Quanto você cobra pra criar um personagem?

É preciso ter muito cuidado diante de uma pergunta ou proposta relacionado a criação de personagem. Essa é uma das perguntas mais perigosas para quem não sabe o que pode significar dar vida a um personagem. Eu me coço todo só de pensar em ouvir de novo essa pergunta. As vezes, é melhor não fazer, dependendo da propostas de quem faz essa pergunta.
Primeira lição: É preciso entender que conceber um personagem não é a mesma coisa que conceber um desenho. Você precisa ter a noção do valor da criatividade entre tantas outros atributos que hoje se celebra em empreendedores. E é bom saber que, você não vai poder esperar que seu cliente, ou um empresário interessado em seu trabalho lhe diga quanto vale ou quão importante é sua criatividade. Não posso generalizar, mas dificilmente alguém valoriza aquilo que não conhece ou não tem. Portanto, cuidado, cuidado e cuidado!

Durante a Oficina de Quadrinhos que atualmente tem inscrições abertas, muito além de orientar sobre as etapas de construção de uma HQ, considero extremamente importante abordar assuntos como esse. Não adianta se preparar tanto, se esforçar pra poder criar, fazer um trabalho de narrativa, de desenho, de arte super bem, e na hora de valorizar seu trabalho, ficar perdido ou esperar que o cliente diga quanto vale, e como será a negociação.

A criação do personagem Superman é atribuída ao roteirista Jerry Siegel e ao desenhista Joe Shuster. Embora o personagem tenha sido publicado oficialmente em 1938, na primeira edição da revista americana Action Comics, pela então “National Publications”, editora que viria a ser conhecida posteriormente como “DC Comics”, ele havia sido concebido pela dupla cerca de cinco anos antes. A dupla teve sérios problemas com os direitos autorais ao assinarem um contrato ingênuo e despretensioso por um personagem que levanta centenas de milhões de dólares. Resultado: uma briga judicial que durou décadas. Pesquiso sobre isso!

MUITOS AUTORES E MUITOS EXEMPLOS
Antes de tudo, é importante você ter consciência de que muitos autores(inclusive, famosos), já passaram por experiência traumáticas, grandes lições estão ai para que você não repita o erro que outros já cometeram ou não caia em armadilhas que outros já caíram.
A dica que lhe dou é:
a) Se você tem dúvidas sobre o peso da criatividade para um projeto empreendedor, se pergunte o seguinte: sem dinheiro, mas com uma ideia realmente criativa, é possível empreender? A resposta é sim! E com dinheiro mas sem nenhuma ideia?
b) Antes de você responder a um cliente, quanto cobra pra criar um personagem, você sabe o esse personagem pode render? O grau de exposição que este personagem vai ser posto, e quando ou por quanto tempo ele vai refletir geração de vendas e lucro? Já refletiu sobre a grande possibilidade do personagem fazer sucesso e virar uma “galinha dos ovos de ouro”? Se você não consegue organizar as ideias e entender sozinho o que esse personagem concebido pode significar economicamente, você tem 2 alternativas (mas pode escolher as duas se quiser! Rsrs):

PRIMEIRA: Assista pelo menos 2 files: “Disney antes do Mickey” e “Fome de Poder”. Em ambos os filmes – apesar do segundo filme não se dar no universo de personagens, é muito fácil perceber a importância da criatividade, ainda que o protagonista esteja o tempo todo tentando fazer uma lavagem cerebral em quem assiste a película repetindo o tempo todo a importância de “persistir”. Nada contra a persistência, mas a criatividade, ainda que não celebrada, tem um valor inestimável. Outra: Persistir em algo que não dá certo pode lhe dar alguma experiência, mas experiência não significa necessariamente que seu investimento lhe renderá sucesso e lucro. E digo mais! Te dou uma barra de chocolate se você me disser porque a criatividade não é tão valorizada, respeitada e bem remunerada (pelo menos aqui no Brasil).

SEGUNDA: Se inscreva na Oficina de histórias em Quadrinhos! Srsrsrs brincadeiras e “merchan” à parte. Até hoje não vi em nenhum lugar se chamar tanto a atenção dos alunos sobre a importância de se entender e ter atenção sobre seus direitos autorais. Sobre pensar que nem toda negociação ou parceria precisa ser a base de uma venda simplesmente, como fazemos na Oficina de Quadrinhos que realizo. Há coisas que podem valer a pena se pensar em acordos que envolve percentuais, períodos! Pode ser prudente o estabelecimento de cláusulas que garanta que ninguém vai ser explorado ou desvalorizado (pra não dizer roubado) por ninguém.

Pesquise, leia. Há muitas questões que exigem entender sobre os direitos autorais. Você sabe o que aconteceu com a criação do Super man? Sabe o que os criadores do personagem passaram? Pesquise! Se informe, mas se você é criativo, arregace as mangas e crie, mas não esqueça de lembrar que o autor de uma obra, não deixa de ser autor, por mais grana que esteja envolvida. Como diz a velha frase “Não entregue o seu ouro ao bandido”!

Quais as etapas para fazer uma HQ


Houve um tempo em que eu acreditava que para fazer uma História em Quadrinhos só era necessário a ideia, algum personagem, e claro, belos desenhos! Afinal de contas, depois de conhecer as grandes Editoras Marvel e DC Comics com um leque de desenhistas incríveis, como eu posso pensar em lançar uma publicação, sem antes estar com o meu desenho no nível deles, certo? ERRADO! Não existe um nível ou padrão de desenho que garanta que uma História em Quadrinhos vai ser bem sucedida. E lembrem-se: A originalidade de um traço que possa destoar da maioria é imensamente melhor que um desenho genérico, sem identidade, tecnicamente perfeito, mas que não traduz nem identifica o que você ou sua história deseja ou precisa exprimir.

Dona Dedé, uma das personagens criadas por Wilton Bernardo


Até meus 12 a 14 anos, colecionei revistas em quadrinhos não concluídas porque eu tinha uma ideia, e antes de definir início, meio e fim da história (storyline); antes de definir todos os personagens que nelas estariam; antes de desenvolver o roteiro; antes de planejar quantos desenhos seriam inseridos em cada página e como seriam as cenas (storyboard); antes de definir as diferentes angulações, escolher as onomatopeias e quantidade de quadros eu utilizaria pra mostrar cada passagem da história (recursos narrativos); eu já começava a fazer a história em quadrinhos nas folhas de papel ofício dobradas e grampeadas ao meio. Foi um longo aprendizado cheio de erros e acertos.

O mangá influenciou tudo! Nada mais poderia ser como antes, após a explosão desse estilo de HQ. As narrativas das HQs de super heróis mudou! Até a turma da mônica tem versão com influência do mangá!(imagens de Death Note e Lobo Solitário)


Após pesquisar, estudar, fazer cursos tanto em Salvador quanto em São Paulo com profissionais que produzem para Marvel, DC Comics, eu organizei tudo que havia estudado, pesquisado, e resolvi compartilhar com as pessoas, através daquilo que reuni e chamei de Oficina de Quadrinhos. É importante deixar claro que foi uma pesquisa longa, demorada. Anos se passaram. Entre início e fim, eu passei no vestibular, me formei em artes visuais pela Universidade Federal da Bahia, me tornei infografista na Rede Bahia, entrei no mercado publicitário como Diretor de Arte, me tornei professor de Artes, e por fim, vi que eu havia organizado um conteúdo rico em torno das artes gráficas, plásticas e tinha em mãos informações que orientariam a produção de forma prática de uma história em Quadrinhos.

São infindáveis abordagens, temas, estilos, centenas de personagens. Já criou o seu?


A pesquisa que desenvolvi aborda as etapas de construção dessa arte fascinante que encanta crianças e adultos com histórias dos mais variados traços e temas: Aventura, humor, ficção científica e terror, além das histórias reais, verdadeiros relatos, documentos vivos da nossa própria história. Tudo cabe nessa arte! Qualquer tema pode ser desenvolvido em Quadrinhos! Portanto são orientações – divididas entre teoria e atividades práticas – nos seguintes tópicos que tem sido compartilhadas nas Oficinas de Quadrinhos:

– Desenho
– Storyline
– Criação de Personagens
– Recursos Narrativos
– Simbologia das Cores
– Roteiro
– Storyboard

Assunto e motivo pra muitos debates construtivos não faltam. As capas históricas e direito autoral e a introdução à pintura digital são assuntos que não podem deixar de ser abordado na turma de adolescentes e adultos.

:: Wilton Bernardo
– Coordenador da Oficina de Quadrinhos e Desenho “Oficina HQ” ( @oficinahq );
– Criador da marca Laço Afro ( @lacoafro );
– Artista visual, Designer Gráfico ( http://www.wiltonbernardo.com )

OAB-BA promove seminário de Direito Intelectual

No dia 26 de setembro, no espaço Cultural Raul Chaves da Faculdade de Direito da UFBA, será realizado o seminário Duas Décadas das Leis de Direitos Intelectuais no Brasil. O evento acontecerá durante todo o dia e trará especialistas para debater questões voltadas para a propriedade intelectual e a Lei de Direitos Autorais Brasileira.

O seminário é realizado pela Comissão de Propriedade Intelectual da OAB-BA, que tomará posse no dia 26, e conta com o apoio da Escola Superior de Advocacia (ESA) Orlando Gomes. As inscrições são gratuitas e devem ser feitas pela plataforma http://www.sympla.com.br.

Confira programação*:
9h – Posse da Comissão de Propriedade Intelectual da OAB-BA;

10h – Palestra: “A importância das Comissões de Propriedade Intelectual nas seccionais da OAB”, com o presidente Nacional da Comissão de Propriedade Intelectual da OAB, Dr. Ricardo Bacelar;

11h00 – Palestra: “O movimento em direção a uma proteção patentária da indústria farmacêutica; com a professora visitante do PPDG, Dra. Marta Gimenez Pereira;

14h – Apresentação musical do cantor e compositor Luiz Caldas;

14h30 – Palestra: “20 anos da Lei de Direitos Autorais Brasileira (Lei 9.610/98): histórico de sua tramitação, jurisprudência sedimentada e novos desafios na era digital, com o Desembargador do TJ/SP, Dr. José Carlos Costa Netto;

15h30 – Intervalo e lançamento de livros com sessão de autógrafos;

16h – Mesa redonda sobre música no ambiente digital: com artistas e advogados baianos (Manno Góes, Rodrigo Moraes, Ricardo Bacelar, Marcelo Timbó, Luiz Caldas, Gerônimo Santana, Alexandre Peixe, Eduardo Ferreira Gomes e Waltinho Queiroz);

17h – Encerramento com apresentações musicais dos participantes da Mesa Redonda.

*Programação sujeita a alteração

Personagem de HQ x Sucesso

Possibilidade de sucesso
Quem não sonha em ver sua criação artística fazer sucesso? O fato é que já houve um tempo em que não se poderia imaginar as dimensões grandiosas de sucesso que um personagem de quadrinhos poderia alcançar. Imaginar que um personagem de tirinhas ou revistas em quadrinhos ganhariam sucessos arrebatadores em adaptações para games, virar garoto propaganda de campanhas publicitárias de grandes marcas e poder ganhar a indústria cinematográfica.
Apesar de não ser uma regra, o grande sucesso pode sim “abraçar” seu personagem. Antes de terminar este artigo, te pergunto: você está seguro sobre ter as rédeas do seu personagem? Entenda “rédeas” como noção de seus direitos autorais!


Histórias inusitadas de sucesso
Em 1962 uma agência de publicidade solicitou a um desenhista que ele criasse uma personagem para estrelar uma campanha publicitária. O nome da personagem deveria ter a sílaba “Ma” porque o patrocinador era Mansfiel. A campanha acabou não acontecendo, mas um diretor da agência ao assumir outro trabalho na imprensa, lembrou e solicitou a utilização da personagem que teve grande sucesso. Assim iniciou a história de sucesso da Mafalda, criação do Joaquín Salvador Lavado, o Quino.
No início da década de 1930 dois estudantes apaixonados por ficção científica se conhecem e no ano seguinte criam um personagem. Em meio a muitas revisões e mudanças de características desse personagem, batem em muitas portas e recebem muito “NÃO” antes da oportunidade que transformaria aquela criação numa das mais icônicas e rentáveis personagens do universo dos Quadrinhos – Superman! Jerry Siegel e Joe Shuster, os criadores do homem de aço jamais imaginavam o sucesso que este personagem alcançaria. Com certeza experimentaram a grande felicidade de ver sua cria ganhar o mundo, mas tiveram sérios problemas com direitos autorais por fazerem acordo que parecia realmente ser bom para eles. Mas isso, se o personagem não tivesse crescido tanto e se tornado o grande sucesso que é até hoje.

Direito autoral e falta de informação
Este é um assunto que gera muita discussão e falácia porque a grande parte das pessoas não conhecem as leis que defendem os direitos autorais, e por isso, acabam fazendo as vítimas se sentirem culpadas por conta dos desrespeitos aos seus direitos, causados por outros. Em situações assim os autores podem ser desencorajadas a lutar pelos seus direitos. Para perceber esse risco basta lembrar do que uma pessoa sempre pergunta ao saber que por exemplo, alguém utilizou seu personagem ou arte sem sua devida autorização: “e você registrou o personagem”?
Querendo ou não, ao lançar essa pergunta, o interlocutor praticamente está dizendo ao artista que teve seus direitos desrespeitados: “já que você não registrou sua criação, não reclame!”.
Mas este interlocutor está enganado e se baseia em “achismo”.
Entenda os seus direitos
A lei de direito autoral (9.610/98) protege qualquer criação do intelecto humano que não se caracteriza como elemento da propriedade industrial .
Os direitos autorais se dividem em direitos morais e direitos patrimoniais.
a) Direitos morais: Quanto a estes, são direitos perpétuos, inalienáveis e irrenunciáveis. Não se pode abrir mão nem vendê-los! E mesmo que o faça, não surtirá nenhum tipo de efeito juridicamente válido.
Duas das cláusulas referentes aos direitos morais defende que:
I – o direito de reivindicar, a qualquer tempo, a autoria da obra
II – O direito de ter seu nome, pseudônimo ou sinal convencional indicado ou anunciado, como sendo o do autor, na utilização de sua obra;
Há muitos outros itens e é importante se saber.
b) Direitos patrimoniais: Estes regulam a exploração econômica da obra. Já estes direitos pode ser vendidos, negociados, como o autor desejar. Cuidado!Pense duas vezes antes de fazer uma cessão de direitos sem prazo de validade no que diz respeito a exploração comercial. Hoje seu personagem pode ser anônimo e não render absolutamente nada, mas amanhã, ninguém sabe onde ele pode chegar!
E saiba que entre os itens que regem os direitos patrimoniais, é assegurado:
I – Dispensa de registro. Isso mesmo. De acordo com o artigo 18, para que o autor possa usufruir da proteção legal, basta que comprove , por qualquer meio, a sua autoria. O registro da obra não é fator que defini se o autor tem direito ou não, mesmo porque se este pode provar que sua autoria tem data que antecede ao registro,deixa de ter validade.
II – Temporariedade da obra: Segundo o artigo 41, o direito de explorar comercialmente sua obra em caráter exclusivo, dura por toda a vida do autor e mais 70 anos após a sua morte
Há muito mais a saber sobre os direitos autorais, portanto, se você é autor de alguma obra, procure se informar sobre seus direitos. Se perceber ou desconfiar que algo relacionado a seu direito pode ter sido violado, procure um advogado especialista em Direito Autoral. Só assim, poderá entender e cobrar justiça, se algum dia, precisar.

:: Wilton Bernardo
Artista visual, Designer Gráfico, Coordenador do Curso de Quadrinhos e Desenho Oficina HQ (Salvador-BA) @oficinahq e criador da marca Laço Afro @lacoafro
http://www.wiltonbernardo.com

Fome de Poder X Fome de Justiça?

Com qual título vocês se identificam mais?
Os que me conhecem além do facebook não terão dúvida sobre meu posicionamento. Há grande possibilidade desse título estampar um livro e uma exposição que organizo carinhosamente sobre os trabalhos mais relevantes e de importância para mim, os quais desenvolvi desde que me graduei na Universidade Federal da Bahia. Costurando as obras, virão histórias sobre a feitura e utilização de cada trabalho, sua devida autorização para tal ou não e as consequências disso. Espero contar tudo, tudo tudo. E apesar de algumas histórias ainda não terem sido concluídas, eu já um belo enredo de filme, documentário ou noveja.
Infelizmente nessa trajetória há entre outras coisas, várias situações de desrespeito ao meu direito autoral. E eu, justamente eu, que durante as aulas de histórias em quadrinhos que ministro, sempre chamo muita atenção ao alunos sobre o cuidado que deve ter com suas autorias.
Mas a justiça será feita, em várias estâncias. Porque atuando na área de arte e comunicação, essas estâncias também terão uma resposta, não apenas a judicial.
#eunãotenhomedodebrigarpelosmeusdireitos #quemnãomeajudatambémnãovaimeatrapalhar #justiça #wilton_bernardo
:: Wilton Bernardo

Artistavisual e designer graduado pela Universidade Federal da Bahia; Idealizador da marca Laço Afro (@lacoafro) e da Oficina HQ (https://www.facebook.com/A%C3%A7%C3%A3o-Cultural-Oficina-HQ-186958778077722/)
*Imagem ilustrativa, repostada do “Blog da Biblioteca da Faculdade Municipal de Palhoça publicada em 13/maio/2016 – Bliblioteca FMP

Personagem de Quadrinhos x Possibilidade de sucesso

A Liga da Justiça


Faltando alguns dias para iniciar uma nova turma da Oficina de Quadrinhos – 22 de julho começa a nova Oficina de Quadrinhos no ateliê da Faculdade Ruy Barbosa, Salvador-BA -, decidi escrever este artigo, para dar uma “palhinha” do que discutiremos em sala, além das etapas de construção de uma história em Quadrinhos. Espero que seja proveitoso para você:

Possibilidade de sucesso
Quem não sonha em ver sua criação artística fazer sucesso? O fato é que já houve um tempo em que não se poderia imaginar as dimensões grandiosas de sucesso que um personagem de quadrinhos poderia alcançar. Imaginar que um personagem de tirinhas ou revistas em quadrinhos ganhariam sucessos arrebatadores em adaptações para games, virar garoto propaganda de campanhas publicitárias de grandes marcas e poder ganhar a indústria cinematográfica.
Apesar de não ser uma regra, o grande sucesso pode sim “abraçar” seu personagem. Antes de terminar este artigo, te pergunto: você está seguro sobre ter as rédeas do seu personagem? Entenda “rédeas” como noção de seus direitos autorais!


Histórias inusitadas de sucesso
Em 1962 uma agência de publicidade solicitou a um desenhista que ele criasse uma personagem para estrelar uma campanha publicitária. O nome da personagem deveria ter a sílaba “Ma” porque o patrocinador era Mansfiel. A campanha acabou não acontecendo, mas um diretor da agência ao assumir outro trabalho na imprensa, lembrou e solicitou a utilização da personagem que teve grande sucesso. Assim iniciou a história de sucesso da Mafalda, criação do Joaquín Salvador Lavado, o Quino.
No início da década de 1930 dois estudantes apaixonados por ficção científica se conhecem e no ano seguinte criam um personagem. Em meio a muitas revisões e mudanças de características desse personagem, batem em muitas portas e recebem muito “NÃO” antes da oportunidade que transformaria aquela criação numa das mais icônicas e rentáveis personagens do universo dos Quadrinhos – Superman! Jerry Siegel e Joe Shuster, os criadores do homem de aço jamais imaginavam o sucesso que este personagem alcançaria. Com certeza experimentaram a grande felicidade de ver sua cria ganhar o mundo, mas tiveram sérios problemas com direitos autorais por fazerem acordo que parecia realmente ser bom para eles. Mas isso, se o personagem não tivesse crescido tanto e se tornado o grande sucesso que é até hoje.

Direito autoral e falta de informação
Este é um assunto que gera muita discussão e falácia porque a grande parte das pessoas não conhecem as leis que defendem os direitos autorais, e por isso, acabam fazendo as vítimas se sentirem culpadas por conta dos desrespeitos aos seus direitos, causados por outros. EM situações assim os autores podem ser desencorajadas a lutar pelos seus direitos. Para perceber esse risco basta lembrar do que uma pessoa sempre pergunta ao saber que por exemplo, alguém utilizou seu personagem ou arte sem sua devida autorização: “e você registrou o personagem”?
Querendo ou não, ao lançar essa pergunta, o interlocutor praticamente está dizendo ao artista que teve seus direitos desrespeitados: “já que você não registrou sua criação, não reclame!”.
Mas este interlocutor está enganado e se baseia em “achismo”.

Entenda os seus direitos
A lei de direito autoral (9.610/98) protege qualquer criação do intelecto humano que não se caracteriza como elemento da propriedade industrial .
Os direitos autorais se dividem em direitos morais e direitos patrimoniais.
a) Direitos morais: Quanto a estes, são direitos perpétuos, inalienáveis e irrenunciáveis. Não se pode abrir mão nem vendê-los! E mesmo que o faça, não surtirá nenhum tipo de efeito juridicamente válido.
Duas das cláusulas referentes aos direitos morais defende que:
I – o direito de reivindicar, a qualquer tempo, a autoria da obra
II – O direito de ter seu nome, pseudônimo ou sinal convencional indicado ou anunciado, como sendo o do autor, na utilização de sua obra;
Há muitos outros itens e é importante se saber.

b) Direitos patrimoniais: Estes regulam a exploração econômica da obra. Já estes direitos pode ser vendidos, negociados, como o autor desejar. Cuidado!Pense duas vezes antes de fazer uma cessão de direitos sem prazo de validade no que diz respeito a exploração comercial. Hoje seu personagem pode ser anônimo e não render absolutamente nada, mas amanhã, ninguém sabe onde ele pode chegar!
E saiba que entre os itens que regem os direitos patrimoniais, é assegurado:
I – Dispensa de registro. Isso mesmo. De acordo com o artigo 18, para que o autor possa usufruir da proteção legal, basta que comprove , por qualquer meio, a sua autoria. O registro da obra não é fator que defini se o autor tem direito ou não, mesmo porque se este pode provar que sua autoria tem data que antecede ao registro,deixa de ter validade.

II – Temporariedade da obra: Segundo o artigo 41, o direito de explorar comercialmente sua obra em caráter exclusivo, dura por toda a vida do autor e mais 70 anos após a sua morte

Há muito mais a saber sobre os direitos autorais, portanto, se você é autor de alguma obra, procure ler sobre seus direitos. Só assim, poderá entender e cobrar justiça, se algum dia, precisar.

# Wilton Bernardo
Designer gráfico e artista visual; Professor do Curso de Quadrinhos Oficina HQ; designer idealizador da marca Laço Afro
http://www.wiltonbernardo.com | wiltonbernardo@hotmail.com

O que você sabe sobre Direito Autoral?

Eu estava lembrando que tive um problema de desrespeito a meus direitos autorais e acabei comentando com algumas pessoas sobre o caso envolvendo uma ilustração minha e uma empresa que se apropriou de minha ilustração e começou a explorar economicamente uma produção a partir do meu desenho, sem me consultar. 
Sabe o que 99% das pessoas sempre me perguntava logo que eu contava sobre o caso?
Elas perguntavam: “E VOCÊ REGISTOU SEU DESENHO?”
Elas definitivamente nunca assistiram esse vídeo do Ricardo Luiz Marques. E você?

# Wilton Bernardo
Designer gráfico e artista visual
Gestor do curso de Quadrinhos Oficina HQ e da marca Laço Afro
http://www.wiltonbernardo.com | wiltonbernardo@hotmail.com

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Direito autoral, capitalismo selvagem e HQ

OLá pessoal! Depois de vários dias sem postagem, volto aqui cheio de novidades. Mas, vamos com calma. Contarei as novidades aos poucos. Assim com o ano que chega, nos dando espaço e oportunidade de sonhar e rever os desejos. Felizmente, alguns já farão a viarada de 2011 para 2012 sendo realidade. Mas vamos ao tema desta postagem: Direito autoral, capitalismo selvagem e HQ.

As HQ´s estão muito mais próximas do sucesso comercial, do dinheiro do que do reconhecimento e valorização por partes de quem faz cultura, pelo menos é o que vejo aqui, na Bahia. Editais para artes gráficas? quadrinhos? Ainda não vi por aqui. Para Dança, teatro, artes plásticas.. até pra crítico de arte…. mas quadrinhos que é bom, nada. Por outro lado a grana corre solta em torno de personagens consagrados nos EUA. Mas atenção: muita grana, mercado, não significa ética e respeito a direito autoral.
Não é de hoje que empresas fazem as pessoas assinarem documentos cedendo seus direitos autorais. O que penso disso? Sou totalmente contra a cessão de direitos autorais. É importante os artistas e ou aspirantes a tal, não se deslumbrarem demais com a oportunidade de estar trabalhando pra uma grande empresa caso se depare com essa condição “abrir mão do direito autoral de um personagem criado”.
Eu poderia simplesmente copiar e colar a matéria sobre a briga pelos direitos autorais do Motoqueiro Fantasma, entre Marvel e Gary Friedrich. Adianto que depois de 4 anos de briga judicial, quem lebou a melhor foi a Marvel, pois Friedrich assinou termo abrindo mão do direito autoral quando foi funcionário da empresa. Depois percebeu o que estava perdendo e tentou correr atrás da “galinha dos ovos de ouro”. Mas foi tarde. Existe toda uma indústria, empresas, e muita grana….
EU não estou sendo contra a Marvel. Pra ser sincero, nem conheço o caso e seus detalhes, mas independente deste caso da Marvel e de qualquer outro (já aconteceram vários outros, inclusive com o personagem Super-Homem), eu acho um absurdo uma empresa pedir que uma pessoa abra mão do direito autoral.  Mas enfim, na sociedad capitalista se vende até virgindade né? Fazer o quê?
Todos que lidam com arte, seja artes gráficas, plásticas ou o “caraleo a quatro”, deve ler e se informar sobre direito autoral. Não adianta esperar criar um personagem milhonário e lucrar com isso, passangr por grandes empresas e sair ileso se não tiver informado, se não tiver consciência do valor que tem aquilo que está sendo criado por você.
Se quiser per sobre o caso judicial em torno do Motoqueiro Fantasma, veja o link: MOTOQUEIRO FANTASMA
Abraço e até a próxima.

+ Oficina HQ +
Wilton Bernardo
oficinahq@hotmail.com