Personagem de Quadrinhos x Possibilidade de sucesso

A Liga da Justiça


Faltando alguns dias para iniciar uma nova turma da Oficina de Quadrinhos – 22 de julho começa a nova Oficina de Quadrinhos no ateliê da Faculdade Ruy Barbosa, Salvador-BA -, decidi escrever este artigo, para dar uma “palhinha” do que discutiremos em sala, além das etapas de construção de uma história em Quadrinhos. Espero que seja proveitoso para você:

Possibilidade de sucesso
Quem não sonha em ver sua criação artística fazer sucesso? O fato é que já houve um tempo em que não se poderia imaginar as dimensões grandiosas de sucesso que um personagem de quadrinhos poderia alcançar. Imaginar que um personagem de tirinhas ou revistas em quadrinhos ganhariam sucessos arrebatadores em adaptações para games, virar garoto propaganda de campanhas publicitárias de grandes marcas e poder ganhar a indústria cinematográfica.
Apesar de não ser uma regra, o grande sucesso pode sim “abraçar” seu personagem. Antes de terminar este artigo, te pergunto: você está seguro sobre ter as rédeas do seu personagem? Entenda “rédeas” como noção de seus direitos autorais!


Histórias inusitadas de sucesso
Em 1962 uma agência de publicidade solicitou a um desenhista que ele criasse uma personagem para estrelar uma campanha publicitária. O nome da personagem deveria ter a sílaba “Ma” porque o patrocinador era Mansfiel. A campanha acabou não acontecendo, mas um diretor da agência ao assumir outro trabalho na imprensa, lembrou e solicitou a utilização da personagem que teve grande sucesso. Assim iniciou a história de sucesso da Mafalda, criação do Joaquín Salvador Lavado, o Quino.
No início da década de 1930 dois estudantes apaixonados por ficção científica se conhecem e no ano seguinte criam um personagem. Em meio a muitas revisões e mudanças de características desse personagem, batem em muitas portas e recebem muito “NÃO” antes da oportunidade que transformaria aquela criação numa das mais icônicas e rentáveis personagens do universo dos Quadrinhos – Superman! Jerry Siegel e Joe Shuster, os criadores do homem de aço jamais imaginavam o sucesso que este personagem alcançaria. Com certeza experimentaram a grande felicidade de ver sua cria ganhar o mundo, mas tiveram sérios problemas com direitos autorais por fazerem acordo que parecia realmente ser bom para eles. Mas isso, se o personagem não tivesse crescido tanto e se tornado o grande sucesso que é até hoje.

Direito autoral e falta de informação
Este é um assunto que gera muita discussão e falácia porque a grande parte das pessoas não conhecem as leis que defendem os direitos autorais, e por isso, acabam fazendo as vítimas se sentirem culpadas por conta dos desrespeitos aos seus direitos, causados por outros. EM situações assim os autores podem ser desencorajadas a lutar pelos seus direitos. Para perceber esse risco basta lembrar do que uma pessoa sempre pergunta ao saber que por exemplo, alguém utilizou seu personagem ou arte sem sua devida autorização: “e você registrou o personagem”?
Querendo ou não, ao lançar essa pergunta, o interlocutor praticamente está dizendo ao artista que teve seus direitos desrespeitados: “já que você não registrou sua criação, não reclame!”.
Mas este interlocutor está enganado e se baseia em “achismo”.

Entenda os seus direitos
A lei de direito autoral (9.610/98) protege qualquer criação do intelecto humano que não se caracteriza como elemento da propriedade industrial .
Os direitos autorais se dividem em direitos morais e direitos patrimoniais.
a) Direitos morais: Quanto a estes, são direitos perpétuos, inalienáveis e irrenunciáveis. Não se pode abrir mão nem vendê-los! E mesmo que o faça, não surtirá nenhum tipo de efeito juridicamente válido.
Duas das cláusulas referentes aos direitos morais defende que:
I – o direito de reivindicar, a qualquer tempo, a autoria da obra
II – O direito de ter seu nome, pseudônimo ou sinal convencional indicado ou anunciado, como sendo o do autor, na utilização de sua obra;
Há muitos outros itens e é importante se saber.

b) Direitos patrimoniais: Estes regulam a exploração econômica da obra. Já estes direitos pode ser vendidos, negociados, como o autor desejar. Cuidado!Pense duas vezes antes de fazer uma cessão de direitos sem prazo de validade no que diz respeito a exploração comercial. Hoje seu personagem pode ser anônimo e não render absolutamente nada, mas amanhã, ninguém sabe onde ele pode chegar!
E saiba que entre os itens que regem os direitos patrimoniais, é assegurado:
I – Dispensa de registro. Isso mesmo. De acordo com o artigo 18, para que o autor possa usufruir da proteção legal, basta que comprove , por qualquer meio, a sua autoria. O registro da obra não é fator que defini se o autor tem direito ou não, mesmo porque se este pode provar que sua autoria tem data que antecede ao registro,deixa de ter validade.

II – Temporariedade da obra: Segundo o artigo 41, o direito de explorar comercialmente sua obra em caráter exclusivo, dura por toda a vida do autor e mais 70 anos após a sua morte

Há muito mais a saber sobre os direitos autorais, portanto, se você é autor de alguma obra, procure ler sobre seus direitos. Só assim, poderá entender e cobrar justiça, se algum dia, precisar.

# Wilton Bernardo
Designer gráfico e artista visual; Professor do Curso de Quadrinhos Oficina HQ; designer idealizador da marca Laço Afro
http://www.wiltonbernardo.com | wiltonbernardo@hotmail.com

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Por quê se inscrever numa Oficina de Quadrinhos?

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“Um jovem com talento para fazer quadrinhos poderia se interessar em aprimorar um dom que possui até se sentir seguro e preparado para galgar uma oportunidade no competitivo mercado norte-americano. Quem sabe, pode conseguir desenhar para uma editora como Marvel, DC Comics e ganhar em dólar!”, poderia ser a resposta mais óbvia, certo?

Talvez eu mesmo tenha tido uma resposta parecida com a descrita acima, quando eu estava divulgando a primeira oficina de quadrinhos que ministraria, em setembro de 2003, exatamente 12 anos atrás.

A verdade é que a resposta que inicia este artigo está longe de esgotar o público tão diverso que minha Oficina de Quadrinhos atinge. Inclusive esta é uma das coisas mais interessantes da Oficina de Quadrinhos: o público tão diverso que atrai.

Profissionais de EAD para implementar a comunicação com os alunos inscritos no curso gerido pela empresa em que trabalham; uma pessoa aposentada precisando exercitar o punho com tempo livre; uma professora que gostaria de entender melhor a ferramenta das histórias em quadrinhos para realizar aulas mais interessantes; artistas plásticos que desejam dominar esta expressão. Jornalistas que desejam dominar e utilizar os quadrinhos como mais um suporte para o jornalismo. Acreditem. Todas as razões acima foram motivos que trouxeram dezenas de alunos para as diversas edições de oficina de quadrinhos, e eu poderia citar uma porção de outras razões.

Por isso, eu sempre digo às turmas que uma das melhores coisas que elas ganham ao participar da oficina é justamente uma turma de colegas (quem sabe futuros amigos) diversa, e por isso interessantíssima. Estimulo que aproveitem os contatos. Aquele é um legado fantástico para todos. Arquitetos, advogados, músicos, publicitários, psicólogos, professores, artistas plásticos, jornalistas. Reunir essas pessoas e poder dialogar com elas faz o conteúdo, as discussões e o convívio durante as 25h serem interessantíssimas. E ao final de cada aula, todos desejam fazer o ponteiro parar. O primeiro a desejar isso, com toda certeza sou eu.

:: Wilton Bernardo
Gestor da Oficina HQ – Ação Cultural

Participe: pesquisa sobre o mercado de quadrinhos

O Zap! HQ está realizando uma pesquisa sobre o mercado de quadrinhos no Brasil.
A pesquisa pode ser realizada com leitores ou não leitores e não solicita informações como nome, números de documentos etc.
O objetivo não é apenas conhecer melhor o perfil do leitor brasileiro, mas saber também por que as pessoas que não leem quadrinhos pararam de ler e nunca mais voltaram a ter o hábito, além de traçar o perfil delas.
Os resultados serão divulgados no próximo dia 18 de dezembro, para todos, a fim de que cada um – leitor, quadrinhista, editor ou qualquer outra pessoa interessada – possa interpretar esses dados e entender melhor o público brasileiro e, dessa forma, melhorar o mercado nacional.
Para participar, clique aqui.

Fonte: Universo HQ