Livro, quadrinhos e revistas digitais!

Página da Grioti livros digitais

Dupla baiana aposta na inovação e praticidade das livrarias digitais

As livrarias são especializadas no comércio do ebooks, formato de publicação específico para a leitura em tablets, computadores e dispositivos móveis.
Foto: Diego Mascarenhas
Redação CORREIO

Fábio e Wilton criaram a Grioti em 2009

Os livros digitais foram a grande aposta para os criadores de tablets – dispositivo eletrônico de tela touchscreen em formato de prancheta – como o Kindle e o iPad. A ideia de ler um livro ou uma revista em formato digital, que ocupa menos espaço e é mais prático que os convencionais e impressos, foi uma das grandes razões para que os tablets ganhassem o mercado.

Foi pensando nesse novo mercado que os baianos Wilton Bernardo e Fábio Mascarenhas decidiram investir no ramo como uma alternativa de negócio inovador e rentável. Assim, em 2009, nasceu a Grioti Livros Digitais, a terceira livraria digital do país.

As livrarias digitais, como a Grioti, são especializadas no comércio do ebooks, formato de publicação específico para a leitura em tablets, computadores e dispositivos móveis que possuam compatibilidade com o formato, como os smartphones.
“Os arquivos são compatíveis para qualquer aparelho digital que permita a leitura de formatos como PDF e os ePUBs”, explica Fábio. Para os iniciantes no assunto, a Grioti ensina passo a passo como realizar a compra e fazer o download do livro digital.
Além da praticidade, o preço dos livros digitais também tem conquistado os leitores. Na Grioti, por exemplo, há títulos infantis disponíveis para download gratuito, e também outros de temas mais específicos e títulos para ser utilizados em pesquisas acadêmicas como o livro a “Ideologia da estética”, por R$ 45.

Segundo os sócios, a grande demanda por edições digitais está na região sul do país, enquanto o mercado baiano ainda participa de forma discreta deste tipo de comércio. “Os títulos mais procurados são os livros de assuntos bastante específicos. Um que vendeu bastante foi “A Carne de Rã: processamento e industrialização”’, brinca Wilton.

Além da Grioti, o mercado brasileiro conta com diversas livrarias e bibliotecas , onde o download é gratuito, exclusivas para ebooks como a Gato Sabido e a eBookcult.  Outras mais conhecidas pela venda de livros impressos estão disponibilizando em seu acervo a opção da compra digital como a livraria Cultura e a Saraiva.

Fonte: Jornal CORREIO (Salvador-BA)

Livro Digital Contos do Folclore Brasileiro recebe material até 31 de julho!

Imagem ilustrativa msotrando uma ilustração pelo iPhone, um dos suportes eletrônicos em que poderá ler o livro digital "Contos do Folclore Brasileiro"

Para quem se delicia em escrever contos ou tem talento para ilustrar, ainda dá tempo de participar da 1ª. edição do livro de contos do Folclore Brasileiro realizado pela Oficina HQ em parceria com a livraria digital Grioti.
Ainda não recebemos nenhum conto do Lobisomem nem do Saci!
Gostaríamos muito de ter esses dois personagens super populares.

Sugiro que antes de participar, dê uma olhada na livraria digital. Tem alguma dúvida? O livro digital será lido apenas por equipamentos eletrônicos que lêem arquivos ePub e PDF como: iPhone, iPpad, PC, notebook, celulares com androide, galaxytab, etc. No site da ligraria, tem um banner na parte superior na cor azul, explicando como fazer pra baixar e ler um livro. Experimente. Comece baixando o livro promocinal “Oficina HQ com 1 artigo e entrevistas de 3 cartunistas: Flávio Luiz, Luis Augusto e Wilton Bernardo. 

Agora veja abaixo como participar do livro que será lançado em Agosto:

Livro digital ilustrado Volume 1
A Oficina HQ recebe contos baseados em lendas do folclore brasileiro (Boitatá, Boto, Curupira, Lobisomem, Mãe-D’água, Corpo-seco, Pisadeira, Mula-sem-cabeça, Mãe-de-ouro, Saci-Pererê etc). Cada conto deve ter entre 5 e 8 ilustrações. O autor do conto pode ou não ser o ilustrador do conto. Se preferir, pode convidar algum ilustrador assim como a iniciativa também pode partir do ilustrador, convidando um escritor. Uma vez que a dupla esteja formada, cabe a eles escolher o personagem, e produzirem a história (texto e ilustrações).

A Ação cultural selecionará os contos que integrarão a 1a. edição do livro digital onde os critérios são simples: qualidade e domínio técnico, levando em conta que o público alvo é adolescentes e adultos.

Inscrição e envio de textos e ilustrações
As imagens devem ser enviadas em JPG (com 300 dpi) até 30 de julho. Os contos devem ser enviados no corpo do E-mail: quadrinhos_ssa@hotmail.com com assunto: “livro digital – Folclore”.

Imagem ilustrativa da Oficina HQ no iPad, assim como o livro digital pderá ser lido.

Informar no corpo do E-mail:
a) Nome completo
b) Nome artístico (se tiver)
c) Endereço completo (inclusive CEP)
d) Atividade profissional atual
e) Profissão
f) Breve texto de apresentação (aproximadamente 5 linhas. Se tive site, blog, favor informar)
e) Se o inscrito for menor de idade e seu trabalho (texto e/ou ilustração) selecionado(s), o responsável deverá entregar uma declaração autorizando o menor a participar da produção. Caso a declaração não seja entregue antes do momento em que o livro comece a ser produzido pela Grioti, o menor será desclassificado automaticamente, pois pagamentos referentes a vendas, no caso de autor com menos de 18 anos, deverá ser efetuado na presença do responsável.

A seleção e divulgação dos textos e ilustrações escolhidas será divulgada até final de julho por E-mail, blog e site da Oficina HQ.

Lançamento do livro
15 de agosto será lançado o livro digital ilustrado através de site/ Blog da Oficina HQ, redes sociais, e mídia.

Custos de produção
A assessoria, divulgação e produção do livro digital fica sob responsabilidade da Oficina HQ, onde os autores não terão despesa alguma no processo de disponibilização das vendas, confecção ou promoção do produto. 

Imagem ilustrativa

Comercialização do livro digital 
O número de contos da primeira edição do livro ainda não está definido, porém, estima-se algo em torno de 5 contos, mas a Oficina HQ prefere não fechar um número e ter a liberdade de colocar mais ou menos de acordo com a quantidade de material recebido, adequado ao tema e qualidade desejada.

O Livro terá um valor de capa do qual será retirado percentual para:
a) Ação Cultural Oficina HQ 20%
b) Autores (escritores e ilustradores) 35%
c) Grioti livros digitais 45%

Produção do livro 
A Grioti produzirá o livro digital, o qual será disponibilizado para vendas na própria livraria. O livro poderá ser lido por dispositivos eletrônicos como iPad, iPod Touch, iPhone, eReader, celulares e/ou tablets com android e computadores com sistema operacional Windows e Mac OS X.

Direito autoral
O direito autoral será respeitado, tanto pela Oficina HQ quanto pela Grioti, onde fica claro que apesar de responsável pela comercialização do produto cultura em que se transformará a coletânea de textos e ilustrações, cada ilustração continua sendo do ilustrador que a fez, bem como cada conto continua sendo do escritor, porém, a comercialização dos direitos de uso fica sob responsabilidade exclusiva da Oficina HQ.

Dúvidas
Se tiver qualquer dúvida, por favor faça contato. Escreva para quadrinhos_ssa@hotmail.com e retornarei assim que possível.

Conheça a livraria digital que está fazendo a parceria com a Oficia HQ:
www.grioti.com.br
www.grioti.com.br/blog
(71) 4062-8021

+ Ação Cultural Oficina HQ +
WWW.oficinahq.com
https://oficinahq.wordpress.com
(71) 8807-4331

Cena de Cuba: em seu país, a autora Wendy Guerra permanece inédita

 Diante da censura e da repressão imposta pelo regime socialista de Cuba, a maioria dos cubanos se vê diante de duas opções: fugir da ilha ou se calar. Poucos ousam ficar e criticar o sistema abertamente como a escritora Wendy Guerra, 41 anos. 

Wendy Guerra narra o abandono de uma família e de um país

Seu primeiro romance, Todos se Vão (Benvirá/ R$ 39,90/ 272 páginas), publicado agora no Brasil, é exemplo da ousadia de Wendy. Traduzida em 11 idiomas, seus livros, porém, são vetados em  Cuba. 
“Lá, sou um personagem de ficção”, comentou  ela quando veio à Festa Internacional Literária de Parati (Flip), no Rio, no ano passado, ocasião em que  também lançou no Brasil o romance Nunca Fui Primeira Dama.
Diários íntimos
Nesses dois livros, a autora mistura fatos históricos com ficção e sua própria biografia. Não por acaso, em Todos se Vão, sua protagonista se  chama Nieve Guerra. Assim como Wendy Guerra, Nieve nasceu na cidade de Cienfuegos, em 1970:  11 anos após a revolução liderada por Fidel Castro.

Vencedor do prêmio espanhol Brugrera, Todos se Vão, de 2006, é estruturado como um diário, aliás, o gênero de escrita preferido de Wendy, que  teve vários diários desde a infância, tal como Nieve. 

O leitor acompanha os desabafos dessa cubana diante das muitas perdas que enfrenta, dos 8 aos  20 anos.  Filha de uma radialista hippie e de um artista de teatro revolucionário, o sofrimento de Nieve começa quando ela é obrigada a viver por um período com esse pai bêbado e violento, que a espanca e a deixa sem comida frequentemente.

Quando esses maus-tratos são denunciados à Justiça, Nieve passa um tempo em um orfanato, até voltar a viver com sua mãe, que pouca atenção lhe dá. Em meio a esses dramas familiares, a personagem, aos poucos, se dá conta também das agressões cotidianas que sofre e  testemunha por conta da ditadura.

Ler um simples livro ou ouvir uma música considerada subversiva gera risco de prisão. Além disso, covardias cometidas com quem está prestes a deixar o país são aceitas  com naturalidade por muitos. “As pessoas jogam ovos, tomates e pedras na casa de quem está indo embora. Às vezes até arrastam pelo chão os que estão indo”, escreve Nieve, aos 10 anos, sobre os chamados ‘atos de repúdio’.

Atirar bem Ao entrar na adolescência surgem novos conflitos. Entre seus amigos, Nieve também se sente deslocada e sofre com a frieza dessa  geração de jovens desencantados, que jogam o amor para escanteio. “Para piorar, está na moda não se beijar. Eles se amassam e se tocam, alguns até transam, mas como o lance é NO LOVE, não se beijam. Não entendo nada, mas sobrevivo dentro desse circo”.

Ingressando na faculdade de Arte, em Havana, a artista plástica novata  tampouco escapa  da Escola de Preparação Militar, obrigatória também para as mulheres. “Não suporto nada que seja militar, nem mesmo as calças de camuflagem que estão na moda. Mas, se eu não for, me tiram da escola; como diz a ordem: ‘Todo cubano deve saber atirar muito bem’”.

Já no meio artístico, mais do que nunca, o alter ego de Wendy  se defronta com a censura: “Há mais policiais do que críticos entre nós”.  Ao mesmo tempo, ela percebe como certos artistas, de trânsito internacional, vivem como privilegiados, tendo acesso a casas, roupas e outros bens burgueses. “E olhe que em Cuba não existe diferença de classes”.

Desintegração Por outro lado, quem não suporta as hipocrisias do regime  foge do país. Assim fazem  vários amigos de Nieve, deixando-a cada vez mais só. A situação para Wendy é das mais reais:  seu ex-marido, Humberto Castro,  depois de se destacar na pintura  em Cuba, nos anos 80, deixou a ilha para nunca mais voltar – e mora em Miami.

Uma das passagens mais emblemáticas do livro  é quando Nieve vê um edifício inteiro desabar  na sua frente, de uma hora para outra, no centro de Havana. “Meu Deus, senti que Havana está desmoronando e lembrei que minha casa foi declarada inabitável”.

Páginas adiante, a personagem expressa a sua perplexidade diante de outro desmoronamento. Dessa vez, o do Muro de Berlim. “Estamos  escorados pelos muros, sem eles, onde vamos parar, que viagem é esta?”.
Feminismo Apesar de ter como nome de batismo a palavra ‘neve’ (Nieve, em espanhol), a personagem se mostra uma mulher de fibra, que não ‘derrete’ diante das pressões familiares e sociais.

Nesse sentido, Todos se Vão é também um livro feminista, que mostra a força das mulheres numa sociedade extremamente machista. “O machismo em Cuba está disfarçado pela alta instrução, mas está aí, ameaçando a gente o tempo todo, entre o jogo e a realidade. A censura aparece em cada homem que cruzo no caminho”, escreve, lembrando como todos os homens eram contra os seus diários.

Só neles Nieve exerce sua plena liberdade, inclusive demonstrando, em palavras, uma feminilidade escondida. Ao descrever cenas de  sexo, por exemplo, ela mostra  tanta  classe quanto Anaïs Nin (1903-1977), autora francesa reconhecida por seus diários  eróticos, e que é uma  referência para Wendy.

Ignorada em Cuba, Wendy segue muito notada pelo mundo, publicando escritos diretamente da Ilha, através do blog Habáname, do site espanhol El Mundo.

Livro Todos se Vão
Autor Wendy Guerra
Tradução Josely Vianna Batista
Editora Benvirá
Preço
R$ 39,90 (272 págs.)

Fonte: Redação CORREIO (Franco Caldas Fuchs)

O mestre Monteiro Lobato não é Judas

Na chatíssima era do politicamente correto, querem pegar Monteiro Lobato (1882-1948) pra Judas. Em 2010, o Conselho Federal de Educação classificou o livro  Caçadas de Pedrinho (1933) como racista. Sobretudo por causa de passagens como essa, envolvendo a personagem Tia Nastácia, que é negra: “Tia Anastácia, esquecida dos seus numerosos reumatismos, trepou, que nem uma macaca de carvão”.

Pelo prisma do politicamente correto, que leva tudo ao pé da letra e quase sempre desconsidera ou simplifica as circunstâncias sociais e históricas do que critica, o trecho citado parece realmente ofensivo. Felizmente, o Ministério da Cultura vetou a classificação de racista ao clássico Caçadas de Pedrinho. De todo modo, com momentos de racismo ou não, é impossível chamar a obra do autor de Os Doze Trabalhos de Hércules (1944) de medíocre.

A revista Bravo! de maio, em reportagem de capa, traz
coisas graves – estas, sim! – escritas pelo paulista Monteiro Lobato, um dos maiores e mais populares escritores da história do Brasil. Nos arquivos da Fundação Getulio Vargas e da Fundação Oswaldo Cruz, ambas no Rio de Janeiro, o repórter André Nigri encontrou cartas – escritas entre os anos 20 e 30 – que revelam ideias nada nobres de Lobato.

Nas correspondências, trocadas com o médico baiano Arthur Neiva (1880-1943) e o cientista paulista Renato Kehl (1889-1974), o grande Monteiro Lobato  se refere de maneira elogiosa à nefasta entidade racista e criminosa americana Ku-Klux-Klan, defende a eugenia (tese pré-nazismo sobre controle e aprimoramento da raça através da ciência) e destila muito preconceito regional sobre brasileiros não-paulistas.

Ao visitar Salvador, em 1935, Lobato escreveu a seguinte pérola ao amigo Arthur Neiva, que então morava em São Paulo: “Mas que feio material humano formiga entre tanta pedra velha. A massa popular é positivamente um resíduo, um detrito biológico. Já a elite que brota como flor desse esterco tem todas as finuras cortesãs das raças bem amadurecidas”.

É assombroso que Monteiro Lobato tenha pensado coisas desse tipo e tenha se encantado com ideias perigosas e estúpidas como a eugenia, por exemplo. Mas, vale a pena tentar apedrejar, tanto tempo depois, um intelectual que prestou outros tão bons serviços à cultura brasileira? Não vale. Além disso, parte da correspondência do escritor continua inédita – e, talvez, ele tenha se arrependido depois.

Como bem encerra o jornalista André Nigri, melhor é refletir sobre a condição humana e entender que “mesmo as mentes mais sólidas podem, em determinados momentos, sofrer amolecimento radical”. E a história está cheia de exemplos assim – alguns mais sérios, outros menos.

Dá para imaginar que o baianíssimo Jorge Amado (1912-2001), aos 28 anos, foi redator da página de cultura do Meio-Dia, então jornal de propaganda nazista no Brasil, e convidou colegas como Oswald de Andrade (1890-1954) para escrever também para o periódico? Um bom exemplo de diabrite da juventude, pois não. Ah! Oswald não aceitou.

Outro ícone baiano, Dorival Caymmi (1914-2008), numa entrevista ao jornalista e escritor Paulo Mendes Campos (1922-1991), em 1955, para a Revista da Música Popular, declarou que na cena musical de então havia “muitas falsidades” – e citou o “baião e o samba de morro” como exemplos.  Eram “influências exóticas e de um caráter estritamente comercial”. Certamente, o mestre mudou de opinião.
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Fonte: *Texto publicado originalmente na coluna Hagamenon Brito, no jornal CORREIO, dia 17 de maio de 2011 (Salvador-BA).