Personagem de HQ x Sucesso

Possibilidade de sucesso
Quem não sonha em ver sua criação artística fazer sucesso? O fato é que já houve um tempo em que não se poderia imaginar as dimensões grandiosas de sucesso que um personagem de quadrinhos poderia alcançar. Imaginar que um personagem de tirinhas ou revistas em quadrinhos ganhariam sucessos arrebatadores em adaptações para games, virar garoto propaganda de campanhas publicitárias de grandes marcas e poder ganhar a indústria cinematográfica.
Apesar de não ser uma regra, o grande sucesso pode sim “abraçar” seu personagem. Antes de terminar este artigo, te pergunto: você está seguro sobre ter as rédeas do seu personagem? Entenda “rédeas” como noção de seus direitos autorais!


Histórias inusitadas de sucesso
Em 1962 uma agência de publicidade solicitou a um desenhista que ele criasse uma personagem para estrelar uma campanha publicitária. O nome da personagem deveria ter a sílaba “Ma” porque o patrocinador era Mansfiel. A campanha acabou não acontecendo, mas um diretor da agência ao assumir outro trabalho na imprensa, lembrou e solicitou a utilização da personagem que teve grande sucesso. Assim iniciou a história de sucesso da Mafalda, criação do Joaquín Salvador Lavado, o Quino.
No início da década de 1930 dois estudantes apaixonados por ficção científica se conhecem e no ano seguinte criam um personagem. Em meio a muitas revisões e mudanças de características desse personagem, batem em muitas portas e recebem muito “NÃO” antes da oportunidade que transformaria aquela criação numa das mais icônicas e rentáveis personagens do universo dos Quadrinhos – Superman! Jerry Siegel e Joe Shuster, os criadores do homem de aço jamais imaginavam o sucesso que este personagem alcançaria. Com certeza experimentaram a grande felicidade de ver sua cria ganhar o mundo, mas tiveram sérios problemas com direitos autorais por fazerem acordo que parecia realmente ser bom para eles. Mas isso, se o personagem não tivesse crescido tanto e se tornado o grande sucesso que é até hoje.

Direito autoral e falta de informação
Este é um assunto que gera muita discussão e falácia porque a grande parte das pessoas não conhecem as leis que defendem os direitos autorais, e por isso, acabam fazendo as vítimas se sentirem culpadas por conta dos desrespeitos aos seus direitos, causados por outros. Em situações assim os autores podem ser desencorajadas a lutar pelos seus direitos. Para perceber esse risco basta lembrar do que uma pessoa sempre pergunta ao saber que por exemplo, alguém utilizou seu personagem ou arte sem sua devida autorização: “e você registrou o personagem”?
Querendo ou não, ao lançar essa pergunta, o interlocutor praticamente está dizendo ao artista que teve seus direitos desrespeitados: “já que você não registrou sua criação, não reclame!”.
Mas este interlocutor está enganado e se baseia em “achismo”.
Entenda os seus direitos
A lei de direito autoral (9.610/98) protege qualquer criação do intelecto humano que não se caracteriza como elemento da propriedade industrial .
Os direitos autorais se dividem em direitos morais e direitos patrimoniais.
a) Direitos morais: Quanto a estes, são direitos perpétuos, inalienáveis e irrenunciáveis. Não se pode abrir mão nem vendê-los! E mesmo que o faça, não surtirá nenhum tipo de efeito juridicamente válido.
Duas das cláusulas referentes aos direitos morais defende que:
I – o direito de reivindicar, a qualquer tempo, a autoria da obra
II – O direito de ter seu nome, pseudônimo ou sinal convencional indicado ou anunciado, como sendo o do autor, na utilização de sua obra;
Há muitos outros itens e é importante se saber.
b) Direitos patrimoniais: Estes regulam a exploração econômica da obra. Já estes direitos pode ser vendidos, negociados, como o autor desejar. Cuidado!Pense duas vezes antes de fazer uma cessão de direitos sem prazo de validade no que diz respeito a exploração comercial. Hoje seu personagem pode ser anônimo e não render absolutamente nada, mas amanhã, ninguém sabe onde ele pode chegar!
E saiba que entre os itens que regem os direitos patrimoniais, é assegurado:
I – Dispensa de registro. Isso mesmo. De acordo com o artigo 18, para que o autor possa usufruir da proteção legal, basta que comprove , por qualquer meio, a sua autoria. O registro da obra não é fator que defini se o autor tem direito ou não, mesmo porque se este pode provar que sua autoria tem data que antecede ao registro,deixa de ter validade.
II – Temporariedade da obra: Segundo o artigo 41, o direito de explorar comercialmente sua obra em caráter exclusivo, dura por toda a vida do autor e mais 70 anos após a sua morte
Há muito mais a saber sobre os direitos autorais, portanto, se você é autor de alguma obra, procure se informar sobre seus direitos. Se perceber ou desconfiar que algo relacionado a seu direito pode ter sido violado, procure um advogado especialista em Direito Autoral. Só assim, poderá entender e cobrar justiça, se algum dia, precisar.

:: Wilton Bernardo
Artista visual, Designer Gráfico, Coordenador do Curso de Quadrinhos e Desenho Oficina HQ (Salvador-BA) @oficinahq e criador da marca Laço Afro @lacoafro
http://www.wiltonbernardo.com

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‘Turma da Mônica: Laços’ ganha vídeo dos bastidores

OK, se você vive ligado nas notícias em torno das UQ´s, deve estar cansado de saber que a publicação de 2015 “Turma da Mônica – Laços” está sendo adaptada para o cinema. Então, segue abaixo um vídeo dos bastidores. Se liga ai abaixo.
Link: http://cinepop.com.br/turma-da-monica-lacos-ganha-video-dos-bastidores-180395

Mas se isso tudo é novidade para você, sugiro que além de ver o vídeo de bastidores, veja os 2 parágrafos abaixo:


1 – História em Quadrinhos publicada em 2015!
Isso mesmo. Para quem não sabe, “Turma da Mônica – Laços” é um dos vários romances gráfico publicados em 2013 pela Panini Comics como parte do projeto Graphic MSP, que traz releituras dos personagens da Turma da Mônica sob a visão de artistas brasileiros dos mais variados estilos. É uma leitura deliciosa!
Sabe aquelas leituras que despertam emoção, nos fazem rir e encher os olhos de lágrimas?! Bom, comigo, pelo menos foi assim. Com toda a divergências dos personagens, quando, diante da dificuldade, a amizade se sobrepõe às diferenças, é incrível. Umas das melhores HQ´s que já li da turma da Mônica, se não a melhor. Enquanto o filme não sai, vai na livraria e adquire sua publicação!
Data da primeira publicação: 17 de julho de 2015
Para cada publicação idealizada, artistas diferentes foram convidados. E para “Laços” a missão ficou por conta dos irmãos Lu Cafaggi, Vitor Cafaggi
Editora: Panini Comics

2 – Como surgiu a parceria entre o diretor do filme, Daniel Rezende e o Mauricio de Sousa para realizar o filme?
Sou um adulto que leu os gibis do Mauricio quando criança e sempre me perguntei por que os personagens da Turma da Mônica nunca tiveram uma versão em filme. Quando li Laços, a graphic novel criada pelos irmãos Vitor e Lu Caffagi, é que tive o estalo de como eles poderiam ser de verdade e pensei em dar vida àquilo, já que este mundo fez parte da minha história pessoal desde a infância. Passei um ano correndo atrás disso quando, na Comic-Con, soube que o Maurício também tinha interesse e fui bater na porta dele para dar a ideia e me oferecer como diretor. Foi um casamento imediato.

:: Wilton Bernardo – Coordenador do Curso de Quadrinhos e Desenho Oficina HQ (Salvador-BA) @oficinahq e criador da marca Laço Afro @lacoafro
http://www.wiltonbernardo.com

Guerra Infinita estreia no Brasil em 26 de abril

Anthony Mackie, Robert Downey Jr., Chris Hemsworth e Scarlett Johansson em imagem promocional de Vingadores: Guerra Infinita.
Com Vingadores: Guerra Infinita, a Marvel Studios apresenta sua cartada mais ousada até então. O aguardado filme reúne dezenas de heróis que já apareceram nos 18 filmes do universo compartilhado criado pelo estúdio há uma década. Com mais de 70 personagens, o filme também marca a primeira vez em que Thanos, um dos maiores e mais destrutivos vilões do cânone da Marvel Comics, será o antagonista principal de um longa-metragem.

Que o filme dirigido pelos irmãos Anthony e Joe Russo é o mais ambicioso da Marvel até então, não há dúvidas. Entretanto, para o ator Anthony Mackie, o longa-metragem também é o “mais humano” da Marvel.

“Vingadores 3 será muito diferente e haverá diversos momentos chocantes. Eu acho que os fãs vão se surpreender com esse filme, com todos os personagens”, disse o ator que vive o Falcão no Universo Cinematográfico Marvel em entrevista para a Entertainment Tonight. “Eu acho que esse é o filme mais humano entre todos os filmes dos Vingadores, entre todos os filmes da Marvel. Então eu acho que você ficará realmente surpreso em ver o quão normal esses heróis podem ser.”

Junte a fala de Mackie com as cenas dramáticas do mais recente trailer de Vingadores: Guerra Infinita e com o fato de que Thanos não vem à Terra para brincadeira nos quadrinhos da Marvel e é impossível não pensar nas possíveis mortes de heróis no conflito. “Nós escolhemos contar uma história muito, muito interessante, que dá humanidade para todos os personagens”, contou o ator.

Além de heróis mais humanos — diante de suas próprias mortalidades ou impotentes por enfrentar um vilão tão poderoso —, o filme também terá um antagonista pelo qual o público poderá sentir “empatia as vezes”, garantiram os diretores.

Vingadores: Guerra Infinita estreia nos cinemas brasileiros no dia 26 de abril de 2018. Leia a sinopse oficial abaixo.

“Enquanto os Vingadores e seus aliados continuam protegendo o mundo de ameaças muito grandes que nenhum herói consegue enfrentar sozinho, um novo perigo surge das sombras do cosmo: Thanos. Um déspota com infâmia intergalática, sua meta é reunir as seis Joias do Infinito, artefatos de poder inimaginável, e usá-las para infligir sua vontade macabra em toda a realidade. Tudo pelo que os Vingadores lutaram levou a esse momento – e o destino da Terra e da própria existência nunca esteve tão incerto.”

Fonte: http://www.adorocinema.com

‘Façam quadrinhos’, diz autora de HQ que baseou filme vencedor de Cannes

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A francesa Julie Maroh, autora da história em quadrinhos que inspirou o filme “La vie d’Adele”, publicou, sem seu site oficial, uma mensagem sobre a Palma de Ouro concedida ao filme no festival de Cannes no domingo (26). Julie escreveu e desenhou em 2010 a HQ “Le bleu est une couleur chaude”, sobre o amor entre duas mulheres.
“Obrigada a todos por suas mensagens de hoje. Eu não tenho palavras para descrever a magnitude do que passei por algumas horas. Eu sei que muitos estão à espera de um comentário meu sobre o filme. Eu já vi duas vezes. Vou comentar mais tarde (…). Mas obrigada novamente. Façam história em quadrinhos, é legal”, recomendou Julie.
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“Clementine é uma estudante nova que parece ‘normal’ o suficiente: ela tem amigos, família, e até um namorado. Mas ela não consegue retribuir os sentimentos dele por ela, então termina o namoro. Quando sua melhor amiga a leva para um bar gay, ela fica atraída por Emma, uma garota com visual punk, confiante, com cabelo azul. O evento leva Clementine a descobrir novos aspectos dela, passionais e trágicos”, diz o texto de divulgação da edição em inglês do quadrinho.
Assim como a história em quadrinhos, o filme narra o despertar sexual e a paixão lésbica de uma adolescente por uma jovem de cabelos azuis. O filme ganhou o título em inglês de “Blue is the warmest colour”. Julie Maroh é creditada como roteirista do longa.
O prêmio ao filme sobre paixão lésbica foi concedido no mesmo dia de um novo evento em Paris organizado por opositores ao casamento gay, recém-autorizado na França.
O filme tem as cenas sexuais mais gráficas e apaixonadas entre duas mulheres já vistas em Cannes, de acordo com a agência de notícias France Presse.
“La vie d’Adele” usa recorrentes imagens em close-up dos lábios da atriz Adele Exarchopoulos, seja dormindo, comendo ou beijando sua parceira, interpretada por Lea Seydoux, numa técnica que cria uma ligação entre o espectador e a personagem.
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Kechiche disse, após a exibição do filme em Cannes, que não teve medo de retratar o amor entre duas mulheres, mas o que impactou e conquistou a crítica foi o retrato psicológico e emocional das protagonistas. Rodado em Lille, norte da França, o drama já teve os direitos vendidos para um distribuidor americano, apesar das três horas de duração.

O filme ainda não tem data para estrear no Brasil.

Fonte: G1

Em cartaz, Terapia de Risco.

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Sinopse e detalhes

(Não recomendado para menores de 14 anos)
A trama gira em torno da jovem Emily Hawkins (Rooney Mara), que acaba de ver o marido (Channing Tatum) ser libertado da prisão por um crime de colarinho branco. Mesmo aliviada, Emily tem crises de depressão e busca a ajuda de medicamentos prescritos para conter a ansiedade. Ela também busca amparo num tratamento psicológico, lidando com profissionais (Jude Law e Catherine Zeta-Jones). O tratamento, por mais que comece de forma positiva, vai gerar consequências inesperadas na vida da jovem.

Fonte: adorocinema.com

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O Homem de Aço: Confira novas fotos e detalhes sobre o filme

Nova edição da revista Entertainment Weekly traz imagens e informações sobre um dos principais lançamentos do próximo verão americano.

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O Homem de Aço é o grande destaque da edição desta semana da revista americana Entertainment Weekly. Além de trazer sete novas fotos, que você confere no final desta notícia, ainda trouxe detalhes sobre aquele que é um dos filmes mais aguardados da próxima temporada do verão americano.

Em conversa com o diretor Zack Snyder, o protagonista Henry Cavill e o roteirista David S. Goyer foi revelado que O Homem de Aço trará um perfil mais emocional do personagem. O longa-metragem acompanhará o Super-Homem desde seu nascimento em Krypton, quando será mostrado que, mesmo em seu planeta natal, ele era uma criança especial. Já na Terra, o jovem Clark aprendeu com os pais adotivos a esconder sua imensa força, mesmo em situações de emergência. O motivo é que nem todos o aceitariam como é, devido ao preconceito e o medo do diferente.

Como resultado, Clark Kent cresceu sentindo-se isolado e frustrado. “Apesar dele não ter as fragilidades físicas da humanidade, definitivamente ele está sujeito às fragilidades emocionais”, comentou o intérprete do herói, Henry Cavill.

Outra novidade veio de Zack Snyder, que revelou que não haverá kryptonita no filme. O diretor explicou que a pedra foi tão utilizada nos filmes anteriores do Super-Homem que ele e David S. Goyer acharam melhor retirá-la do filme.

Estrelado por Amy Adams, Russell Crowe, Kevin Costner, Diane Lane, Laurence Fishburne e Michael Shannon, O Homem de Aço tem estreia nos cinemas brasileiros agendada para 12 de julho.

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Fonte: Adorocinema

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Neill Blomkamp ainda se interessa pelo filme da série Halo

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Neil Blomkamp, diretor de “Distrito 9″ e do ainda inédito “Elysium“, continua interessado em fazer um filme do jogo Halo, mas apenas o faria se lhe fosse dado controle total do projeto. No entanto, entende-se que a Microsoft esteja sendo protetora em relação a Halo.

Blomkamp assinou, há cinco anos atrás, para fazer o filme juntamente com o Peter Jackson, mas o projeto desabou assim que a Microsoft ficou com os direitos do filme. Mas, apesar da ideia complexa de trabalhar num projeto como o Halo, Blomkamp continua aberto para o produzir.

“Eu continuo a amar o mundo, o universo e a mitologia do Halo“, disse ele ao IGN, “Se me fosse dado controle, eu adoraria fazer esse filme.”

E vocês, gostariam de ver a série da Microsoft virar filme, e se sim, concordam com a direção de Blomkamp?

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Fonte: games brasil

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Fúria de Titãs 2 embalado por Marylin Manson


Uma década depois de heroicamente derrotar o monstruoso Kraken, Perseu – o semideus filho de Zeus – está tentando viver uma vida tranquila como pescador em uma aldeia e como pai solteiro de seu filho de 10 anos, Helius. Enquanto isso, uma batalha entre deuses e Titãs pela supremacia tem início. Perigosamente enfraquecidos pela falta de devoção da humanidade, os deuses estão perdendo o controle dos Titãs encarcerados e de seu feroz líder, Kronos, pai dos irmãos Zeus, Hades e Poseidon.

O triunvirato havia derrotado seu poderoso pai há muito tempo atrás, deixando-o apodrecer no sombrio abismo do Tártaro, uma masmorra que fica nas profundezas do cavernoso submundo. Perseu não pode ignorar a sua verdadeira vocação quando Hades, junto com o filho divino de Zeus, Ares (Edgar Ramirez), quebra sua lealdade e faz um acordo com Kronos para capturar Zeus.

A força dos Titãs aumenta ainda mais quando os poderes divinos restantes de Zeus são desviados, e o inferno é desencadeado na terra. Ajudado pela guerreira Rainha Andromeda (Rosamund Pike), pelo filho semideus de Poseidon, Agenor (Toby Kebbell), e o deus caído Hefesto (Bill Nighy), Perseus bravamente embarca em uma perigosa busca no submundo para salvar Zeus, derrotar os Titãs e salvar a humanidade.
E a trilha sonora, tem a ótima música Sweet Dreams (versão de Marylin Manson) . Veja o trailler abaixo pra entrar no clima:

Se quiser curtir a música completa, segue abaixo:

Fonte: Cineinsite

Michelle Williams brilha em “Sete dias com Marilyn”

Atriz refinada nos detalhes, Michelle Williams não comete, em “Sete dias com Marilyn”, o erro de tentar imitar Marilyn Monroe – a deusa única e irrepetível, em sua beleza e destino trágico. Por isso, acerta em cheio na recriação do essencial desta personagem que ocupa há 50 anos o imaginário do público e os mais diversos espaços midiáticos com seu ícone imediatamente reconhecível, mas quase nunca decifrado. A atriz recebeu sua terceira indicação ao Oscar pelo papel.
Fora a delicadeza de nuances da interpretação de Michelle – cuja fragilidade física não sugeriria, à primeira vista, que desse conta de encarnar a carnalidade de Marilyn -, ajuda muito que a via de acesso à sua história tenha sido o livro de memórias de Colin Clark (1932-2002), “Minha Semana com Marilyn”. Jovem aristocrata, Colin (Eddie Redmayne) tirou a sorte grande, em seu primeiro trabalho profissional no cinema, ao receber como um presente do destino a missão de assistente pessoal da diva, em viagem à Inglaterra para atuar em “O Príncipe Encantado” (1957).

Combinando com fluência essas duas vertentes, a verdadeira incorporação da atriz por sua intérprete e o encantamento de seu jovem auxiliar, extraindo várias nuances de humor no meio do caminho, o filme do diretor e produtor britânico Simon Curtis contorna os clichês e se transforma numa jornada de redescoberta. Da história de Marilyn, de Colin e do próprio público, que pode sintonizar nas entrelinhas algumas emoções de um primeiro amor – como na sequência que apresenta uma travessura da estrela, escapando ao trabalho com o assistente, para uma divertida visita a uma escola, seguida por um mergulho num lago.

Outra nuance devidamente bem utilizada no roteiro de Adrian Hodges é a tensão do veterano ator Laurence Olivier (encarnado com cinismo histriônico por Kenneth Branagh) diante da diva, cuja exuberante sexualidade o desconcerta quase tanto quanto sua dificuldade em decorar as falas, o que atrasa perfidamente o cronograma da filmagem. Uma atração que a mulher de Olivier, Vivien Leigh (Julia Ormond), assiste cinicamente conformada.

A chave do filme é uma assumida dualidade. Em primeiro lugar, da própria Marilyn, devorada por uma insegurança atroz, que a levava a carregar por toda parte um séquito de supostos protetores, como sua coach de atuação, Paula Strasberg (Zoë Wanamaker). Essa divisão íntima da estrela despertava nas pessoas que a amavam a ilusão de que podiam salvá-la, que contagiou também o jovem Colin. Num segundo momento, essa ilusão sucumbia à assustadora constatação da ciranda infernal de emoções da atriz, um sentimento que afugentou seus maridos, como o dramaturgo Arthur Miller (Dougray Scott) – retratado no filme como um homem frio e distante – e o próprio Colin.

Com o encanto dos admiradores transformado em medo, Marilyn prosseguiu, entregue a uma apavorante solidão, aos próprios fantasmas e aos remédios que minaram sua resistência. A política, que pode ou não ter tido algum papel em sua morte precoce, em 1962, aos 36 anos, não é objeto deste ótimo filme, que aborda um outro tempo.

(Por Neusa Barbosa, do Cineweb)

Em cartaz documentário sobre Raul Seixas

Pai da contracultura brasileira, Raul Seixas, nascido em Salvador em 1945, cresceu apaixonado pelo rock’n’roll. Aficionado por cinema, inspirou-se em Elvis Presley e iniciou sua carreira imitando o ídolo com brilhantina no cabelo e gola da camisa levantada.

Sua morte, em 1989, deixou um grande legado de músicas que são relembradas ainda hoje ao redor de todo o Brasil pela aclamação “Toca Raul” e uma legião de fãs de várias gerações.

Vida, música e morte de Raul são agora tema do documentário Raul – O Início, o Fim e o Meio. Dirigido por Walter Carvalho (de Cazuza – O Tempo Não Para, em codireção com Sandra Werneck, eBudapeste, baseado em livro de Chico Buarque), estreou ontem (23 de março).

O filme traz depoimentos de familiares, amigos, mulheres e parceiros, além de contar com uma grande quantidade de imagens inéditas de arquivo.

Leia a seguir a entrevista exclusiva concedida por Walter Carvalho à revista CULT.

Raul Seixas

 

CULT – Qual é o diferencial de Raul Seixas no contexto da contracultura?

Walter Carvalho – Ele começou imitando Elvis Presley, do ponto de vista da intuição, não sei se tinha consciência disso. Mas estava sendo antropofágico, na medida em que pegava Elvis e misturava com Jackson do Pandeiro e Luiz Gonzaga. Esse cruzamento entre Jackson, Gonzaga e rock’n’roll cria uma antecipação: “Let Me Sing” é praticamente um baião.

Qual era a relação de Raul com o cinema?

Ele desenhava em cadernos histórias que eram verdadeiros storyboards. E lá escrevia: “Raul Seixas apresenta!”, “Raul Seixas produtor, diretor…”. Dizia também que seu sonho era fazer um filme em Hollywood, o que infelizmente não aconteceu, porque teria sido maravilhoso.

Acredito que esse aspecto viesse da admiração que tinha por Elvis Presley. Assistiu a Balada Sangrenta [Michael Curtiz, 1958, estrelado por Elvis] mais de 20 vezes: ele entrava no cinema e via o filme seguidamente, em todas as sessões. Além disso, tinha uns cadernos em que anotava os filmes a que assistia em Salvador, dando opiniões e impressões.

Raul afirma que foi para o Rio de Janeiro para lançar um tratado de filosofia metafísica. Você tem alguma informação sobre esse tratado?

Fui atrás disso, mas nunca vi, nunca encontrei. Tenho a impressão de que era mais uma lorota do Raul, uma provocação. Ninguém sabe se fez.

O que tem de filosofia metafísica na obra dele?

Vou te responder essa pergunta da seguinte forma: o filme passou na Mostra [Internacional] de São Paulo, em uma única sessão, e não estava concorrendo a nada. Quando terminou, um fã de Raul, um artista plástico popular da periferia de São Paulo, veio falar comigo e disse: “Gostei muito do seu filme, ele mexeu com a minha metafísica”. Achei essa frase sensacional.

Raul tinha era um discurso popular sofisticado, que se comunicava com o público. Tinha um viés acentuadamente popular, mas ao mesmo tempo era sofisticado na forma de dizer o que dizia, nos arranjos, no modo de cantar. Se há alguma metafísica nele, é por esse caminho.

Paulo Coelho foi o primeiro grande parceiro. Houve pontos negativos nessa parceria?

Como o próprio Paulo fala no filme, a parceria é como um casamento: na medida em que se consolida, sofre um fenômeno de entropia e se atrofia. Os conflitos começaram a vir à tona e deram na separação. Acredito que houve um desgaste entre eles, uma guerra de vaidades, de egos, uma saturação ao ponto de se separarem e ficarem anos sem se reencontrar.

Qual a razão para a decadência de sua carreira?

A boemia! A coisa que mais me impressionou desde que iniciei o projeto até quando terminei o filme foi o curto período de sua trajetória.

Entre 1972, quando surge, deixando de ser Raulzito da Bahia e passando a ser Raul Seixas no Rio de Janeiro, até morrer, em 1989, são aproximadamente 17 anos, do ponto de vista da ascensão e queda.

Nos últimos quatro anos não fez praticamente nada, ficou isolado, sem produzir, dedicou-se completamente ao vício etílico, à boemia, a ponto de não ter mais volta.

O último gesto dele foi quando Marcelo Nova o chamou para fazer uma participação em seu show. Acabou fazendo 50 shows, entre setembro e outubro de 1988, quando se encontra com Marcelo, e agosto de 1989. Morreu no primeiro final de semana em que não fez show.

Como você avalia a parceria com Marcelo Nova?

Marcelo era um admirador de Raul, o imitava quando mais novo, e os dois se conheceram quando convidados para um show no Circo Voador.

Acho que se tratava de um misto de admiração, carinho e, sem dúvida, uma atitude de quem queria dar uma oportunidade para que Raul saísse do buraco. Achou que aquilo estava movendo Raul, trazendo-o para o trabalho, mas diante de uma imagem de um Raul depauperado.

Então, o que nunca se poderá saber é se a atitude de Marcelo prolongou ou abreviou a vida de Raul. Concordo com Caetano, quando disse que não via um aproveitamento [de Raul] por parte de Marcelo Nova.

Por que Raul continua sendo lembrado e ouvido?

Acho que isso tem uma relação direta com o que fez na música. Ao mesmo tempo em que foi um grande comunicador, quem veio depois e continuou gravando [suas músicas], fazendo show, ouvindo a plateia sempre dizer o famoso “Toca Raul” contribuiu muito para que estivesse sempre presente.

Raul permaneceu porque sua obra foi maior que ele – a junção de letras inteligentes com apelo popular sofisticado e de alto nível.

Fonte: Revista Cult