Grande exposição de Salvador Dalí em São Paulo

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A maior retrospectiva da obra do mestre do surrealismo Salvador Dalí na América Latina chega a São Paulo, em versão exclusiva. Cinco obras complementam a mostra no Instituto Tomie Ohtake, entre elas “O espectro do Sex-Appeal”, que retrata um dos temas principais da iconografia daliniana, o terror em relação à sexualidade.

Além do conhecido universo fantástico do artista, cheio de relógios derretidos, corpos transformados, e outros símbolos e elementos estranhos, as múltiplas faces do artista espanhol são destaques da exposição que abre neste domingo, 19.

“O público poderá conhecer também o Dali ilustrador, escritor, publicitário, cineasta”, disse ao UOL, a curadora da mostra, Montse Aguer, diretora do Centro de Estudos Dalinianos da Fundação Gala-Dali, durante abertura para convidados na manhã deste sábado, 18.

Entre as pérolas dessa produção diversa, ilustrações para obras-primas da literatura, como “Don Quixote”, “Fausto”, “Alice no País das Maravilhas” e “O Velho e o Mar”.

No total, a exposição traz 218 obras, entre elas 24 pinturas, 135 trabalhos de desenho e gravura, 40 documentos, 15 fotografias e quatro filmes, de três coleções mais importantes, da Fundação Gala-Salvador Dali e Museu Reina Sofia, na Espanha, e do Museu Salvador Dali, nos EUA.
Variedade das obras, que vão desde a produção na década de 1920 até seus últimos trabalhos, permite um mergulho inédito no mundo de Dali, ressalta a curadora.

“Essa seleção mostra nuances na evolução técnica, recursos, ferramentas, referências ideológicas, simbolismos, influências, e também as transformações decorrentes de seus questionamentos da realidade e de suas buscas no misticismo, religião e ciência”, disse ela.
A exposição que chega agora a São Paulo passou pelo CCBB (Centro Cultural Banco do Brasil) do Rio de Janeiro, e foi um sucesso de público por lá. “A força da obra de Dali nos dias atuais está relacionada, sobretudo, com sua ruptura dos limites entre a alta cultura e cultura de massas”, comenta Aguer.

Fase americana e trabalho no cinema

Organizar a mostra de Salvador Dali não foi tarefa simples, garante Ricardo Ohtake, diretor do Instituto Tomie Ohtake. “Tivemos que negociar com várias instituições e colecionadores, eu não imaginava que fosse tão difícil”.

Emperrava as negociações principalmente os valores pedidos por colecionadores e detentores do direito das obras. “Cifras surreais”, brinca Ohtake. “Mas acontece também com outros artistas, nesse ponto, todos viram surrealistas”, completa.

Ele destaca na exposição, a presença de obras da fase americana de Dali. “Durante a Segunda Guerra, ele viveu uns oito anos nos EUA, tudo que pintava um colecionador comprava”, conta.

Além de exibir uma seleção de alto nível do trabalho de Dali, o público poderá ainda conferir cenas de filmes produzidos por ele, como a do antológico “O Cão Andaluz” (1931), dirigido junto com Luís Buñuel.

O diretor do MIS e proprietário do Cine Belas Artes, André Sturm, que entende do assunto foi conferir a exposição neste sábado. E aprovou.”Sou fã desde a adolescência, quando estive na Europa e comprei uma reprodução que foi parar na parede do meu quarto”, revela.

Para ele, o melhor da exposição é mostrar a diversidade do talento de Dali. “É um grande painel sobre ele, tem até uns comerciais em que ele atuou, além de artista era um marqueteiro genial”

Fonte: UOL