MÓDULO 3 – PRIMEIRA PARTE

MÓDULO 3 – primeira parte – Desenho X História

a) Onde está o desenhista na sociedade atual (2020)?
O que vocês me responderiam? Será que há espaço para o desenhista atuar profissionalmente nesta sociedade atual? Pare um pouco e tente responder para si, antes de continuar a leitura.

b) Nem tudo é beleza
Pessoal, eu tenho ministrado Oficinas de Quadrinhos há 17 anos. Foram muitas turmas, dezenas de alunos. E quer saber uma coisa que eu vi se repeti diversas vezes? A avaliação de diversos alunos em relação a seu próprio desenho no simples e raso quesito “beleza”. Não caia nessa armadilha de ficar avaliando seu desenho em relação a beleza. Até porque, provavelmente quando uma pessoa diz que o desenho é feio, é porque ela possivelmente tem uma referência de desenho bonito. Tendo ou não, se você quer desenvolver algum trabalho reconhecido como seu, sem que alguém necessariamente tenha que atrelar o seu trabalho a outra pessoa, então, você precisará desenvolver O SEU TRAÇO. E se esse traço não tem que se parecer com o de outra pessoa, não cobre de si, ter um traço como o de qualquer outra pessoa.
Se você quer desenvolver o seu traço, você não tem que se tornar outra pessoa, ou seja, não tem que tentar mudar seu traço completamente. Mas você pode sim, melhorar, evoluir. Eu posso te ajudar, se você me mostrar sua produção e quiser um feedback enquanto dura este workshop Virtual de HQ. Ser]ao 9 conteúdos, e estamos entrando no módulo 3, parte A.

c) O DESENHO em variados momentos da história

1 – Homem da Caverna:
Usavam as pinturas rupestres, e podemos obviamente falar em desenhos, como forma de se expressar e comunicar antes mesmo que se consolidasse uma linguagem verbal

2 – No Egito antigo:
O desenho, utilizado para decorar tumbas e templos, ganha status sagrado.
Uma grave condenação para alguém após a morte era ter raspados todos os desenhos e inscrições de sua tumba.

3 – No Renascimento:
O desenho ganha perspectivas e passa a retratar mais fielmente a realidade; surge um conhecimento mais aprofundado da anatomia humana e os desenhos ganham em realidade.

4 – Revolução industrial e História em Quadrinhos
Devido a Revolução Industrial surge uma nova modalidade de desenho voltado para a projeção de máquinas e equipamentos: o desenho industrial.
Em 1890, outro marco para o desenho: surge a primeira revista em quadrinhos semanal da história. No dia 17 de maio de 1890 foi lançada a Comic Cuts pelo magnata londrino Alfred Harmsworth, mais tarde Lord Northcliffe. Mas, outras fontes atribuem o feito a obras anteriores: uma destas obras seria o desenho chamado “Yellow Kid” publicada em 1897 por Richard Outcalt. No Brasil, as precursoras foram as tiras do ítalo-brasileiro Ângelo Agostini, publicadas em 1869, no jornal “Vida Fluminense” com o título de “As Aventuras de Nhô Quim”.

Considerações finais: O objetivo desse texto falar desses vários aspectos é chamar sua atenção para a ferramenta de comunicação e linguagem que você tem em mãos. Se você reduzir suas possibilidades a apenas “beleza”, pode desperdiçar a experimentação mágica de expressão. E para eu não ficar apenas no âmbito das ideias, sem dar nome aos bois, eu chamo sua atenção para obras como: Mafalda (autor: Quino), Persépolis (autora: Marjane Satrapi), Maus (autor: Art Spiegelman). Eu poderia citar muitos outros onde o desenho está longe do que alguém chama de “desenho bonito”, mas são trabalhos de altíssima qualidade e reconhecimento internacional.
Pense o seguinte: Se algum dos 3 autores citados acima resolvessem não produzir enquanto não tivessem um desenho maravilhoso, correriam o grande risco de nunca realizarem a produção incrível que fizeram. Pense nisso, e aguardo nossos dois próximos textos, que sairão amanhã e depois de amanhã para que no sábado, façamos a aula de CRIAÇÃO DE PERSONAGEM! Vocês querem a aula de criação de personagem através de uma LIVE no Instagram? Ou uma Videoconferência onde fica mais fácil todos interagirem?

Até a SEGUNDA PARTE do Módulo 3!

:: Wilton Bernardo
+ Coordenador e professor da Ação Cultural Oficina HQ
+ Criativo do Estúdio e produtos da Laço Afro
+ Graduado em Artes Visuais pela Universidade Federal da Bahia

Criação de Personagem e Direito Autoral – analisando o Superman


Hoje vou falar um pouco sobre criação de personagem e direito autoral. Esse é um assunto muito importante. Afinal, não basta ser criativo, talentoso. É importante entender o que lhe cabe, a importância de se criar um personagem e o que significa “um personagem” nos dias de hoje.
Um personagem nascido de um desenho, pode ganhar o mundo. Um mundo de suportes como cadernos, roupas, produtos decorativos, brinquedos, jogos, além de ser garoto propagada de inúmeras marcas, e ganhar telas de cinema. Não há limites para os personagens.

Aproveitando o clima das aulas da Oficina HQ sobre Criação de Personagem – acontecendo desde o sábado passado, 11/05/19, no Museu Carlos Costa Pinto para a garotada e no Centro Universitário UniRuy, para adolescentes e adultos, vamos abordar alguns personagens e seus criadores!
Por onde começar? Claro que começaremos por ele o Superman. Sabe por quê?

CRIADORES DO SUPERMAN
Segundo o Roberto Guedes, em sua matéria para a revista Mundo dos Super heróis, até junho de 1938 as revistas em quadrinhos não existiam de verdade, eram quase sempre apáticas republicações de tiras de jornal. Mas depois de Action Comics 1 em que estampava o Superman na capa – 1ª aparição do personagem -, artistas talentosos e diversos personagens que surgiram em seguida, ajudaram a criar uma indústria bilionária!
É claro que sem investimentos, não há retorno. Mas em terreno de gente que valoriza a criatividade e o talento, se dá a Cesar o que é de Cesar! Aqui, no Blog do Curso de Quadrinhos Oficina HQ, reverenciamos, sem sombra de dúvidas, os criadores do Superman: Jerry Siegel e Joe Shuster e reconhecemos que se por um lado, sem altos investimentos, não se lucra alto, por outro lado, sem criatividade, sem a criação, não se tem no que investir, afinal dinheiro se consegue, financiamentos, empréstimos, economia pode-se fazer, mas criar, amigos, vamos reconhecer, não tem como negociar isso. Principalmente numa sociedade como a que vivemos onde a capacidade de se reproduzir o que se cria é enorme, o valor de uma mente criativa, é inestimável.

DESENHISTAS DIVERSOS
Ed McGuinness, José Luis Garcia-López, Wayne Boring, John Byrne, Alex Ross, Frank Quitely, Dan Jurgens, Max Fleischer e Curt Swan. Sabe o que todos estes nomes têm em comum? Todos eles desenharam o Supermam, em algum período de sua longa trajetória. E não pense que citei todos! A lista é enorme!!!! Mas fiz questão de citar alguns nomes para chamar atenção a uma coisa que deveria ser óbvia, mas tenho visto que não é: O fato de dezenas de outros desenhistas terem trabalhado com o personagem, cada artista com seu estilo, seu traço, sua forma específica de produzir sua representação gráfica do personagem, não muda em absolutamente nada os direitos e créditos dos autores Jerry Siegel e Joe Shuster. É muito simples entender. Pense numa música criada por determinado artista. Muitos artitas poderão cantar esta mesma música, mas o autor, não continua sendo o mesmo? Pois bem! Uma vez autor, sempre autor.
A exploração comercial pode até ser negociada, mas o autor, jamais deixa de ser autor de uma obra que desenvolveu. Não esqueça jamais disso.

Confira abaixo algumas versões do Superman por diferentes artistas:

Superman por Alex Ross

Superman por Frank Quitely

Superman por Joe Shuster, co-criador do personagem, em parceria com Jerry Siegel

:: Wilton Bernardo (@wilton_bernardo) é artista visual, criador da Ação Cultural Oficina HQ (@oficinahq) e criador da Marca Laço Afro (@lacoafro)
http://www.wiltonbernardo.com

Fome de Poder X Fome de Justiça?

Com qual título vocês se identificam mais?
Os que me conhecem além do facebook não terão dúvida sobre meu posicionamento. Há grande possibilidade desse título estampar um livro e uma exposição que organizo carinhosamente sobre os trabalhos mais relevantes e de importância para mim, os quais desenvolvi desde que me graduei na Universidade Federal da Bahia. Costurando as obras, virão histórias sobre a feitura e utilização de cada trabalho, sua devida autorização para tal ou não e as consequências disso. Espero contar tudo, tudo tudo. E apesar de algumas histórias ainda não terem sido concluídas, eu já um belo enredo de filme, documentário ou noveja.
Infelizmente nessa trajetória há entre outras coisas, várias situações de desrespeito ao meu direito autoral. E eu, justamente eu, que durante as aulas de histórias em quadrinhos que ministro, sempre chamo muita atenção ao alunos sobre o cuidado que deve ter com suas autorias.
Mas a justiça será feita, em várias estâncias. Porque atuando na área de arte e comunicação, essas estâncias também terão uma resposta, não apenas a judicial.
#eunãotenhomedodebrigarpelosmeusdireitos #quemnãomeajudatambémnãovaimeatrapalhar #justiça #wilton_bernardo
:: Wilton Bernardo

Artistavisual e designer graduado pela Universidade Federal da Bahia; Idealizador da marca Laço Afro (@lacoafro) e da Oficina HQ (https://www.facebook.com/A%C3%A7%C3%A3o-Cultural-Oficina-HQ-186958778077722/)
*Imagem ilustrativa, repostada do “Blog da Biblioteca da Faculdade Municipal de Palhoça publicada em 13/maio/2016 – Bliblioteca FMP

Criador de Mario revela por que Luigi é verde

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Comemorando 30 anos desde a primeira aparição de Luigi, em Mario Bros. (1983), o criador dos irmãos encanadores e muitos outros clássicos da Nintendo, Shigeru Miyamoto, contou à revista Rolling Stone a história por trás da cor verde do personagem.

“Um dos problemas [na época] era a limitação de memória e por causa disso o segundo personagem tinha que ser igual ao primeiro em aparência. Então olhamos para isso e falamos ‘bem, mesmo se tivermos o mesmo personagem, poderíamos potencialmente mudar sua cor’”, disse. “Mas, de novo, nos tínhamos uma paleta de cor limitada – não tínhamos muitas cores adicionais para poder usar”.

“Aí, reparamos nas tartarugas do jogo. Suas cabeças eram meio cor-de-pele e seu cascos eram verdes, então, o que poderíamos fazer era usar a paleta de cores das tartarugas nesse personagem. A partir dessas limitações técnicas nós dissemos, ‘ok. Temos esses dois personagens. Eles são iguais, tirando o fato de que as cores são diferentes. Obviamente eles precisam ser gêmeos’. A partir daí decidimos, ‘eles são gêmeos e o outro personagem [Luigi] deve ser o irmão mais novo”, explicou.

Segundo Miyamoto a solução de problemas como esse que cria ótimos designers de games. “Como você pega essas limitações, cria algo único e coloca na história ou no cenário e consegue explicar por que essas coisas existem? Por último, essa é a razão porque Luigi é verde, mas param mim é uma importante faceta do design: como você usa uma limitação para construir algo novo.”

Para celebrar as três décadas de Luigi, a Nintendo está lançando em 2013 Luigi’s Mansion: Dark Moon e Mario & Luigi: Dream Team, para 3DS. Além disso, o personagem verde também será conteúdo extra, via DLC, em New Super Mario Bros U, para Wii U.

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Fonte: Games Terra

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