Você conhece o artista plástico e gestor cultural baiano Emanoel Araújo?

Artista e gestor cultural Emanoel Araújo (Foto: Wilton Bernardo)

Emanoel Araújo esteve em Salvador trazendo para 2 realizações importantes: uma foi trazer sua exposição de esculturas na Galeria Paulo Darzé (abertura aconteceu em 20/10/11) depois de 25 anos sem expor em Salvador; a segunda realização, foi foi como curador das exposições que abriram o tão esperado “Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira – Bahia” em 13 de novembro de 2011. Poucos dias antes da abertura do Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira, eu tive a oportunidade de entrevistar o artista e bater um papo sobre sua trajetória, desde seu despertar artístico em Santo Amaro, quando menino a experimentar a produção de arte com seu então amigo Caetano Veloso. Leia e conheça um pouco mais sobre o artista Emanoel Araújo.
Clique aqui e veja entrevista exclusiva com o artista.

Fonte: Blog da Laço Afro

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Exposição de Emanoel Araújo em Salvador


É melhor não se enganar com o nome da exposição de Emanoel Araújo, 70, que foi aberta ontem (sexta-feira, 29/10), às 20 horas, na Galeria Paulo Darzé. Geometria do Medo apresenta 17 relevos de cor branca do artista visual nascido em Santo Amaro da Purificação que, inexplicavelmente, há quase um quarto de século não expõe na Bahia.

 

Em 2009 o jejum ia ser quebrado, com a colossal retrospectiva de sua obra, Autobiografia do Gesto,  que acabou sendo vista  no Rio de Janeiro, no Museu Histórico Nacional. A inviabilidade, então, teria sido causada, segundo o artista, pela forma desrespeitosa com que os trâmites foram conduzidos pela Secretaria de Cultura do Estado.

 

“Foi uma falta de respeito de Marcio Meirelles e Daniel Rangel e a exposição não pôde ser realizada. A de agora não é a que eu almejava fazer, queria algo mais amplo, mas fica para outra vez”, diz o artista.

 

Com exceção de uma peça de 2005  e outra do ano passado (da série Formas Flutuantes), as demais  foram produzidas especialmente para a mostra em Salvador, cidade que, simbolicamente, atrai e afasta o artista com suas contradições.

“Salvador me apazigua por um lado e me indigna por outro. Transformaram-na num escombro, é uma cidade que abandonou sua própria história, e é sempre um choque ver. Mas me apazigua o encontro com a cidade, com a sua luz  e o povo da Bahia”, reconhece Emanoel, que, em 2007, recebeu da Associação Brasileira de Críticos de Arte o Prêmio Ciccillo Matarazzo, por sua contribuição à arte e cultura brasileiras.

 

Ângulos – Para o curador  Charles Cosac, a obra de Emanoel Araujo “ainda que sedutora, é ríspida e dura”. O artista ressalta que, de fato, não trabalha com  ângulos “adocicados”: “O curador tem direito de dizer o que quiser, mas ele tem um ponto de vista original, no sentido da tensão que os ângulos provocam. Realmente, é uma geometria dura, porque não é barroca; é sempre rítmica, mas dura”.

 

Da mesma forma, é outra a leitura do branco neste movimento do artista, para além da concretude das formas e qualquer referência mística. “Sinto falta de uma Bahia metafísica, dos anos 1960 e 1970. Hoje tem o inchaço, a impiedade com que transformaram a Bahia e uma coisa barulhenta, batuque de um lado e de outro. É um equívoco essa África inventada na Bahia, que só em Salvador existe e em nenhum outro lugar do mundo, uma África inventada e perversa”.

 

Mas, assim como a geometria e a cor, é outro o medo que as formas de Emanoel evocam. Algo mais próximo, talvez, de uma paixão, e que o fez ir adiante — como aprendiz de marceneiro e talhador, na adolescência,  até tornar-se, numa trajetória genial, diretor e curador do Museu AfroBrasil (SP): “Eu não tenho medo. Se tivesse medo, estava em Purificação, de pijama, sentado no meio da rua“.