Os Cafajestes”, será uma espécie de consultor sentimental. Assumindo o papel de cupido, lerá bilhetes românticos, contará casos bem humorados vividos entre casais e otimizará a paquera entre os solteiros pós-Fhubaile ou os que desejam, em par, acompanhar a programação do evento.

Serviço: 1º de abril – Vão Livre do TCA – 6h – Grátis

Fhubate-Papo da Manhã

“Humorterapia – Qual o papel do humor na sua vida?”

Coordenado pela Clínica Psiquê de Psicologia e Centro de Estudos C. G. Jung, este programa consistirá em um bate-papo descontraído, com a participação de especialistas, que discutirão o papel do humor no cotidiano humano. Durante o debate haverá análise de casos, além de aprofundamentos psicológicos e analíticos sobre a arte do humor na mente das pessoas.

Presentes ao debate estarão a Psicoterapeuta Silzen Furtado, especialista em Psicoterapia Analítica, sócia-fundadora da Clínica Psiquê; Alexandre Coimbra Amaral, psicólogo, terapeuta familiar, de casal, individual e comunitário, mestre em psicologia Clínica pela PUC- Chile; Ana Elizabeth Rabelo, psicóloga, especialista em Psicologia Analítica, Mestra em Ciência da Religião (PUC-SP).

Quem deseja participar do debate pode se inscrever no site do evento (www.fhuba.com.br) ou na própria Clínica Psiquê (situada à Rua Amazonas, 172, Pituba. Tel de contato: 3345-0606). Inscrições sujeitas à lotação da sala (194 lugares).

Serviço: 1º de abril – Sala do Coro – das 9h às 12h – Grátis

GRUPO PIM em “Donos da Terra” (Atração Infantil)

Na manhã do domingo, um excelente programa para a criançada e seus pais: a apresentação do espetáculo “Donos da Terra”, ganhador do Prêmio Braskem de Teatro 2010, nas categorias Melhor Direção e Espetáculo Infanto Juvenil.

Encenado por crianças do bairro Fazenda Coutos II, que integram o Projeto de Iniciação Musical (PIM), o espetáculo cênico-musical aborda a história e a cultura do Brasil, com destaque para as referências nordestinas.

No palco, 47 crianças  tocam, cantam, dançam e interpretam costumes da região, a exemplo das procissões, toques de maracatus, vestidos de chita e samba-de-roda, além de diversas brincadeiras. Textos de importantes escritores brasileiros, como Castro Alves, João Cabral de Melo Netto, João Ubaldo Ribeiro e Clarice Lispector, serviram como inspiração para a montagem.

Serviço: 1º de abril – Sala Principal – 11h – Ingressos: R$10 e R$ 5

Fhubate-Papo da Tarde

“Baianidade – Existe um jeito baiano de fazer humor?”

O humor baiano discutido nos mais diversos campos: da publicidade à história da cidade, passando pelo humor gráfico, teatro, futebol e diversas formas de arte. Um grupo de artistas debaterá a influência do humor nas mais variadas áreas profissionais e linguagens.

Participarão da mesa-redonda:

O escritor Nivaldo Lariú, autor do Dicionário de Baianês e um dos curadores do Fhubá, que falará sobre “Humor na Linguagem Popular Baiana”.
Nelson Cadena, publicitário, autor de livros e catálogos sobre propaganda, que contribuirá com o “Humor na Publicidade”.
O jornalista Gutemberg Cruz, estudioso dos quadrinhos, que falará sobre o “Humor Gráfico”.
Ruy Botelho, radialista e comentarista esportivo, que dará a sua contribuição debatendo

“Humor no Futebol”.

Jorge Alencar, diretor artístisco do Grupo Dimenti, que trabalha com produções de teatro, dança e experimentos audiovisuais e trará o tema “Humor e Performance”.
Roberto Albergaria, historiador, ex-professor da Ufba, hoje comentarista da Rádio Metrópole, que abordará o “Humor no Cotidiano da Cidade”.

Serviço: 1º de abril – Sala do Coro – das 14h às 16h30. Grátis

FHUBÁ NA RODA
Nos moldes do programa de rádio, o ator Luís Miranda dará uma entrevista no palco da Sala Principal do TCA aos integrantes do RODA BAIANA, onde contará histórias da sua vida pessoal e artística, fazendo esquetes dos seus personagens mais famosos e apresentará, especialmente para o FHUBÁ, uma personagem inédita: A Baiana. Será uma oportunidade para o público conhecer mais sobre a vida do ator, conferir toda a sua genialidade artística e anedotas da sua carreira.

Serviço: 1º de abril – Sala Principal – 17h. Ingressos: R$ 20 e R$ 10

Show de Encerramento: Renato Piaba – “Rir Pra Não Chorar”

Será com Renato Piaba o encerramento das atividades do Fhubá. O humorista baiano que encantou as plateias do país se apresentará pela primeira vez no palco do Teatro Castro Alves. O espetáculo “Rir para não chorar” é uma montagem que explora, com muita reverência, o cotidiano dos casais. Tendo como inspiração “A Vida como ela é”, obra de Nelson Rodrigues, o humorista expõe situações de maneira caricata e passeia por toda a trajetória do romance.

Partindo da paquera, passando pelo primeiro encontro, os preparativos para a primeira noite, casamento, nascimento dos filhos, a educação das crianças, até a chegada do “famigerado  genro ” e da  traição, Piaba mostra as mazelas de todos, nas situações mais engraçadas e  desconcertantes  do dia-a-dia.

Serviço: 1º de abril – Sala Principal – 21h. Ingressos: R$ 30 e R$ 15

Data: 31/03/2012 a 01/04/2012

Horário: 19:00

Valor: Diversos

Criador de Akira Trabalhando em um Novo Mangá

Desde que encerrou a história de Akira em 1990, Katsuhiro Otomo tem escrito somente mangás com histórias curtas.

Em entrevista à revista japonesa Geijutsu Shincho, Otomo falou sobre seu mais recente mangá – uma ficção científica chamada DJ Teck’s Morning Attack – e mencionou que está trabalhando outra vez em uma série longa .

Otomo não deu nenhum detalhe sobre o novo título, salvo que ele é ambientado na Era Meiji (1868-1912), será do gênero shonen (repleto de ação nonsense como BleachOne Piece e Dragon Ball Z) e direcionado para meninos com idade entre seis e quinze anos.

O trabalho anterior Otomo, com personagens complexos e propensos a morrer de maneira horrível, geralmente cai na categoria seinen, um gênero mais sério e maduro.
A última vez que Otomo escreveu um mangá longo, produziu uma obra seminal que ainda exerce influencia em escritores de quadrinhos no mundo todo, e um filme que sozinho estabeleceu o gênero “longa-metragem de animação adulto” no ocidente.

Fonte: http://raccoon.com.br

Show de Madonna em Porto Alegre tem data reservada para dezembro

Madonna deve se apresentar no dia 9 de dezembro no Estádio Olímpico, em Porto Alegre. A data já está reservada para o show da cantora e a negociação da nova turnê foi concluída, “só falta assinar o contrato, que será feito nos próximos dias”, segundo o diretor de marketing do time do Grêmio, Paulo César Verardi, disse ao UOL. A cantora vem ao país com a turnê “2012 World Tour”. Ainda não há outras datas anunciadas.
Turnê mundial
A nona turnê da cantora começará no dia 29 de maio, em Tel Aviv. Depois vai para Abu Dabi, Istambul e Zagreb no dia 11 de junho, a cantora se apresentará no verão europeu em 26 cidades, indicou a produtora Live Nation. Ela fará apresentações em Barcelona, Londres, Berlim, Amsterdã, Moscou e Oslo (nesta cidade no dia 15 de agosto, véspera de seu 54º aniversário).Madonna cantará na França no dia 14 de julho, no Stade de France e no dia 21 de agosto em Nice (sul). A rainha do pop voltará depois para os Estados Unidos para iniciar pela Filadélfia shows em 26 cidades, viajando em seguida para a América do Sul e a Austrália. Serão ao todo 90 shows.

O novo disco
O novo disco de Madonna, intitulado “MDNA”, será lançado oficialmente no dia 26 de março. Já foram liberadas prévias de outras faixas, inclusive uma que conta com a participação de sua filha, Lourdes Maria. Também colaboraram no álbum as cantoras M.I.A e Nicki Minaj e o cantor Mika.

Madonna aprendendo a andar sobre corda - parte dos ensaios para a nova turnê 2012

Na última terça-feira (20), a rainha do pop divulgou o segundo clipe de seu novo trabalho. No vídeo da música “Girl Gone Wild”, rodado em preto e branco, a cantora aparece rodeada por diversos dançarinos sem camisa.

Madonna parece ter desabafado sobre o fracasso de seu casamento com o cineasta inglês Guy Ritchie em uma das músicas de seu novo disco, a faixa “I Don’t Give A…”, conforme noticiou a imprensa internacional presente em uma sessão de apresentação do álbum. Em outra das canções, “Gang Bang”, a rainha do pop volta a abordar relações ao falar sobre matar, com um tiro na cabeça, um ex-amante.

Segundo a agência EFE, outras músicas são bem mais melancólicas, como “I Fucked Up”, incluída na versão deluxe, na qual a artista faz uma espécie de “mea culpa”, sem parar de repetir que sente muito; enquanto em “Best Friend” lamenta o final de uma amizade e a perda de seu melhor amigo.

O título do álbum, “MDNA”, também provocou polêmica pelo trocadilho dessas iniciais, que poderiam aludir não somente ao nome da cantora, mas também à denominação em inglês do ecstasy (MDMA).

Em fevereiro, Madonna apresentou ao vivo durante o intervalo do Super Bowl o primeiro single de seu novo álbum, “Give Me All Your Loving”.
Fonte: UOL

Rodrigo Santoro é Heleno de Freitas

 

Rodrigo Santoro é Heleno de Freitas. Algumas pessoas vão dizer para você que ele está apenas interpretando Heleno de Freitas – um dos primeiros ídolos controversos do futebol brasileiro. Mas não se deixe enganar. O que acontece ali no filme “Heleno” (em cartaz no circuito nacional até o fim do mês) não é uma simples interpretação, mas um raro caso de reencarnação. Não sou lá uma grande autoridade para falar de futebol – acompanho lá os campeonatos por força do meu trabalho (e competência do meu colega de apresentação que reinventou a maneira de atualizar o Brasil das aventuras do gramado, Tadeu Schmidt), mas estou longe de ser um experto do que rola nos campos hoje em

dia, muito menos há mais de 60 anos (justamente o período em que Heleno brilhou). Mas o filme me fez ficar fascinado por esse personagem que, driblando o velho clichê, eu diria que se não tivesse jogado, teria que ser inventado.

Ou talvez tenha sido o próprio Rodrigo que tenha emprestado sua força ao personagem – uma vez que, repito, sua atuação é fundamental para o sucesso do filme. Fato é que saí da sessão especial de cinema a que assisti (para poder entrevistá-lo, eu fui conferir uma pré-estreia) convencido de que existem filmes capazes de transcender nossos interesses mais específicos. Digo isso porque às vezes uma interpretação magistral não é suficiente para nos fazer gostar de uma produção. Sem querer divagar muito (vou tentar!), o melhor exemplo recente que eu posso dar nesse sentido é “A dama de ferro”, que mês passado deu a Meryl Streep mais um Oscar para sua estante, mas, apesar de ter me deixado boquiaberto, justamente no quesito interpretação, não “falou” comigo. Eu até tive, ao longo dos anos 80, um interesse marginal pela política britânica, uma vez que eventualmente ela resvalava na musica pop da época – de Bronski Beat a The Smiths. Mas esse é um assunto que não me encanta – e mesmo a performance magistral de Streep não foi suficiente para me tornar um fã do filme.

O truque de “Heleno” – baseado na cuidadosa e divertida biografia “Nunca houve um homem como Heleno”, escrita por Marcos Eduardo Neves (Zahar) – é sutilmente deixar o futebol em segundo plano. Não que o esporte não esteja presente na tela do cinema. Mas o que o diretor José Henrique Fonseca conseguiu com seu filme foi contar menos uma história sobre grandes lances, do que uma outra bem mais interessante: sobre a paixão de um homem pelo futebol, dentro de uma mente atormentada. E, digamos que, para chegar nisso, a ajuda de Rodrigo Santoro foi indispensável. Em mais de um momento Heleno brada seu amor pelo jogo – e, mais especificamente, pelo seu Botafogo. Segundo ele me contou na entrevista, Santoro treinou exaustivamente para aperfeiçoar uma marca de Heleno: a bola matada no peito, que descia para o chute forte. E esse esforço todo certamente está lá nas imagens. Bem como as cenas de vestiário, os bastidores dos treinos, a frieza dos discursos dos cartolas, e os climas ruins dos treinos – aliás é em um deles que Rodrigo oferece a atuação mais engraçada de todo “Heleno”, ao esculhambar colegas que tinham a expectativa de ouvir, pelo menos daquela vez, um jogador-estrela menos ácido. Mas esse não é o coração do filme – que só tem a ganhar com isso.

“Heleno” permite que Santoro explore uma bipolaridade num personagem que viveu numa época onde essa palavra ainda nem existia no dicionário corrente. No papel de alguém que tem problemas mentais – ou melhor, que desenvolve problemas mentais porque foi colocado injustamente num sanatório – nós já sabíamos que ele se sairia bem. Falo, claro, de “Bicho de sete cabeças”, filme de 2001, dirigido por Laís Bodanzky, no qual o ator vivia essa história adaptada de uma vida absurdamente real. De certa maneira, o triunfo de “Bicho” quase que nos prepara para a primeira imagem de Heleno na sua biografia filmada: um rosto precocemente envelhecido, uma expressão à deriva, uma pele corroída, e um olhar silenciosamente desesperado. Impressionante como é, esse retrato, pela própria referência que temos de Rodrigo no cinema, é quase familiar. Mas quando vamos aos poucos vendo o mesmo ator nos revelando de onde veio aquilo tudo, o Heleno trágico ganha uma força ainda maior – e quando, mais adiante, a história retoma sua decadência física e mental (o diretor propõe vários jogos entre passado e presente), Rodrigo transcende na caracterização da doença.

Mesmo assim, não são esses momentos que mais impressionam quem procura uma atuação sofisticada. Nos suas passagens mais sóbrias é que Heleno faz com que Santoro nos surpreenda. Uma vez que sabemos que ele está sempre à beira de um ataque de nervos – o ídolo era conhecido por ser temperamental (quando não perigosamente histriônico) –, é na sua relativa lucidez que, nossa atenção fica aguçada para tentarmos perceber quando o furacão vai se instalar. Por exemplo, nas cenas de momentos alegres com sua mulher – Aline Moraes na medida certa (sem trocadilhos, por favor), e tão bem caracterizada que ela parece ter nascido para viver no Rio dos anos 40 – o perigo está sempre lá. Mesmo apaixonado, Heleno pode estourar a qualquer hora. E respiração de quem assiste a tudo obedece esse suspense, sem você perceber. O clima é o mesmo com seus colegas jogadores: minha cena favorita é a que Heleno recebe a notícia de que seu passe foi vendido para o argentino Boca Juniors (em parte por seu comportamento lamentável em equipe, o Botafogo decide negociá-lo) e ao sair pelo vestiário ele puxa uma briga demoníaca com um colega.

À brigada do “spoiler”, eu devo anunciar que estou falando aqui de uma biografia. Não estou “entregando” nenhum segredo ao contar aqui as desventuras de Heleno. Se hoje novas gerações de torcedores têm apenas uma vaga ideia de quem foi esse ídolo, qualquer fã de futebol com mais de 70 anos – e não são poucos – vai poder te contar suas próprias lembranças desse que era uma espécie de protótipo dos “jogadores problema” que hoje são a delícia da mídia sensacionalista. Não preciso citar nomes aqui – nem mesmo de jogadores recém desempregados – para você imaginar exemplos de atletas para quem Heleno era mais que uma referencia futebolística.

Mulherengo? Pode apostar que Heleno era (o livro dá ainda mais conta de suas conquistas do que o filme). Drogas? O lança-perfume e, depois, o éter cumpriram direitinho o papel de acabar com sua saúde (já bastante debilitada por uma sífilis nunca tratada propriamente). Luxo? Heleno vivia rodeado dele – dos carros aos ternos com o pedigree da alfaitaria inglesa. Escândalos? O craque era a delícia dos “mancheteiros” dos jornais populares. Qualquer semelhança com o que a gente lê hoje em dia sobre futebol fora do campo não é mera coincidência… Com tantos ingredientes preciosos assim, a história de Heleno estava quicando para ser contada para um público maior e mais contemporâneo. E Rodrigo Santoro, não me canso de insistir, só poderia mesmo ser a melhor escolha para dar vida a tudo isso.

Esse Rodrigo mesmo, que certo dia anunciou que iria repensar sua carreira e se dedicar ao cinema. Não apenas a nossa produção nacional, mas a um vôo mais alto – Hollywood mesmo. Lembra-se como você riu nervoso da coragem de uma ousadia dessas? E como você foi irônico quando percebeu que, apesar de ele ter finalmente feito um filme americano ultra popular (“As panteras”), nem diálogos ele tinha na edição final? Tem alguma recordação de ser sido sarcástico quando seu papel em “300”, na opinião de alguns, beirava a caricatura? E você tem um registro de quando finalmente deixou de prestar atenção na sua carreira internacional, considerando tudo “uma grande loucura”?

Pois Rodrigo Santoro não parou: seguiu em frente acreditando no que faz. E sobe cada vez mais. “Heleno” não é Hollywood –mas bem que poderia ser. Mais de uma vez conheci atores que desdenham seus trabalhos em TV, como se fossem meros veículos (lucrativos) para uma “verdadeira vocação”: a interpretação no teatro e no cinema. Bem, felizmente convivo também com uma outra turma: atores (e atrizes, claro), que são tão bons no que fazem que levam seu talento para qualquer suporte – e transformam todo o prazer que têm em interpretar em arte. E de quebra em diversão para nós, famintos (tel)espectadores.

Santoro, não tenho dúvida alguma, está neste segundo grupo. E se você ainda não está convencido disso, vá ver “Heleno”. E prepare-se para sair certo de que, ele sim, é “o artista”.

Ou talvez tenha sido o próprio Rodrigo que tenha emprestado sua força ao personagem – uma vez que, repito, sua atuação é fundamental para o sucesso do filme. Fato é que saí da sessão especial de cinema a que assisti (para poder entrevistá-lo, eu fui conferir uma pré-estreia) convencido de que existem filmes capazes de transcender nossos interesses mais específicos. Digo isso porque às vezes uma interpretação magistral não é suficiente para nos fazer gostar de uma produção. Sem querer divagar muito (vou tentar!), o melhor exemplo recente que eu posso dar nesse sentido é “A dama de ferro”, que mês passado deu a Meryl Streep mais um Oscar para sua estante, mas, apesar de ter me deixado boquiaberto, justamente no quesito interpretação, não “falou” comigo. Eu até tive, ao longo dos anos 80, um interesse marginal pela política britânica, uma vez que eventualmente ela resvalava na musica pop da época – de Bronski Beat a The Smiths. Mas esse é um assunto que não me encanta – e mesmo a performance magistral de Streep não foi suficiente para me tornar um fã do filme.

O truque de “Heleno” – baseado na cuidadosa e divertida biografia “Nunca houve um homem como Heleno”, escrita por Marcos Eduardo Neves (Zahar) – é sutilmente deixar o futebol em segundo plano. Não que o esporte não esteja presente na tela do cinema. Mas o que o diretor José Henrique Fonseca conseguiu com seu filme foi contar menos uma história sobre grandes lances, do que uma outra bem mais interessante: sobre a paixão de um homem pelo futebol, dentro de uma mente atormentada. E, digamos que, para chegar nisso, a ajuda de Rodrigo Santoro foi indispensável. Em mais de um momento Heleno brada seu amor pelo jogo – e, mais especificamente, pelo seu Botafogo. Segundo ele me contou na entrevista, Santoro treinou exaustivamente para aperfeiçoar uma marca de Heleno: a bola matada no peito, que descia para o chute forte. E esse esforço todo certamente está lá nas imagens. Bem como as cenas de vestiário, os bastidores dos treinos, a frieza dos discursos dos cartolas, e os climas ruins dos treinos – aliás é em um deles que Rodrigo oferece a atuação mais engraçada de todo “Heleno”, ao esculhambar colegas que tinham a expectativa de ouvir, pelo menos daquela vez, um jogador-estrela menos ácido. Mas esse não é o coração do filme – que só tem a ganhar com isso.

“Heleno” permite que Santoro explore uma bipolaridade num personagem que viveu numa época onde essa palavra ainda nem existia no dicionário corrente. No papel de alguém que tem problemas mentais – ou melhor, que desenvolve problemas mentais porque foi colocado injustamente num sanatório – nós já sabíamos que ele se sairia bem. Falo, claro, de “Bicho de sete cabeças”, filme de 2001, dirigido por Laís Bodanzky, no qual o ator vivia essa história adaptada de uma vida absurdamente real. De certa maneira, o triunfo de “Bicho” quase que nos prepara para a primeira imagem de Heleno na sua biografia filmada: um rosto precocemente envelhecido, uma expressão à deriva, uma pele corroída, e um olhar silenciosamente desesperado. Impressionante como é, esse retrato, pela própria referência que temos de Rodrigo no cinema, é quase familiar. Mas quando vamos aos poucos vendo o mesmo ator nos revelando de onde veio aquilo tudo, o Heleno trágico ganha uma força ainda maior – e quando, mais adiante, a história retoma sua decadência física e mental (o diretor propõe vários jogos entre passado e presente), Rodrigo transcende na caracterização da doença.

Mesmo assim, não são esses momentos que mais impressionam quem procura uma atuação sofisticada. Nos suas passagens mais sóbrias é que Heleno faz com que Santoro nos surpreenda. Uma vez que sabemos que ele está sempre à beira de um ataque de nervos – o ídolo era conhecido por ser temperamental (quando não perigosamente histriônico) –, é na sua relativa lucidez que, nossa atenção fica aguçada para tentarmos perceber quando o furacão vai se instalar. Por exemplo, nas cenas de momentos alegres com sua mulher – Aline Moraes na medida certa (sem trocadilhos, por favor), e tão bem caracterizada que ela parece ter nascido para viver no Rio dos anos 40 – o perigo está sempre lá. Mesmo apaixonado, Heleno pode estourar a qualquer hora. E respiração de quem assiste a tudo obedece esse suspense, sem você perceber. O clima é o mesmo com seus colegas jogadores: minha cena favorita é a que Heleno recebe a notícia de que seu passe foi vendido para o argentino Boca Juniors (em parte por seu comportamento lamentável em equipe, o Botafogo decide negociá-lo) e ao sair pelo vestiário ele puxa uma briga demoníaca com um colega.

À brigada do “spoiler”, eu devo anunciar que estou falando aqui de uma biografia. Não estou “entregando” nenhum segredo ao contar aqui as desventuras de Heleno. Se hoje novas gerações de torcedores têm apenas uma vaga ideia de quem foi esse ídolo, qualquer fã de futebol com mais de 70 anos – e não são poucos – vai poder te contar suas próprias lembranças desse que era uma espécie de protótipo dos “jogadores problema” que hoje são a delícia da mídia sensacionalista. Não preciso citar nomes aqui – nem mesmo de jogadores recém desempregados – para você imaginar exemplos de atletas para quem Heleno era mais que uma referencia futebolística.

Mulherengo? Pode apostar que Heleno era (o livro dá ainda mais conta de suas conquistas do que o filme). Drogas? O lança-perfume e, depois, o éter cumpriram direitinho o papel de acabar com sua saúde (já bastante debilitada por uma sífilis nunca tratada propriamente). Luxo? Heleno vivia rodeado dele – dos carros aos ternos com o pedigree da alfaitaria inglesa. Escândalos? O craque era a delícia dos “mancheteiros” dos jornais populares. Qualquer semelhança com o que a gente lê hoje em dia sobre futebol fora do campo não é mera coincidência… Com tantos ingredientes preciosos assim, a história de Heleno estava quicando para ser contada para um público maior e mais contemporâneo. E Rodrigo Santoro, não me canso de insistir, só poderia mesmo ser a melhor escolha para dar vida a tudo isso.

Esse Rodrigo mesmo, que certo dia anunciou que iria repensar sua carreira e se dedicar ao cinema. Não apenas a nossa produção nacional, mas a um vôo mais alto – Hollywood mesmo. Lembra-se como você riu nervoso da coragem de uma ousadia dessas? E como você foi irônico quando percebeu que, apesar de ele ter finalmente feito um filme americano ultra popular (“As panteras”), nem diálogos ele tinha na edição final? Tem alguma recordação de ser sido sarcástico quando seu papel em “300”, na opinião de alguns, beirava a caricatura? E você tem um registro de quando finalmente deixou de prestar atenção na sua carreira internacional, considerando tudo “uma grande loucura”?

Pois Rodrigo Santoro não parou: seguiu em frente acreditando no que faz. E sobe cada vez mais. “Heleno” não é Hollywood –mas bem que poderia ser. Mais de uma vez conheci atores que desdenham seus trabalhos em TV, como se fossem meros veículos (lucrativos) para uma “verdadeira vocação”: a interpretação no teatro e no cinema. Bem, felizmente convivo também com uma outra turma: atores (e atrizes, claro), que são tão bons no que fazem que levam seu talento para qualquer suporte – e transformam todo o prazer que têm em interpretar em arte. E de quebra em diversão para nós, famintos (tel)espectadores.

Santoro, não tenho dúvida alguma, está neste segundo grupo. E se você ainda não está convencido disso, vá ver “Heleno”. E prepare-se para sair certo de que, ele sim, é “o artista”.
Fonte: Blog do Zeca Camargo

Homenagem aos 100 anos de Nelson Rodrigues

Começaram na quarta-feira (28) as homenagens ao centenário de Nelson Rodrigues no Festival de Curitiba. A adaptação teatral do folhetim publicado em jornais “Escravas do Amor” trouxe ao palco do Teatro Guaíra uma versão pouco vista da obra rodrigueana, que ainda assim não esconde as muitas obsessões do autor. O Festival segue até o dia oito de abril.

A peça estreia nacionalmente no Festival, após uma curta série de exibições no Rio de Janeiro. O diretor João Fonseca remonta o primeiro espetáculo em que atuou como diretor em 2006, o qual também passou pelos palcos de Curitiba. “A gente deve muito ao Festival nesse sentido”, afirmou. Para ele trata-se de um espetáculo “muito divertido, muito leve”.

Esta impressão pôde ser constatada pelos risos constantes das quase duas mil pessoas que dividiram espaço no Guairão na primeira apresentação. Não houve diálogo ou narração dos atores que não suscitasse gargalhadas – esparsas ou unânimes. O resultado foi um espetáculo que dispensou o fechamento das cortinas para ser aplaudido, já que em pelo menos duas oportunidades uma cena no meio da apresentação foi ovacionada.

A obra
“Escravas do Amor” foi escrita sob o heterônimo de Suzana Flag com objetivo de cativar as recatadas mocinhas dos anos 40, avessas ao “pornográfico” Nelson Rodrigues . A trama começa no dia em que Malu seria pedida em casamento por Ricardo, o que acaba por não se consumar quando o quase noivo resolve acabar com a própria vida em frente à quase noiva. A partir de então, cerca de 600 páginas de acontecimentos entre a “quase viúva”, a mãe, o pai e a amante do pai começa a ser destrinchada diante do público.

A trama segue a estrutura folhetinesca na qual foi publicada, dividida em capítulos devidamente anunciados pelos próprios atores, que também exercem papeis de narradores. Fonseca apostou justamente nestas características de novela para prender a atenção dos espectadores. “Você torce principalmente pelo desenlace romântico: Vai ficar com ele? Vai ficar com aquele? Vai dar certo com aquilo?”, conta.

Essa “pegada” é evidenciada nas idas e vindas do enredo, no qual o público até se perde na torcida pelas personagens. O “dramalhão” abre espaço para dúvidas sobre quem diz a verdade, sobre supostas infidelidades, e ainda sobre a veracidade de fotos de Malu que chegam aos pais da jovem, os quais relutam diante das imagens. “O Nelson tinha uma criatividade. Chega uma hora que ele coloca uma onça, e a onça ataca a personagem. Ele fazia isso, é muito maluco, de onde ele tirou essa onça?, questiona, entre risos, o diretor.

O elemento narrativo se mostrou o principal trunfo da peça. Um mecanismo aparentemente simples, mas eficiente, divertiu os espectadores ao longo da 1h45 de duração do espetáculo. Em todas as cenas os atores anunciavam à plateia, como se fossem narradores, o que aconteceria em seguida na trama, para então voltarem-se ao palco e executar.

Um desses momentos mais emblemáticos foi quando, já morto, o noivo anunciou – “Ricardo está morto” –, para então se deixar cair, ilustrando a narração. “Acho que o mais gostoso é a brincadeira narrativa que os atores descobriram, de estar tempo todo jogando com a plateia, de estar falando do próprio personagem na primeira pessoa e brincando com isso”, comentou Fonseca.

Obsessões
Se para o diretor obras como “O Casamento” usam das obsessões de Rodrigues para transformar o espetáculo em “quase pornográfico”, em “Escravas” o auge da libido são meras trocas de beijos entre os personagens. “É como se fosse o preto e o branco”, exemplificou Fonseca. Contudo, o heterônimo de Suzana Flag é eficiente em mascarar alguns traços marcantes das obras do autor.

O adultério, por exemplo, é tema central do enredo. O cenário familiar desenhado na primeira cena se esfacela com uma série de insinuações, desconfianças e consumações de infidelidade entre todas as instâncias. Quando o pai de Malu descreve as fotos que recebeu da filha dá a entender que ela participou de uma orgia nos Estados Unidos, outro tema recorrente de Rodrigues. Há também espaço, apesar de diminuto, para a polêmica máxima rodrigueana de que “mulher gosta de apanhar”.

É neste tom que a peça termina, quando os pares são rearranjados e a amante do pai de Malu toma à frente do palco e declama. “Eu sou uma escrava do amor, mas quem não é? Todas somos!”.

Serviço
A peça será exibida novamente nesta quinta-feira (29), também no Teatro Guaíra. Ainda há ingressos para todos os setores, e a apresentação será às 21h. O Guaíra fica na Rua Conselheiro Laurindo, s/nº. As entradas podem ser adquiridas no site do Festival.

Fonte: G1

Abertas inscrições para concurso de histórias em quadrinhos

O Concurso Nacional de Histórias em Quadrinhos é uma realização da Prefeitura Municipal de Ponta Grossa, por meio da Secretaria de Cultura e Turismo e do Conselho Municipal de Política Cultural.

A finalidade do concurso é estimular a produção de HQs e o intercâmbio com quadrinhistas brasileiros.

Esta edição do evento homenageia o chargista Ireno José Guimarães.

As inscrições estão abertas até o próximo dia 31 de março. Crianças e adultos poderão participar.
Confira os prêmios e o regulamento completo clicando aqui.

Fonte: Universo HQ

Em seu 50º álbum, Maria Bethânia aposta em mudanças sonoras e grava faixas “mais enxutas”

Nesta sexta (30) chega às lojas o “Oásis de Bethânia”, 50º álbum da carreira de Maria Bethânia. A capa do álbum traz uma foto do sertão alagoano feita por Gringo Cardia e durante a coletiva de imprensa realizada nesta quarta (28) na sede da gravadora Biscoito Fino, zona sul do Rio, Bethânia revelou que seu oásis é o sertão brasileiro: “Preciso lembrar que existe esse lugar no meu país. Isso me coloca do tamanho que eu sou”, explicou Bethânia.

As dez faixas do CD contam com produção de diferentes artistas, que passam por Djavan até Lenine. “Foi uma escolha bem pensada, não queria voltar ao estúdio com a mesma formação. Queria que fosse apenas minha voz e um instrumento, se eu tocasse algum instrumento seria apenas eu tocando e cantando”, disse Bethânia sobre a concepção do álbum que, dessa vez, não teve criação geral do maestro Jaime Allen. O tom mais enxuto das canções se reflete nos 38 minutos que compõem o álbum, assinado por Bethânia e Jorger Heder.

“O Jorge é um baixista que teve relação com todos os músicos do país”, contou Bethânia que dividiu o estúdio ainda com o pianista André Mehmari. “Queria o Elton John, mas o Mehmari é melhor”, comparou.

A “renovação”, de acordo com Bethânia era um desejo antigo. “Senti vontade de fazer um álbum com a mesma estranheza causada por ‘Ciclo’”, revelou Bethânia citando o disco lançado em 1983 e prosseguiu: “Saiu como eu queria, com as mudanças sonoras que eu queria,  esse é um álbum importante na minha carreira”, sintetizou.

Preciso lembrar que existe esse lugar no meu país. Isso me coloca do tamanho que eu sou

Bethânia sobre o sertão brasileiro

Bethânia divulga texto pela primeira vez

Dentre as novidades do novo álbum está um texto intitulado “Carta de Amor” (“Amar é um protesto”, comparou), escrito por Bethânia e musicado por Paulo César Pinheiro. Segundo ela, a carta foi escrita para deixar de lado “dores, angústias e mágoas”. Essa é a primeira vez que a cantora publica um dos seus escritos. Indagada sobre o porquê da demora em divulgá-los, Bethânia explicou: “Temos poetas e escritores maravilhosos, escrevo para me preservar da visibilidade do palco que a minha profissão exige. Escrevo muito, desde moça, mas sempre queimei tudo depois”, contou aos risos.

Em “Calúnia”, Bethânia canta “Deixe a calúnia de lado / Que ela a mim não afeta”, no entanto ela garantiu que a canção não é uma resposta a repercussão causada pelo projeto de blog criado por Andrucha Waddington e Hermano Vianna. “É um bom prólogo para todos os contextos, mas não fiz isso pensado, se o tivesse feito teria sido um ato pequeno”, mas deixou escapar que “Lágrima” foi baseada em uma carta escrita para ela por por Nélida Piñon na época: “Nélida me mandou uma carta que dizia: ‘Não derrame uma lágrima, o Brasil não merece’”.

Uma das “inovações” do “Oásis de Bethânia”, por exemplo, é a canção “Fado” que conta com a viola caipira tocada por Jaime Allen, dando lugar a tradicional guitarra portuguesa usada nos fados de Portugal. “Acho linda a viola caipira e o Jaime toca lindamente essa viola”, disse. “Velho Francisco”, letra de Chico Buarque, ganhou arranjos mais pesados de Lenine: “Lenine é um gênio, dá uma pancada no violão e estremece tudo”, elogiou.

Música inédita de Caetano estará no show

Maria Bethânia planeja subir aos palcos no segundo semestre de 2012. No repertório do show, ela revelou que cantará uma canção inédita de seu irmão, Caetano Veloso, composta em 67 a partir de um poema do poeta Sá de Miranda: “A música acabou sobrando no disco, mas vou fazer no show”, contou. Ainda sem previsão de estreia, Bethânia acredita que o show “será diferente” e promete uma “mudança cênica” para acompanhar o novo projeto.

Famosa por recitar poemas em seus espetáculos, Bethânia mais uma vez citou Fernando Pessoa como o “poeta de sua vida” e reclamou do mundo de hoje, onde, segundo ela, falta delicadeza: “Esse disco para mim é uma coisa muito forte, verdadeira e delicada. E o mundo está sem delicadeza, quando vejo esse trabalho sinto que eu segui, que achei uma brecha. Me conforta, me deixa vaidosa”, confessou.

Com mais de 40 anos de carreira, Bethânia não costuma ouvir seus trabalhos antigos e nem pensa em mudar seu visual: os cabelos se tornaram icônicos. “Cabelo esquenta, é bom”, brincou ela que se disse avessa ao mundo virtual: “Não entendo nada de internet, mas se isso ajuda nosso trabalho é interessantíssimo”, opinou. Nesta quarta (28) foi lançada a Rádio Bethânia, com todos as músicas gravadas pela cantora.
Fonte: UOL

Livros de Harry Potter são disponibilizados em formato e-book

Os livros best-sellers de J.K. Rowling da série “Harry Potter” estão disponíveis pela primeira vez no formato e-book no novo site dedicado às aventuras do garoto mágico.

As sete histórias, que venderam estimadas 450 milhões de cópias em todo o mundo e produziram oito filmes bem sucedidos para o cinema, estão a venda nesta terça-feira no site Pottermore, elaborado por Rowling.

Edições em francês, italiano, alemão e espanhol são esperadas nas próximas semanas e em mais outras línguas na sequência.
O site principal da Pottermore é esperado para funcionar no início de abril, vários meses depois do anunciado anteriormente devido a problemas técnicos.

Designers esperam permitir aos leitores explorar elementos do mundo de Harry Potter que não apareceram nos livros e a interagir com as histórias e personagens.
O website gratuito, em parceria com a Sony, é um dos vários empreendimentos lançados por Rowling e seus parceiros comerciais para manter a mágica de Harry Potter viva e a continuidade dos lucros.
Os livros best-sellers de J.K. Rowling da série “Harry Potter” estão disponíveis pela primeira vez no formato e-book no novo site dedicado às aventuras do garoto mágico.As sete histórias, que venderam estimadas 450 milhões de cópias em todo o mundo e produziram oito filmes bem sucedidos para o cinema, estão a venda nesta terça-feira no site Pottermore, elaborado por Rowling.

Edições em francês, italiano, alemão e espanhol são esperadas nas próximas semanas e em mais outras línguas na sequência.
O site principal da Pottermore é esperado para funcionar no início de abril, vários meses depois do anunciado anteriormente devido a problemas técnicos.

Livro digital já disponível na livraria exclusivamente digital Grioti (www.grioti.com.br)

A verdade é que harry Potter, a galinha dos ovos de ouro de Rowling ainda vai render muito, e o personagem já inspira criações como “Almanque de Harry Potter”, produzido por Ana Paula Corradini, lançado pela Editora e já comercializado pela livraria digital GRIOTI.

Fonte: G1 e Oficiana HQ

DC Comics revela novo vilão da Liga da Justiça

A partir de Justice League # 9, começa um novo arco de histórias chamado The Villain’s Journey (A Jornada do Vilão, em tradução livre), na qual a principal equipe de super-heróis da DC Comics enfrentará um novo vilão.


Apesar de a editora manter mistério sobre o personagem, como o seu nome e qual será a influência dele no futuro da equipe, foi revelado um rascunho de Jim Lee com a criação do visual. O vilão também aparece na capa de Justice League # 10, mas como a imagem está em preto e branco não dá para distinguir muitos detalhes. De acordo com a DC, será nessa edição que a origem do novo supervilão será revelada.

A história terá roteiros de Geoff Johns e marca o retorno de Jim Lee aos desenhos, depois de uma pausa de dois meses. Assim, a equipe criativa regular da série retorna para continuar a contar as histórias do grupo. Justice League # 9 será lançado nas comic shops dos Estados Unidos – também digitalmente – em maio.
Fonte: Universo HQ
 

 

Em cartaz documentário sobre Raul Seixas

Pai da contracultura brasileira, Raul Seixas, nascido em Salvador em 1945, cresceu apaixonado pelo rock’n’roll. Aficionado por cinema, inspirou-se em Elvis Presley e iniciou sua carreira imitando o ídolo com brilhantina no cabelo e gola da camisa levantada.

Sua morte, em 1989, deixou um grande legado de músicas que são relembradas ainda hoje ao redor de todo o Brasil pela aclamação “Toca Raul” e uma legião de fãs de várias gerações.

Vida, música e morte de Raul são agora tema do documentário Raul – O Início, o Fim e o Meio. Dirigido por Walter Carvalho (de Cazuza – O Tempo Não Para, em codireção com Sandra Werneck, eBudapeste, baseado em livro de Chico Buarque), estreou ontem (23 de março).

O filme traz depoimentos de familiares, amigos, mulheres e parceiros, além de contar com uma grande quantidade de imagens inéditas de arquivo.

Leia a seguir a entrevista exclusiva concedida por Walter Carvalho à revista CULT.

Raul Seixas

 

CULT – Qual é o diferencial de Raul Seixas no contexto da contracultura?

Walter Carvalho – Ele começou imitando Elvis Presley, do ponto de vista da intuição, não sei se tinha consciência disso. Mas estava sendo antropofágico, na medida em que pegava Elvis e misturava com Jackson do Pandeiro e Luiz Gonzaga. Esse cruzamento entre Jackson, Gonzaga e rock’n’roll cria uma antecipação: “Let Me Sing” é praticamente um baião.

Qual era a relação de Raul com o cinema?

Ele desenhava em cadernos histórias que eram verdadeiros storyboards. E lá escrevia: “Raul Seixas apresenta!”, “Raul Seixas produtor, diretor…”. Dizia também que seu sonho era fazer um filme em Hollywood, o que infelizmente não aconteceu, porque teria sido maravilhoso.

Acredito que esse aspecto viesse da admiração que tinha por Elvis Presley. Assistiu a Balada Sangrenta [Michael Curtiz, 1958, estrelado por Elvis] mais de 20 vezes: ele entrava no cinema e via o filme seguidamente, em todas as sessões. Além disso, tinha uns cadernos em que anotava os filmes a que assistia em Salvador, dando opiniões e impressões.

Raul afirma que foi para o Rio de Janeiro para lançar um tratado de filosofia metafísica. Você tem alguma informação sobre esse tratado?

Fui atrás disso, mas nunca vi, nunca encontrei. Tenho a impressão de que era mais uma lorota do Raul, uma provocação. Ninguém sabe se fez.

O que tem de filosofia metafísica na obra dele?

Vou te responder essa pergunta da seguinte forma: o filme passou na Mostra [Internacional] de São Paulo, em uma única sessão, e não estava concorrendo a nada. Quando terminou, um fã de Raul, um artista plástico popular da periferia de São Paulo, veio falar comigo e disse: “Gostei muito do seu filme, ele mexeu com a minha metafísica”. Achei essa frase sensacional.

Raul tinha era um discurso popular sofisticado, que se comunicava com o público. Tinha um viés acentuadamente popular, mas ao mesmo tempo era sofisticado na forma de dizer o que dizia, nos arranjos, no modo de cantar. Se há alguma metafísica nele, é por esse caminho.

Paulo Coelho foi o primeiro grande parceiro. Houve pontos negativos nessa parceria?

Como o próprio Paulo fala no filme, a parceria é como um casamento: na medida em que se consolida, sofre um fenômeno de entropia e se atrofia. Os conflitos começaram a vir à tona e deram na separação. Acredito que houve um desgaste entre eles, uma guerra de vaidades, de egos, uma saturação ao ponto de se separarem e ficarem anos sem se reencontrar.

Qual a razão para a decadência de sua carreira?

A boemia! A coisa que mais me impressionou desde que iniciei o projeto até quando terminei o filme foi o curto período de sua trajetória.

Entre 1972, quando surge, deixando de ser Raulzito da Bahia e passando a ser Raul Seixas no Rio de Janeiro, até morrer, em 1989, são aproximadamente 17 anos, do ponto de vista da ascensão e queda.

Nos últimos quatro anos não fez praticamente nada, ficou isolado, sem produzir, dedicou-se completamente ao vício etílico, à boemia, a ponto de não ter mais volta.

O último gesto dele foi quando Marcelo Nova o chamou para fazer uma participação em seu show. Acabou fazendo 50 shows, entre setembro e outubro de 1988, quando se encontra com Marcelo, e agosto de 1989. Morreu no primeiro final de semana em que não fez show.

Como você avalia a parceria com Marcelo Nova?

Marcelo era um admirador de Raul, o imitava quando mais novo, e os dois se conheceram quando convidados para um show no Circo Voador.

Acho que se tratava de um misto de admiração, carinho e, sem dúvida, uma atitude de quem queria dar uma oportunidade para que Raul saísse do buraco. Achou que aquilo estava movendo Raul, trazendo-o para o trabalho, mas diante de uma imagem de um Raul depauperado.

Então, o que nunca se poderá saber é se a atitude de Marcelo prolongou ou abreviou a vida de Raul. Concordo com Caetano, quando disse que não via um aproveitamento [de Raul] por parte de Marcelo Nova.

Por que Raul continua sendo lembrado e ouvido?

Acho que isso tem uma relação direta com o que fez na música. Ao mesmo tempo em que foi um grande comunicador, quem veio depois e continuou gravando [suas músicas], fazendo show, ouvindo a plateia sempre dizer o famoso “Toca Raul” contribuiu muito para que estivesse sempre presente.

Raul permaneceu porque sua obra foi maior que ele – a junção de letras inteligentes com apelo popular sofisticado e de alto nível.

Fonte: Revista Cult