Exposição CORSET – Uma Poética com o Couro em Metamorfose na Galeria Cañizares

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A Galeria Cañizares, retoma as suas atividades de 2016, em celebração aos 70 anos da UFBA, com a Exposição CORSET – UMA POÉTICA COM O COURO EM METAMORFOSE, da artista visual Liege Galvão.
Trata-se de um conjunto de obras nas quais Liege fragmenta e escarifica o seu couro-corpo efêmero, imbuído de uma memória corpórea que questiona a homogeneização corporal.
A exposição configura-se como conclusão do Mestrado em Artes Visuais do PPGAV-EBA, com orientação e curadoria da Profa. Dra. Viga Gordilho.

Artista Visual Liege Galvão

Artista Visual Liege Galvão

TEXTO DA CURADORIA
Liege Galvão traz nesta mostra, fragmentos do seu corpo que se inscrevem como uma espécie de “materialidade do tempo”, como nos situa o filósofo frances Didi-Huberman (1953). A artista escarifica as suas inquietações, em um conjunto de obras, instauradas na sua pesquisa para a conclusão do Mestrado em Artes Visuais.

Aqui, na Galeria Cañizares, o couro-corpo efêmero, transita em um tempo – biológico, entrelaçando o tempo – desejo, que, imbuído de uma memória corpórea, busca e questiona um ideal estético confrontando a antropomorfia na eterna busca da beleza no tempo-agora.

Seus experimentos questionam a homogeneização corporal. É uma forma de pensar a transitoriedade carnal que marca, enruga, amassa,franze, enferruja, dobra e indicia rastros, que, por mais longínquos que estejam, conseguem tocar a nossa pele.

Somos assim, convocados não somente como receptores, mas também como fruidores e intérpretes, exigindo um trabalho de rememoração, um trabalho sobre os traços que podem promover a irrupção do futuro no presente, ou quiçá, do passado no presente. Quebrando a linearidade do tempo em uma dinâmica da oscilação da imagem jovem que congela o instante, em uma operação de fusão entre vestígios e rastros de um corpo em trânsito, sob a reflexão de Liege Galvão:
Viga Gordilho (CURADORA)

TEXTO DO ARTISTA
Flanando pelo tempo, descubro que não há mais um estar no mundo que pode congelar ou rejuvenescer o meu couro-corpo, embebido de vivências cadenciadas. Ele se torna objeto de registros e estímulos não mais homogêneos, que resistindo ao instante efêmero, se metamorfoseia numa incompletude transitória de uma nova aparência corpórea em constante atualização. Perenidade e efemeridade estão em conflito mutuo e recíproco. A exterioridade apresenta as tramas da matéria, inerente à corporeidade da existência do ser, que subtamente possui seus estigmas. Minha antropomorfia questiona este corpo que se transmuta e, como sujeito inquieto do tempo-agora, entra em confronto com a inevitável decrepitude corpórea.
Liege Galvão

SERVIÇO:
Abertura: 17 de fevereiro (quarta-feira), das 18 às 21 horas.
Visitação de 18 de fevereiro a 01 de março, de segunda a sexta, das 09 às 18 horas.
Conversa com a artista e curadoria: 25 de fevereiro (quinta-feira) às 17 horas na Galeria Cañizares.