MÓDULO 9: História e Roteiro

11/07/2020 | Etapas para desenvolvimento do roteiro:

Com este Módulo 9, eu chego ao final da proposta de publicar um Workshop Online para vocês, gratuitamente. Espero sinceramente que todo o conteúdo publicado aqui – módulo 1 ao módulo 9 – possa ter te ajudado a aprender um pouco mais sobre quadrinhos, a se estimular e produzir sua História em Quadrinhos. Confira este último conteúdo publicado E não deixe de clicar em ROTEIRO FINAL na etapa 5, para visualizar exemplo de roteiro:

1ª. Etapa:
IDÉIA – O motivo da escolha pode ser um fato que desperta o desejo em abordar um tema; uma necessidade; uma encomenda.

2ª. Etapa:
STORYLINE – Idéia da abordagem geral em aproximadamente 5 linhas.
Exemplo1: (Medéia) “Minha história conta o drama de uma mulher que mata 4 filhas e depois enlouquece.” É o enredo, a fofoca.
Exemplo2: (Hamlet) Era uma vez um príncipe cujo tio, para tomar o trono,
matou o rei, pai do príncipe; aí o príncipe entrou numa crise existencial,
matou uma porção de gente e acabou morto”

3ª. Etapa:
DESENVOLVIMENTO DO STORYLINE: ARGUMENTO (Texto sem preocupação com tempo e espaço). Você define: a história começa aqui, passa por ali, termina lá. É a história, o conteúdo com início, meio e fim.

4ª. Etapa:
FRAGMENTAÇÃO DO ARGUMENTO – Descrição onde cada cena contém a localização no tempo, no espaço e a ação.

5ª. Etapa:
1º. TRATAMENTO – Detalhes emocionais, diálogos, desenvolvimento e fechamento de cena.
O 1º. Tratamento significa o ROTEIRO FINAL sem revisão, correção ou ajuste. Ao clicar nas palavras ROTEIRO FINAL, você verá um arquivo PDF feito para lhe mostrar um exemplo de tirinha e do roteiro que deu origem à esta tirinha.

:: Wilton Bernardo
+ Coordenador e professor da Ação Cultural Oficina HQ
+ Criativo do Estúdio e produtos da Laço Afro
+ Graduado em Artes Visuais pela Universidade Federal da Bahia

MÓDULO 8 – Recursos narrativos

MÓDULO 8 – Recursos narrativos
por Wilton Bernardo

O que lhe vem em mente quando lê essas duas palavras? Recursos narrativos?
Se você já leu quadrinhos, já deve ter observado diversos recursos presentes e facilmente identificáveis numa página de HQ. Alguns desses recursos, você pode não saber dar nome ou saber explicar, mas muitas vezes sente. Afinal, numa história bem planejada, os recursos ali colocados, não foram gratuitamente. Para quem planejou e escreveu o roteiro, os elementos têm um sentido e ajudam a contar a história.
E para quem está começando a mergulhar nesse universo da construção de HQ, saiba que é importante quem vai pensar a distribuição das imagens nas páginas entender esses recursos. Para escrever o roteiro, é preciso que tanto o roteirista quanto o desenhista se entendam. Quando o roteirista escrever “personagem X num plano americano”, o desenhista precisa saber ou, se ao contrário, o desenhista sugerir “que tal colocarmos neste quadro o personagem X em plano médio”?
Boa leitura!

Segue abaixo alguns dos principais recursos narrativos e uma breve explicação:

a) Onomatopéias

Vocábulos que imitam sons naturais das coisas.
Exemplo:
Aaai! – grito de dor
Ah! – grito de surpresa, dor, medo, pavor ou descoberta
Ah! Ah! Ah! – risada ou gargalhada
Argh! – nojo
Atchim ou ahchoo! – espirro
Bah! – desagrado

b) Ritmo
A forma com que você vai contar a história, através das imagens que apresentará ao leitor define o ritmo (no que diz respeito a seqüência de imagens exibidas x quantidade de quadros).

O espaço de um quadro pra outro funciona para a HQ como o tempo funciona para o desenho animado. Assim, esteja atento aos cortes de uma cena pra a outra ou, pelo contrário, na forma lenta e detalhista que você usará (no que diz respeito a exibição de cada modificação na imagem de um quadro para outro).
Se um acontecimento dentro da sua história vai acontecer com muitos ou poucos quadros, isso tem um porquê. É o roteirista que dá esse ritmo, e vai valorizando ou não cada sequência, cada trecho da história.

c) Balões
Recurso marcante e inquestionável dos quadrinhos. Os balões são como o microfone ou a caixa de som dos personagens.

d) Legenda
Espaço do narrador, é usada para uma breve explicação ou para ganhar tempo e espaço dentro da história.

e) Planos quanto ao ângulo
e.1 – Plano plongé/ Superior – visão geral que serve pra dar impressão de encurralamento. Câmera posicionada no alto.
e.2 – Plano contra-plongé – Focaliza o personagem de baixo pra cima, exaltando-o, tornando-o maior do que é na realidade

f) Planos quanto ao enquadramento
Plano americano – Do joelho pra cima
Plano de conjunto – Personagem de corpo inteiro
Plano médio – Do abdômen pra cima

Agora sim! Após ler este conteúdo, já pode desenvolver sua história e terá uma linguagem técnica que já lhe possibilita escrever uma história! Mãos à obra!

Força e foco! Até o próximo MÓDULO!

:: Wilton Bernardo
+ Coordenador e professor da Ação Cultural Oficina HQ
+ Criativo do Estúdio e produtos da Laço Afro
+ Graduado em Artes Visuais pela Universidade Federal da Bahia

MÓDULO 7 – Storyline

26/06/2020 | Chegamos no módulo 7 do Workshop Virtual de HQ!
Se você quer mesmo produzir uma narrativa em Quadrinhos, já deve ter criado alguns personagens, certo?

Então, agora é hora de trabalhar a construção da história! Mas por onde começar?
Comecemos pelo Storyline.

Storyline
O Storyline é a síntese da história que desenvolveremos. Uma espécie de resumo que você deve escrever em 5 linhas. Nele registrará os acontecimentos mais relevantes. Esta síntese será seu guia na hora de desenvolver o argumento, para depois preparar o roteiro. Ela te ajudará a dar o começo meio e fim à sua história, te auxiliando na elaboração dos diálogos (posteriormente, pois agora, nada de pensar em diálogos), sem perder a noção de “elaboração do problema”, “valorização do problema”, e “desfecho para o problema”.

Ao elaborar o seu storyline, não se prenda a detalhes. O “close” em determinada cena, a roupa do personagem, o que o personagem vai falar pra o outro, se é manhã, tarde ou noite, o que o personagem está pensando…. definitivamente nada de detalhes. Ainda não é desenvolvimento de roteiro.

Antes mesmo de escrever o storyline, você precisa ter uma idéia: o que vai acontecer de fato? O que justifica essa história mesmo? Existe uma mensagem a ser apresentada através dessa história? Se você vai desenvolver uma aventura, drama, ação, então, como será? Que trama ? que acontecimento? Com que fato você vai apresentar essa história?

Alguém morre?

Alguém nasce?

Alguém salva algo ou alguém?

Alguém descobre algo de muito importante?

Vai haver uma grande disputa? De quê? Entre quem? Quem vai vencer?

O que vai acontecer? E o que seu personagem tem a ver com esse acontecimento?

Força e foco! Até o próximo MÓDULO!

:: Wilton Bernardo
+ Coordenador e professor da Ação Cultural Oficina HQ
+ Criativo do Estúdio e produtos da Laço Afro
+ Graduado em Artes Visuais pela Universidade Federal da Bahia

MÓDULO 5 – Criação de Personagem


MÓDULO 5 – Criação de Personagem

Antes de embarcarmos na aventura de criar um personagem, é importante que fiquemos atentos e sejamos o mais sinceros conosco, no momento em que pensaremos “tive uma ideia”. Sim, é possível sempre sermos criativos, e nos inspirarmos em coisas e fatos ao nosso redor. Na verdade, eu não vejo como criar sem termos como referência ou inspiração, a nossa própria cultura, a nossa história. Mas INSPIRAÇÃO precisa ser entendida como algo diferente de CÓPIA ou REPRESENTAÇÃO LITERAL.

Dois tópicos importantes:

a) originalidade.

Tudo bem que você é fã do Wolverine, por exemplo. Não adianta inventar um personagem com músculos, garras e o jeito grosseirão idênticos do seu personagem preferido batizando-o com outro nome, achando que isso resolve o problema da originalidade. O seu personagem precisa ter a sua própria história. Pode não ser tão dramática quanto a “origem” do Batman, o garoto que perdeu os pais ainda muito novo e cresceu cada vez mais traumatizado com a violência que sentiu na pele. O mais importante é que a origem do seu personagem não seja a cópia da história de outro. Tudo bem que coincidências aconteçam, mas não me venha dizer que seu personagem foi picado por uma aranha (Homem-Aranha) ou teve os pais assassinados num assalto quando ainda era um garotinho (Batman).

b) ser convincente.

Se seu personagem tem poderes ou não, é mortal ou não, isso não importa. Ele pode viver 1.000.000 de anos e não é isso que faz perder credibilidade. Ser convincente diz respeito à forma com que você levará essa informação pra o leitor que define isso. A forma com que você vai apresentar seu personagem. A situação, a ambientação. É preciso haver oportunidade do leitor conhecer o personagem vivendo as situações ao invés de criarmos dezenas de quadros somente pra ficar descrevendo as características do personagem e como ele é.
Claro que precisamos ter essa descrição definida, mas não precisamos jogar o texto diretamente assim nas histórias. Precisam vir num contexto, para o leitor ir “digerindo” dentro da trama.

Criação de Personagem

Para que o leitor possa se envolver com os personagens é essencial que estes possuam personalidades diversas e definidas, como ocorre na vida real com as pessoas.

Nunca bastará dizer ao leitor que determinado personagem é “isto” ou “aquilo”. Precisamos apresentar os personagens e suas características utilizando não apenas palavras, mas as ações, expressões demonstrando isso em seu próprio comportamento.
Para o leitor se convencer, “embarcar” na história, é preciso um clima lúdico, uma contextualização. Um personagem bem elaborado, bem definido, ajuda muito, por isso, antes de partir para escrever e desenhar as histórias, se empenhe em criar seus personagens. Após o primeiro momento de elaboração não tenha preguiça ou receio de rever, ajustar tanto detalhes no traço quanto nas características sociais e/ou psicológicas se achar necessário. Assim como para uma novela ou um filme, é importante que a história seja bem escrita; que os personagens sejam interessantes e diferentes um do outro. Vamos supor que você resolveu desenvolver 3 personagens: 3 garotos que vivem situações cotidianas no universo infantil. A trama acontece no universo deles e em cima de situações simples. Se um deles gosta de comer maçã, é melhor que o outro goste de outra fruta. E quem sabe pode ficar melhor ainda se o terceiro odiar maçã? Claro que não é uma regra. Isso apenas é para chamar a sua atenção para as diferenças necessárias e que realmente compõem a vida, fonte de inspiração de qualquer ficção.

As perguntas básicas que você deve responder (e desenhar) para criar o personagem:

Dados pessoais:
– Nome
– Apelido
– Idade (data de nascimento)

a) Características físicas (externas): altura, cor do cabelo, cor dos olhos, peso…
b) Características psicológicas (internas): motivação, ânimo, moral…
c) Características sociais (o que faz, como vive, estuda? Trabalha? Solteiro(a)? casado(a)? religião? Tem pais? Filhos? Formação?
d) Desenho do personagem

Vamos criar nossos personagens?!
Força e foco! Até o próximo MÓDULO!

:: Wilton Bernardo
+ Coordenador e professor da Ação Cultural Oficina HQ
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MÓDULO 4 – Desenho


Conhecendo e aceitando meu traço

Já escrevi várias questões em torno do desenho para vocês. Agora vamos partir para ações objetivas. Reflexão é importante e necessária, mas vocês também precisarão não só fazer atividades práticas, mas entender a importância dela. A importância de separar 30 minutos ou 1 hora de alguns duas para tal prática.

Vamos começar com algumas perguntas para vocês refletirem e conversarmos (podemos publicar nossas opiniões no POST do INSTAGRAM):

a) Você concorda que esboçar ou rascunhar algo é diferente de finalizar? Percebe que são 2 etapas diferentes que te exigem esforços ou empenhos diferentes?

b) É positivo variar o material utilizado nas diferentes etapas de construção de um desenho?

c) As formas geométricas podem nos ajudar no planejamento de um desenho?

Algumas citações

“Aprender a desenhar é realmente uma questão de aprender a ver – ver corretamente – o que implica muito mais do que ver apenas com os olhos”
Kimon Nicolaides (The Natural Way to Draw)

“O pintor pinta com os olhos, não com as mãos. O que quer que ele veja, se o vir com clareza, será capaz de pintar. O ato da pintura exige, talvez, muito cuidado e esforço, mas não mais agilidade muscular do que o artista necessita para escrever seu próprio nome. O importante é ver com clareza”.
Maurice Grosser (The Painter´s Eye)

Fonte das citações: livro “Desenhando com o Lado Direito do Cérebro” de Betty Edwards

EXERCÍCIO 1 – Na internet, selecione 3 fotos de pessoas em movimento (pode ser a mesma pessoa ou diferentes pessoas). O importante é que sejam movimentos diferentes. Exemplo: correndo, sentada no chão, na cadeira, dançando, etc.  Após selecionar (e salvar as imagens), observe atentamente o movimento do corpo na imagem, acompanhando com os olhos cada parte, cada detalhe. (Faça isso com uma image e siga os passos abaixo. Só depois você pega a segunda imagem e repete. Da mesma forma com a terceira).
Após sua atenta observação, desenhe num papel com linhas simples, representando a figura humana no mesmo movimento da foto.

Objetivo: Desenvolver sua percepção, bem como a prática de observar as coisas com atenção; praticar a elaboração/planejamento de desenho. (Não finalize o desenho. A atividade é realmente o esboço).

EXERCÍCIO 2 – Selecione um objeto para observar e representar.
Sugestão: uma fruta ou verdura como por exemplo um pimentão, um quiabo, algo que tenha curvas.

1- Se permita observar o objeto por pelo menos 5 minutos. Apenas observar as formas, curvas. Não se prenda ao significado simbólico do que você está observando. Se possível esqueça o nome. Direcione sua atenção apenas para as linhas que compõem seu objeto de observação.

2- Trace uma linha horizontal imaginária no objeto. Observe apenas a parte superior. Depois observe a parte inferior.

3- Trace uma linha vertical imaginária no objeto. Observe apenas o lado direito do objeto. Depois observe o lado esquerdo.

4- Observe a altura em relação ao cumprimento do objeto. Descubra alguma relação entre as medidas do objeto (medida vertical e horizontal). A altura é 2 vezes o comprimento? O que você pode concluir?

5- Agora que você já consegue relacionar as medidas básicas(citadas acima), pegue papel, lápis e borracha e vamos representar esta figura. Como começar? Trace no papel um espaço de acordo com as relação de medida descoberta por você. Por exemplo: Se você descobriu que a altura do objeto é a metade do comprimento, então trace um espaço no papel em branco estabelecendo o limite da altura do que você desenhará. Em seguida, estabeleça o limite horizontal seguinte: trace 2 vezes a medida na horizontal.

6- Agora, que você já delimitou o limite horizontal e vertical, será mais fácil representar o objeto, tendo maior facilidade. Agora, trace uma linha horizontal e vertical centralizados neste espaço delimitado por você, no papel.

7- Com atenção, agora, você irá representar as formas que observa do objeto, no papel, tendo os limites estabelecidos, a linha horizontal e vertical central, como guias.

8- Depois de representar as linhas do objeto, você pode avançar no exercício, agora observando as áreas escuras e claras. A incidência de luz e sombra no objeto. Com o próprio lápis, ou outro material de pintura, represente essas manchas que compõem a sombra do objeto. Atenção: sugiro que faça diversos exercícios, seguindo até o paço “7”. Só avance para o sombreamento, após perceber evolução na representação do objeto. Você pode variar o objeto observado, ou simplesmente variar a posição do mesmo objeto. Descobrirá formas inusitadas.

Dica: Quando você for desenhar algo ou alguém, coloque sua atenção naquilo como se talvez nunca mais você pudesse ter a chance de observar novamente.

Eu gostaria de ver esses dois exercícios. Há duas opções para isso: se você se inscreveu poderá me mostrar no grupo do Workshop (se você está acompanhando e não está no grupo, solicite pelo instagram do projeto @oficinahq). Outra opção é você publicar as produções no seu perfil do instagram e marcar @oficinahq. Assim poderei ver também. Você escolhe!

Até o próximo MÓDULO!


:: Wilton Bernardo

+ Coordenador e professor da Ação Cultural Oficina HQ
+ Criativo do Estúdio e produtos da Laço Afro
+ Graduado em Artes Visuais pela Universidade Federal da Bahia

Módulo 1 – SEGUNDA PARTE

Módulo 1 – SEGUNDA PARTE:
Antes de criar sua HQ ou um Personagem, aprecie criações de outros autores.

Pessoal,
Esta segunda parte eu considero importante existir por 2 razões que vou dizer de forma bem objetiva:

RAZÃO 1: Eu gosto de mostrar/ citar quadrinhos e personagens de variados estilos, variados traços para os alunos no início de uma Oficina ou Workshop que se propões a abordar as etapas de construção de uma HQ, como é nosso caso, agora. E fico feliz quando na lista, há personagens e histórias que tem desenhos que não são considerados “maravilhosos”. Por um motivo simples: Muitos alunos nas Oficinas de Quadrinhos que realizo, costumam atrelar “necessidade de desenhar maravilhosamente bem” com “poder colocar em prática a ideia de criar um personagem e uma história”. É importante entender seu traço, tentar se melhorar sempre. Mas é muito arriscando quando se coloca o trabalho de outra pessoa bem sucedida como parâmetro para se achar pronto o suficiente para produzir. Um desenho “lindo” não garante uma história de quadrinhos ou mesmo um personagem de sucesso.

RAZÃO 2: É importante termos referência sobre aquilo que desejamos produzir (Não é para copiar nem necessariamente se inspirar). É ter um repertório de informação, ver possibilidades, apreciar. Se você quer ser músico, por exemplo, não tem como aprender, e se desenvolver sem apreciar músicas, conhecer trabalhos de outros músicos. Se quer dirigir um filme, não faz sentido você se lançar nessa maravilhosa produção sem conhecer outros diretores, e obras feitas por estes.
Vocês podem se perguntar se conhece alguém que produz algo sem se permitir conhecer produções de outros profissionais desta mesma linguagem artística, considerando que o exemplo seja na área de artes.
Eu arrisco dizer uma coisa: É possível sim, uma pessoas que tentam produzir sem conhecer outras obras daquela linguagem sobre a qual quer produzir. Mas o resultado pode ser extremamente fraco, com falhas técnicas primárias. Nós não somos uma ilha e a produção de narrativas gráficas existe há muitos anos. Então, não tem cabimento uma pessoa partir para criar um personagem, uma história em quadrinhos, sem ter lido outras.

E digo mais, meu amigo(a), tente analisar um pouco mais os personagens ou histórias que lhe interessam. Gostou do personagem? Então se arrisque se perguntar: O que me fez gostar dele? Que características mais me interessou nesse personagem? O exercício dessa reflexão vai lhe ajudar a fazer definições futuras sobre o seu personagem.

Nas aulas presenciais eu costumo levar algumas publicações e até alguns arquivos e mostrar. Converso com a turma sobre algumas produções. Assim, alguns podem escolher pesquisar ou comprar uma produção que lhe desperta. Agora, como estamos em quarentena, não tenho o menor interesse em fazer vocês saírem de casa atrás de quadrinho.

ALGUNS TRABALHOS
Por isso antes de publicar a TERCEIRA PARTE do Módulo 1, vou fazer algumas postagens com sugestão de obras (quadrinhos e animes, alguns de acesso gratuito na web, outros não). Claro que alguns de vocês já devem ter personagens que gostam, e produções que acharam interessante. Então, para quem não faz uma leitura de quadrinhos ou não sente que conhece algum personagem o suficiente a ponto de falar sobre ele, de identificar características sociais e psicológicas deste, vale a pena ler o breve comentário e escolher algum(uns) trabalhos para ler ou assistir.
E se você costuma ler muito ou assistir muito apenas um tema, que tal se permitir conhecer algo que possa te interessar, de um estilo diferente do que está habituado?

:: Wilton Bernardo
+ Coordenador e professor da Ação Cultural Oficina HQ
+ Criativo do Estúdio Laço Afro
+ Graduado em Artes Visuais pela Universidade Federal da Bahia
http://www.lacoafro.com
@oficinahq
@lacoafro

15 de abril, Dia do Desenhista!

Parabéns Desenhistas!
É importante reconhecer a grande importância do desenhista numa sociedade capitalista, consumista e em constante mutação como a nossa!
O desenhista na sociedade moderna está onde? Não me canso de fazer essa provocação, para que possamos perceber que ele está em TUDO!

WORKSHOP VIRTUAL DE HQ
Já viram a primeira parte do MÓDULO 1, conteúdo referente ao WORKSHOP GRATUITO que estou oferecendo pra vocês?
Serão textos, imagens e vídeos, ok?

REPITO: O acesso ao conteúdo será livre, mas com inscrição você pode receber convites para uma videoconferência, por exemplo, receber algum material específico e também o certificado que será oferecido pelo Centro Universitário UniRuy|Wyden!

ATENÇÃO: Se ainda não se inscreveu, Veja a primeira postagem com descrição dos assuntos abordados por Módulo, e dados para inscrição por email. Abraço!

:: Wilton Bernardo
+ Coordenador e professor da Ação Cultural Oficina HQ
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Death Note de volta!

Death Note – Ryuk ressurge na capa da continuação

O capítulo inédito de Death Note ganhou sua capa oficial (via Crunchyroll). A ilustração, que estampa a edição de fevereiro da revista Jump SQ, mostra o shinigami Ryuk ao lado de um garoto misterioso e uma maçã.
O mangá Death Note, da dupla Tsugumi Oba e Takeshi Obata, foi publicado originalmente no Japão na revista mensal Shonen Jump entre 2003 e 2006, gerando depois 12 volumes encadernados, publicados no Brasil pela editora JBC, além de adaptações a outras mídias.

A publicação da Jump SQ, que contará com a nova história de Death Note, será lançada em 4 de fevereiro.

O QUE ESPERAR
Até o momento sabemos que o novo capítulo de Death Note terá quase 90 páginas e contará uma história ambientada anos depois do final do mangá original. Precisaremos esquecer de vez Light ou o detetive L, afinal a história mostrará o shinigami Ryuk deixando seu caderno macabro com outra pessoa. Criar uma história com novos personagens é uma boa saída para a série, afinal Death Note tem características capazes de permitir outras pessoas terem contato com o caderno da morte. Curiosamente, essa novidade na franquia não é a primeira história de Death Note não-protagonizada pelo Light ou pelo detetive L.

AS OUTRAS HISTÓRIAS DE DEATH NOTE
A primeira história ambientada no universo de Death Note é o capítulo-piloto, publicado originalmente em 2003 na revista Shonen Jump e posteriormente incorporado ao Death Note – How To Read (uma enciclopédia compilando dados e entrevistas com os artistas do mangá). Esse episódio teve uma repercussão muito positiva entre os leitores da Shonen Jump e por isso a série foi aprovada na revista (com algumas mudanças).
Nessa primeira história, Ryuk entregava o caderno da morte para uma criança de 13 anos, que usa os poderes do caderno acidentalmente por não saber que “death” significa morte em inglês. Essa primeira versão de Death Note era menos sinistra em comparação a oficial, até por ter um protagonista mais novo que o Light Yagami. A história ainda incluía um item “retirado” das histórias subsequentes: a death eraser, uma borracha capaz de apagar os nomes do Death Note e fazer com que as pessoas ressuscitassem. Na versão oficial, se o nome estiver escrito no caderno não tem mais jeito, já pode encomendar o caixão.
Já a segunda história ambientada no universo de Death Note foi um capítulo especial, considerado o 109º do mangá (que encerrou com 108 capítulos). Nele acompanhamos Near, o maior detetive vivo do planeta, precisando investigar um novo Kira. Esse capítulo extra foi lançado em 2008 como forma de promover o filme L: Change the World, ou seja, é repleto de cenas com L surgindo em flashbacks e, de certa forma, aconselhando Near a resolver o mistério.

Para acompanhar Death Note aqui no Brasil é muito fácil. A Netflix tem em seu catálogo o anime original, os três filmes japoneses e o (criticado) longa-metragem americano, tudo com opção de dublagem em português ou áudio original. Já o mangá foi publicado totalmente pela Editora JBC, que trouxe também o Death Note – How To Read e os livros. Ainda não há planos para a publicação do capítulo extra.

Fonte: Omelete.com.br

:: Wilton Bernardo
Coordenador e professor da Ação Cultural Oficina HQ
@oficinahq

Quanto você cobra pra criar um personagem?

É preciso ter muito cuidado diante de uma pergunta ou proposta relacionado a criação de personagem. Essa é uma das perguntas mais perigosas para quem não sabe o que pode significar dar vida a um personagem. Eu me coço todo só de pensar em ouvir de novo essa pergunta. As vezes, é melhor não fazer, dependendo da propostas de quem faz essa pergunta.
Primeira lição: É preciso entender que conceber um personagem não é a mesma coisa que conceber um desenho. Você precisa ter a noção do valor da criatividade entre tantas outros atributos que hoje se celebra em empreendedores. E é bom saber que, você não vai poder esperar que seu cliente, ou um empresário interessado em seu trabalho lhe diga quanto vale ou quão importante é sua criatividade. Não posso generalizar, mas dificilmente alguém valoriza aquilo que não conhece ou não tem. Portanto, cuidado, cuidado e cuidado!

Durante a Oficina de Quadrinhos que atualmente tem inscrições abertas, muito além de orientar sobre as etapas de construção de uma HQ, considero extremamente importante abordar assuntos como esse. Não adianta se preparar tanto, se esforçar pra poder criar, fazer um trabalho de narrativa, de desenho, de arte super bem, e na hora de valorizar seu trabalho, ficar perdido ou esperar que o cliente diga quanto vale, e como será a negociação.

A criação do personagem Superman é atribuída ao roteirista Jerry Siegel e ao desenhista Joe Shuster. Embora o personagem tenha sido publicado oficialmente em 1938, na primeira edição da revista americana Action Comics, pela então “National Publications”, editora que viria a ser conhecida posteriormente como “DC Comics”, ele havia sido concebido pela dupla cerca de cinco anos antes. A dupla teve sérios problemas com os direitos autorais ao assinarem um contrato ingênuo e despretensioso por um personagem que levanta centenas de milhões de dólares. Resultado: uma briga judicial que durou décadas. Pesquiso sobre isso!

MUITOS AUTORES E MUITOS EXEMPLOS
Antes de tudo, é importante você ter consciência de que muitos autores(inclusive, famosos), já passaram por experiência traumáticas, grandes lições estão ai para que você não repita o erro que outros já cometeram ou não caia em armadilhas que outros já caíram.
A dica que lhe dou é:
a) Se você tem dúvidas sobre o peso da criatividade para um projeto empreendedor, se pergunte o seguinte: sem dinheiro, mas com uma ideia realmente criativa, é possível empreender? A resposta é sim! E com dinheiro mas sem nenhuma ideia?
b) Antes de você responder a um cliente, quanto cobra pra criar um personagem, você sabe o esse personagem pode render? O grau de exposição que este personagem vai ser posto, e quando ou por quanto tempo ele vai refletir geração de vendas e lucro? Já refletiu sobre a grande possibilidade do personagem fazer sucesso e virar uma “galinha dos ovos de ouro”? Se você não consegue organizar as ideias e entender sozinho o que esse personagem concebido pode significar economicamente, você tem 2 alternativas (mas pode escolher as duas se quiser! Rsrs):

PRIMEIRA: Assista pelo menos 2 files: “Disney antes do Mickey” e “Fome de Poder”. Em ambos os filmes – apesar do segundo filme não se dar no universo de personagens, é muito fácil perceber a importância da criatividade, ainda que o protagonista esteja o tempo todo tentando fazer uma lavagem cerebral em quem assiste a película repetindo o tempo todo a importância de “persistir”. Nada contra a persistência, mas a criatividade, ainda que não celebrada, tem um valor inestimável. Outra: Persistir em algo que não dá certo pode lhe dar alguma experiência, mas experiência não significa necessariamente que seu investimento lhe renderá sucesso e lucro. E digo mais! Te dou uma barra de chocolate se você me disser porque a criatividade não é tão valorizada, respeitada e bem remunerada (pelo menos aqui no Brasil).

SEGUNDA: Se inscreva na Oficina de histórias em Quadrinhos! Srsrsrs brincadeiras e “merchan” à parte. Até hoje não vi em nenhum lugar se chamar tanto a atenção dos alunos sobre a importância de se entender e ter atenção sobre seus direitos autorais. Sobre pensar que nem toda negociação ou parceria precisa ser a base de uma venda simplesmente, como fazemos na Oficina de Quadrinhos que realizo. Há coisas que podem valer a pena se pensar em acordos que envolve percentuais, períodos! Pode ser prudente o estabelecimento de cláusulas que garanta que ninguém vai ser explorado ou desvalorizado (pra não dizer roubado) por ninguém.

Pesquise, leia. Há muitas questões que exigem entender sobre os direitos autorais. Você sabe o que aconteceu com a criação do Super man? Sabe o que os criadores do personagem passaram? Pesquise! Se informe, mas se você é criativo, arregace as mangas e crie, mas não esqueça de lembrar que o autor de uma obra, não deixa de ser autor, por mais grana que esteja envolvida. Como diz a velha frase “Não entregue o seu ouro ao bandido”!

Exposição “A Vez dos Vilões” e Oficina de Quadrinhos!


08/09/19 – Inscrições abertas
A Ação Cultural Oficina HQ coordenada por Wilton Bernardo tem inscrições abertas para 2 eventos que trazem uma injeção de cultura, arte e educação: A Mostra online “A Vez dos Vilões” e a Oficina de Quadrinhos para Adolescentes e adultos na UniRuy a partir de 14/09/19!

1 – “A VEZ DOS VILÕES” – 2ª Mostra Online de ilustrações e caricaturas – a partir de 13 de outubro de 2019, no instagram oficial da Oficina HQ (@oficinahq).
Assim como a 1ª edição realizada em 2008, nesta segunda, vamos mostrar os vilões que amamos odiar na ficção!
O objetivo é homenagear os personagens que de um jeito ou de outro, ditam o desafio dos “bons mocinhos”. Vale participar com Ilustração ou Caricaturas de qualquer vilão! Seja Coringa, Gargamel, Darth Vader, Mumm-Ha, Cuca do Sítio do Pica-Pau Amarelo, Odete Hoitman entre muitos outros. Cada ilustrador escolhe os personagens que deseja representar, desde que seja(m) vilão(ões)!

1.1 – INSCRIÇÃO: envie seu trabalho até 30/09/19 para oficinahq@hotmail.com informando:
1.1.a. Especificações técnicas: versão digital em qualquer técnica, mas com resolução (200 a 300 dpi, com pelo menos 20cm de altura) em jpg ou PDF.
1.1.b. Quantidade: até 3 trabalhos
1.1.c. Dados do Autor: No corpo do email, junto com o(s) trabalho, envie as seguintes informações:
– Nome completo
– Nome artístico
– Cidade/Estado onde vive
– Nome do(s) vilão(ões) e técnica utilizada
– Breve resumo (aproximadamente 10 linhas no máximo falando sobre sua experiência e relação com as artes gráficas, atuação profissional. Resumindo, é o momento de fazer sua “divulgação”).

A inscrição, com o envio do(s) trabalho(s) e as informações acima, automaticamente significam que o inscrito concorda que Wilton Bernardo, realizadora da exposição, através da Ação Cultural Oficina HQ, divulgue o seu trabalho nas redes sociais e veículos de comunicação, com fins de promoção da mostra.

2 – OFICINA DE QUADRINHOS – para adolescentes e adultos no Centro Universitário UniRuy
Para os adolescentes (a partir de 14 anos) e profissionais das mais variadas áreas que se interessam por quadrinhos – professores, publicitários, jornalistas, artistas visuais, arquitetos entre outros – a última oficina do ano vai oferecer um conteúdo mais que especial. Além de experimentar as etapas de construção de uma HQ – desenho, criação de personagem, Introdução a pintura digital, roteiro, storyline, storyboard, recursos narrativos – sob orientação teórica e prática de Wilton Bernardo, artista visual e designer gráfico, na programação, há uma lista de temas riquíssimos que serão discutidos em sala de aula – “mercado e produção artística na atualidade”, “Direito Autoral” e “Produção autoral de quadrinhos e literatura”.

As etapas de construção de uma HQ bem como os temas que serão discutidos e serão incorporados ao cronograma da Oficina oficialmente pela primeira vez, é um conteúdo exclusivo desenvolvido por Wilton Bernardo, há 16 anos, desenvolvendo esta Ação Cultural que além de Mostras de Filmes e Oficinas, realizou dezenas de exposições coletivas – “Releitura do Batman”, “75 anos do Homem-Aranha”, “Releitura do Superman, “Ícones POP”, “Ícones POP da Música, “Ícones POP do Futebol”, “Axé Comics – Mostra de Humor com Sotaque Baiano”, entre várias outras.

Início da Oficina: 14/09/19
Local: Centro Universitário UniRuy, Salvador-BA
Horário: 10h às 12h (8 sábados)
Investimento: R$ 2 x R$ 260 ou 1 x R$ 520

Informações e inscrições:
Tel e zap: 71 99305-9093 (Wilton Bernardo)
Instagram: @oficinahq
Email: oficinahq@hotmail.com
Blog:oficinahq.wordpress.com

:: Wilton Bernardo
Artista visual graduado pela UFBA, Designer gráfico, produtor cultural e cartunista.
Site: http://www.wiltonbernardo.com
Instagram: @wilton_bernardo