Quanto você cobra pra criar um personagem?

É preciso ter muito cuidado diante de uma pergunta ou proposta relacionado a criação de personagem. Essa é uma das perguntas mais perigosas para quem não sabe o que pode significar dar vida a um personagem. Eu me coço todo só de pensar em ouvir de novo essa pergunta. As vezes, é melhor não fazer, dependendo da propostas de quem faz essa pergunta.
Primeira lição: É preciso entender que conceber um personagem não é a mesma coisa que conceber um desenho. Você precisa ter a noção do valor da criatividade entre tantas outros atributos que hoje se celebra em empreendedores. E é bom saber que, você não vai poder esperar que seu cliente, ou um empresário interessado em seu trabalho lhe diga quanto vale ou quão importante é sua criatividade. Não posso generalizar, mas dificilmente alguém valoriza aquilo que não conhece ou não tem. Portanto, cuidado, cuidado e cuidado!

Durante a Oficina de Quadrinhos que atualmente tem inscrições abertas, muito além de orientar sobre as etapas de construção de uma HQ, considero extremamente importante abordar assuntos como esse. Não adianta se preparar tanto, se esforçar pra poder criar, fazer um trabalho de narrativa, de desenho, de arte super bem, e na hora de valorizar seu trabalho, ficar perdido ou esperar que o cliente diga quanto vale, e como será a negociação.

A criação do personagem Superman é atribuída ao roteirista Jerry Siegel e ao desenhista Joe Shuster. Embora o personagem tenha sido publicado oficialmente em 1938, na primeira edição da revista americana Action Comics, pela então “National Publications”, editora que viria a ser conhecida posteriormente como “DC Comics”, ele havia sido concebido pela dupla cerca de cinco anos antes. A dupla teve sérios problemas com os direitos autorais ao assinarem um contrato ingênuo e despretensioso por um personagem que levanta centenas de milhões de dólares. Resultado: uma briga judicial que durou décadas. Pesquiso sobre isso!

MUITOS AUTORES E MUITOS EXEMPLOS
Antes de tudo, é importante você ter consciência de que muitos autores(inclusive, famosos), já passaram por experiência traumáticas, grandes lições estão ai para que você não repita o erro que outros já cometeram ou não caia em armadilhas que outros já caíram.
A dica que lhe dou é:
a) Se você tem dúvidas sobre o peso da criatividade para um projeto empreendedor, se pergunte o seguinte: sem dinheiro, mas com uma ideia realmente criativa, é possível empreender? A resposta é sim! E com dinheiro mas sem nenhuma ideia?
b) Antes de você responder a um cliente, quanto cobra pra criar um personagem, você sabe o esse personagem pode render? O grau de exposição que este personagem vai ser posto, e quando ou por quanto tempo ele vai refletir geração de vendas e lucro? Já refletiu sobre a grande possibilidade do personagem fazer sucesso e virar uma “galinha dos ovos de ouro”? Se você não consegue organizar as ideias e entender sozinho o que esse personagem concebido pode significar economicamente, você tem 2 alternativas (mas pode escolher as duas se quiser! Rsrs):

PRIMEIRA: Assista pelo menos 2 files: “Disney antes do Mickey” e “Fome de Poder”. Em ambos os filmes – apesar do segundo filme não se dar no universo de personagens, é muito fácil perceber a importância da criatividade, ainda que o protagonista esteja o tempo todo tentando fazer uma lavagem cerebral em quem assiste a película repetindo o tempo todo a importância de “persistir”. Nada contra a persistência, mas a criatividade, ainda que não celebrada, tem um valor inestimável. Outra: Persistir em algo que não dá certo pode lhe dar alguma experiência, mas experiência não significa necessariamente que seu investimento lhe renderá sucesso e lucro. E digo mais! Te dou uma barra de chocolate se você me disser porque a criatividade não é tão valorizada, respeitada e bem remunerada (pelo menos aqui no Brasil).

SEGUNDA: Se inscreva na Oficina de histórias em Quadrinhos! Srsrsrs brincadeiras e “merchan” à parte. Até hoje não vi em nenhum lugar se chamar tanto a atenção dos alunos sobre a importância de se entender e ter atenção sobre seus direitos autorais. Sobre pensar que nem toda negociação ou parceria precisa ser a base de uma venda simplesmente, como fazemos na Oficina de Quadrinhos que realizo. Há coisas que podem valer a pena se pensar em acordos que envolve percentuais, períodos! Pode ser prudente o estabelecimento de cláusulas que garanta que ninguém vai ser explorado ou desvalorizado (pra não dizer roubado) por ninguém.

Pesquise, leia. Há muitas questões que exigem entender sobre os direitos autorais. Você sabe o que aconteceu com a criação do Super man? Sabe o que os criadores do personagem passaram? Pesquise! Se informe, mas se você é criativo, arregace as mangas e crie, mas não esqueça de lembrar que o autor de uma obra, não deixa de ser autor, por mais grana que esteja envolvida. Como diz a velha frase “Não entregue o seu ouro ao bandido”!

Criação de Personagem e Direito Autoral – analisando o Superman


Hoje vou falar um pouco sobre criação de personagem e direito autoral. Esse é um assunto muito importante. Afinal, não basta ser criativo, talentoso. É importante entender o que lhe cabe, a importância de se criar um personagem e o que significa “um personagem” nos dias de hoje.
Um personagem nascido de um desenho, pode ganhar o mundo. Um mundo de suportes como cadernos, roupas, produtos decorativos, brinquedos, jogos, além de ser garoto propagada de inúmeras marcas, e ganhar telas de cinema. Não há limites para os personagens.

Aproveitando o clima das aulas da Oficina HQ sobre Criação de Personagem – acontecendo desde o sábado passado, 11/05/19, no Museu Carlos Costa Pinto para a garotada e no Centro Universitário UniRuy, para adolescentes e adultos, vamos abordar alguns personagens e seus criadores!
Por onde começar? Claro que começaremos por ele o Superman. Sabe por quê?

CRIADORES DO SUPERMAN
Segundo o Roberto Guedes, em sua matéria para a revista Mundo dos Super heróis, até junho de 1938 as revistas em quadrinhos não existiam de verdade, eram quase sempre apáticas republicações de tiras de jornal. Mas depois de Action Comics 1 em que estampava o Superman na capa – 1ª aparição do personagem -, artistas talentosos e diversos personagens que surgiram em seguida, ajudaram a criar uma indústria bilionária!
É claro que sem investimentos, não há retorno. Mas em terreno de gente que valoriza a criatividade e o talento, se dá a Cesar o que é de Cesar! Aqui, no Blog do Curso de Quadrinhos Oficina HQ, reverenciamos, sem sombra de dúvidas, os criadores do Superman: Jerry Siegel e Joe Shuster e reconhecemos que se por um lado, sem altos investimentos, não se lucra alto, por outro lado, sem criatividade, sem a criação, não se tem no que investir, afinal dinheiro se consegue, financiamentos, empréstimos, economia pode-se fazer, mas criar, amigos, vamos reconhecer, não tem como negociar isso. Principalmente numa sociedade como a que vivemos onde a capacidade de se reproduzir o que se cria é enorme, o valor de uma mente criativa, é inestimável.

DESENHISTAS DIVERSOS
Ed McGuinness, José Luis Garcia-López, Wayne Boring, John Byrne, Alex Ross, Frank Quitely, Dan Jurgens, Max Fleischer e Curt Swan. Sabe o que todos estes nomes têm em comum? Todos eles desenharam o Supermam, em algum período de sua longa trajetória. E não pense que citei todos! A lista é enorme!!!! Mas fiz questão de citar alguns nomes para chamar atenção a uma coisa que deveria ser óbvia, mas tenho visto que não é: O fato de dezenas de outros desenhistas terem trabalhado com o personagem, cada artista com seu estilo, seu traço, sua forma específica de produzir sua representação gráfica do personagem, não muda em absolutamente nada os direitos e créditos dos autores Jerry Siegel e Joe Shuster. É muito simples entender. Pense numa música criada por determinado artista. Muitos artitas poderão cantar esta mesma música, mas o autor, não continua sendo o mesmo? Pois bem! Uma vez autor, sempre autor.
A exploração comercial pode até ser negociada, mas o autor, jamais deixa de ser autor de uma obra que desenvolveu. Não esqueça jamais disso.

Confira abaixo algumas versões do Superman por diferentes artistas:

Superman por Alex Ross

Superman por Frank Quitely

Superman por Joe Shuster, co-criador do personagem, em parceria com Jerry Siegel

:: Wilton Bernardo (@wilton_bernardo) é artista visual, criador da Ação Cultural Oficina HQ (@oficinahq) e criador da Marca Laço Afro (@lacoafro)
http://www.wiltonbernardo.com

Inscrições abertas para curso de quadrinhos com Wilton Bernardo


A Oficina HQ, comandada pelo artista visual Wilton Bernardo, está com inscrições abertas para a formação das turmas do seu reconhecido curso de quadrinhos. Previstas para iniciar em 6 de abril, as aulas acontecem no Museu Carlos Costa Pinto e no Centro Universitário UniRuy, instituições parceiras do projeto que contempla adultos e crianças a partir de 8 anos de idade.
“São 16 anos à frente dessa iniciativa e, nesta edição, uma das novidades é para a turma das crianças entre 8 e 12 anos. Agora, além de desenhar e criar personagens, haverá um leque de conteúdos e atividades que estimularão a leitura, a produção textual e maior entendimento sobre os recursos narrativos para que, de forma lúdica, os alunos experimentem a construção de uma história em quadrinhos” explica Wilton. São 8 encontros que acontecem no Museu Carlos Costa Pinto, sempre nos sábados à tarde, das 15h às 17h.

Já para os adolescentes (a partir de 14 anos) e adultos serão 12 aulas, todas no Centro Universitário UniRuy e também aos sábados, porém pela manhã. Nessa turma o que há de novo é o conteúdo de introdução à pintura digital com Photoshop e tablet em 3 encontros, além de recursos narrativos, roteiro, storyboard, storyline, desenho, simbologia de cores e criação de personagens.
Os interessados em fazer a inscrição ou saber mais informações sobre o curso, podem entrar em contato através do telefone (71) 99305- 9093, do Instagram @oficinahq ou pelo e-mail oficinahq@hotmail.com.

OS PARCEIROS
A Centro Universitário UniRuy busca em sua essência empoderar seus alunos para alcançarem seus objetivos de carreira e pessoais. Pensando nisso a coordenação dos cursos de Publicidade e Propaganda, Design Gráfico, Design de Produto e Design de Interiores da Ruy se unem no apoio a este projeto através do coordenador e professor José Wilker M. Araújo (email: Jose.araujo@frb.edu.br).

O Museu Carlos Costa Pinto reúne no seu acervo de artes decorativas, dos séculos XVII ao início do XX, um verdadeiro testemunho dos valores artísticos e culturais da Bahia Colonial e Imperial. Além da exposição do seu inestimável acervo, promove exposições temporárias, desenvolve intensa programação cultural e possui um atuante serviço educativo, realizando visitas orientadas e oficinas de arte para estudantes e grupos diversos (email: educativo@museucostapinto.com.br)

Serviço: Curso de Quadrinhos

a) Turma do Centro Universitário UniRuy: para adolescentes(a partir de 14 anos) e adultos
Local: Avenida Luis Viana Filho, 3.230, Paralela, Salvador-BA
Horário: 9:30h às 11:30h
Período: 06/04 a 22/06/2019 (12 encontros)
Investimento: R$ 3 x R$ 280 ou 1 x R$ 840

b) Turma do Museu Carlos Costa Pinto: para crianças de 8 a 12 anos
Local: Museu Carlos Costa Pinto, Corredor da Vitória, Salvador-BA
Horário: 15h às 17h
Período: 06/04 a 25/05/2019 (8 encontros)
Investimento: R$ 2 x R$ 250 ou 1 x R$500

Informações e inscrições:
Tel e zap: 71 99305-9093 (Wilton Bernardo)
Instagram: @oficinahq
Email: oficinahq@hotmail.com
Blog:oficinahq.wordpress.com