MÓDULO 4 – Desenho


Conhecendo e aceitando meu traço

Já escrevi várias questões em torno do desenho para vocês. Agora vamos partir para ações objetivas. Reflexão é importante e necessária, mas vocês também precisarão não só fazer atividades práticas, mas entender a importância dela. A importância de separar 30 minutos ou 1 hora de alguns duas para tal prática.

Vamos começar com algumas perguntas para vocês refletirem e conversarmos (podemos publicar nossas opiniões no POST do INSTAGRAM):

a) Você concorda que esboçar ou rascunhar algo é diferente de finalizar? Percebe que são 2 etapas diferentes que te exigem esforços ou empenhos diferentes?

b) É positivo variar o material utilizado nas diferentes etapas de construção de um desenho?

c) As formas geométricas podem nos ajudar no planejamento de um desenho?

Algumas citações

“Aprender a desenhar é realmente uma questão de aprender a ver – ver corretamente – o que implica muito mais do que ver apenas com os olhos”
Kimon Nicolaides (The Natural Way to Draw)

“O pintor pinta com os olhos, não com as mãos. O que quer que ele veja, se o vir com clareza, será capaz de pintar. O ato da pintura exige, talvez, muito cuidado e esforço, mas não mais agilidade muscular do que o artista necessita para escrever seu próprio nome. O importante é ver com clareza”.
Maurice Grosser (The Painter´s Eye)

Fonte das citações: livro “Desenhando com o Lado Direito do Cérebro” de Betty Edwards

EXERCÍCIO 1 – Na internet, selecione 3 fotos de pessoas em movimento (pode ser a mesma pessoa ou diferentes pessoas). O importante é que sejam movimentos diferentes. Exemplo: correndo, sentada no chão, na cadeira, dançando, etc.  Após selecionar (e salvar as imagens), observe atentamente o movimento do corpo na imagem, acompanhando com os olhos cada parte, cada detalhe. (Faça isso com uma image e siga os passos abaixo. Só depois você pega a segunda imagem e repete. Da mesma forma com a terceira).
Após sua atenta observação, desenhe num papel com linhas simples, representando a figura humana no mesmo movimento da foto.

Objetivo: Desenvolver sua percepção, bem como a prática de observar as coisas com atenção; praticar a elaboração/planejamento de desenho. (Não finalize o desenho. A atividade é realmente o esboço).

EXERCÍCIO 2 – Selecione um objeto para observar e representar.
Sugestão: uma fruta ou verdura como por exemplo um pimentão, um quiabo, algo que tenha curvas.

1- Se permita observar o objeto por pelo menos 5 minutos. Apenas observar as formas, curvas. Não se prenda ao significado simbólico do que você está observando. Se possível esqueça o nome. Direcione sua atenção apenas para as linhas que compõem seu objeto de observação.

2- Trace uma linha horizontal imaginária no objeto. Observe apenas a parte superior. Depois observe a parte inferior.

3- Trace uma linha vertical imaginária no objeto. Observe apenas o lado direito do objeto. Depois observe o lado esquerdo.

4- Observe a altura em relação ao cumprimento do objeto. Descubra alguma relação entre as medidas do objeto (medida vertical e horizontal). A altura é 2 vezes o comprimento? O que você pode concluir?

5- Agora que você já consegue relacionar as medidas básicas(citadas acima), pegue papel, lápis e borracha e vamos representar esta figura. Como começar? Trace no papel um espaço de acordo com as relação de medida descoberta por você. Por exemplo: Se você descobriu que a altura do objeto é a metade do comprimento, então trace um espaço no papel em branco estabelecendo o limite da altura do que você desenhará. Em seguida, estabeleça o limite horizontal seguinte: trace 2 vezes a medida na horizontal.

6- Agora, que você já delimitou o limite horizontal e vertical, será mais fácil representar o objeto, tendo maior facilidade. Agora, trace uma linha horizontal e vertical centralizados neste espaço delimitado por você, no papel.

7- Com atenção, agora, você irá representar as formas que observa do objeto, no papel, tendo os limites estabelecidos, a linha horizontal e vertical central, como guias.

8- Depois de representar as linhas do objeto, você pode avançar no exercício, agora observando as áreas escuras e claras. A incidência de luz e sombra no objeto. Com o próprio lápis, ou outro material de pintura, represente essas manchas que compõem a sombra do objeto. Atenção: sugiro que faça diversos exercícios, seguindo até o paço “7”. Só avance para o sombreamento, após perceber evolução na representação do objeto. Você pode variar o objeto observado, ou simplesmente variar a posição do mesmo objeto. Descobrirá formas inusitadas.

Dica: Quando você for desenhar algo ou alguém, coloque sua atenção naquilo como se talvez nunca mais você pudesse ter a chance de observar novamente.

Eu gostaria de ver esses dois exercícios. Há duas opções para isso: se você se inscreveu poderá me mostrar no grupo do Workshop (se você está acompanhando e não está no grupo, solicite pelo instagram do projeto @oficinahq). Outra opção é você publicar as produções no seu perfil do instagram e marcar @oficinahq. Assim poderei ver também. Você escolhe!

Até o próximo MÓDULO!


:: Wilton Bernardo

+ Coordenador e professor da Ação Cultural Oficina HQ
+ Criativo do Estúdio e produtos da Laço Afro
+ Graduado em Artes Visuais pela Universidade Federal da Bahia

MÓDULO 3 – PRIMEIRA PARTE

MÓDULO 3 – primeira parte – Desenho X História

a) Onde está o desenhista na sociedade atual (2020)?
O que vocês me responderiam? Será que há espaço para o desenhista atuar profissionalmente nesta sociedade atual? Pare um pouco e tente responder para si, antes de continuar a leitura.

b) Nem tudo é beleza
Pessoal, eu tenho ministrado Oficinas de Quadrinhos há 17 anos. Foram muitas turmas, dezenas de alunos. E quer saber uma coisa que eu vi se repeti diversas vezes? A avaliação de diversos alunos em relação a seu próprio desenho no simples e raso quesito “beleza”. Não caia nessa armadilha de ficar avaliando seu desenho em relação a beleza. Até porque, provavelmente quando uma pessoa diz que o desenho é feio, é porque ela possivelmente tem uma referência de desenho bonito. Tendo ou não, se você quer desenvolver algum trabalho reconhecido como seu, sem que alguém necessariamente tenha que atrelar o seu trabalho a outra pessoa, então, você precisará desenvolver O SEU TRAÇO. E se esse traço não tem que se parecer com o de outra pessoa, não cobre de si, ter um traço como o de qualquer outra pessoa.
Se você quer desenvolver o seu traço, você não tem que se tornar outra pessoa, ou seja, não tem que tentar mudar seu traço completamente. Mas você pode sim, melhorar, evoluir. Eu posso te ajudar, se você me mostrar sua produção e quiser um feedback enquanto dura este workshop Virtual de HQ. Ser]ao 9 conteúdos, e estamos entrando no módulo 3, parte A.

c) O DESENHO em variados momentos da história

1 – Homem da Caverna:
Usavam as pinturas rupestres, e podemos obviamente falar em desenhos, como forma de se expressar e comunicar antes mesmo que se consolidasse uma linguagem verbal

2 – No Egito antigo:
O desenho, utilizado para decorar tumbas e templos, ganha status sagrado.
Uma grave condenação para alguém após a morte era ter raspados todos os desenhos e inscrições de sua tumba.

3 – No Renascimento:
O desenho ganha perspectivas e passa a retratar mais fielmente a realidade; surge um conhecimento mais aprofundado da anatomia humana e os desenhos ganham em realidade.

4 – Revolução industrial e História em Quadrinhos
Devido a Revolução Industrial surge uma nova modalidade de desenho voltado para a projeção de máquinas e equipamentos: o desenho industrial.
Em 1890, outro marco para o desenho: surge a primeira revista em quadrinhos semanal da história. No dia 17 de maio de 1890 foi lançada a Comic Cuts pelo magnata londrino Alfred Harmsworth, mais tarde Lord Northcliffe. Mas, outras fontes atribuem o feito a obras anteriores: uma destas obras seria o desenho chamado “Yellow Kid” publicada em 1897 por Richard Outcalt. No Brasil, as precursoras foram as tiras do ítalo-brasileiro Ângelo Agostini, publicadas em 1869, no jornal “Vida Fluminense” com o título de “As Aventuras de Nhô Quim”.

Considerações finais: O objetivo desse texto falar desses vários aspectos é chamar sua atenção para a ferramenta de comunicação e linguagem que você tem em mãos. Se você reduzir suas possibilidades a apenas “beleza”, pode desperdiçar a experimentação mágica de expressão. E para eu não ficar apenas no âmbito das ideias, sem dar nome aos bois, eu chamo sua atenção para obras como: Mafalda (autor: Quino), Persépolis (autora: Marjane Satrapi), Maus (autor: Art Spiegelman). Eu poderia citar muitos outros onde o desenho está longe do que alguém chama de “desenho bonito”, mas são trabalhos de altíssima qualidade e reconhecimento internacional.
Pense o seguinte: Se algum dos 3 autores citados acima resolvessem não produzir enquanto não tivessem um desenho maravilhoso, correriam o grande risco de nunca realizarem a produção incrível que fizeram. Pense nisso, e aguardo nossos dois próximos textos, que sairão amanhã e depois de amanhã para que no sábado, façamos a aula de CRIAÇÃO DE PERSONAGEM! Vocês querem a aula de criação de personagem através de uma LIVE no Instagram? Ou uma Videoconferência onde fica mais fácil todos interagirem?

Até a SEGUNDA PARTE do Módulo 3!

:: Wilton Bernardo
+ Coordenador e professor da Ação Cultural Oficina HQ
+ Criativo do Estúdio e produtos da Laço Afro
+ Graduado em Artes Visuais pela Universidade Federal da Bahia

Módulo 1 – SEGUNDA PARTE

Módulo 1 – SEGUNDA PARTE:
Antes de criar sua HQ ou um Personagem, aprecie criações de outros autores.

Pessoal,
Esta segunda parte eu considero importante existir por 2 razões que vou dizer de forma bem objetiva:

RAZÃO 1: Eu gosto de mostrar/ citar quadrinhos e personagens de variados estilos, variados traços para os alunos no início de uma Oficina ou Workshop que se propões a abordar as etapas de construção de uma HQ, como é nosso caso, agora. E fico feliz quando na lista, há personagens e histórias que tem desenhos que não são considerados “maravilhosos”. Por um motivo simples: Muitos alunos nas Oficinas de Quadrinhos que realizo, costumam atrelar “necessidade de desenhar maravilhosamente bem” com “poder colocar em prática a ideia de criar um personagem e uma história”. É importante entender seu traço, tentar se melhorar sempre. Mas é muito arriscando quando se coloca o trabalho de outra pessoa bem sucedida como parâmetro para se achar pronto o suficiente para produzir. Um desenho “lindo” não garante uma história de quadrinhos ou mesmo um personagem de sucesso.

RAZÃO 2: É importante termos referência sobre aquilo que desejamos produzir (Não é para copiar nem necessariamente se inspirar). É ter um repertório de informação, ver possibilidades, apreciar. Se você quer ser músico, por exemplo, não tem como aprender, e se desenvolver sem apreciar músicas, conhecer trabalhos de outros músicos. Se quer dirigir um filme, não faz sentido você se lançar nessa maravilhosa produção sem conhecer outros diretores, e obras feitas por estes.
Vocês podem se perguntar se conhece alguém que produz algo sem se permitir conhecer produções de outros profissionais desta mesma linguagem artística, considerando que o exemplo seja na área de artes.
Eu arrisco dizer uma coisa: É possível sim, uma pessoas que tentam produzir sem conhecer outras obras daquela linguagem sobre a qual quer produzir. Mas o resultado pode ser extremamente fraco, com falhas técnicas primárias. Nós não somos uma ilha e a produção de narrativas gráficas existe há muitos anos. Então, não tem cabimento uma pessoa partir para criar um personagem, uma história em quadrinhos, sem ter lido outras.

E digo mais, meu amigo(a), tente analisar um pouco mais os personagens ou histórias que lhe interessam. Gostou do personagem? Então se arrisque se perguntar: O que me fez gostar dele? Que características mais me interessou nesse personagem? O exercício dessa reflexão vai lhe ajudar a fazer definições futuras sobre o seu personagem.

Nas aulas presenciais eu costumo levar algumas publicações e até alguns arquivos e mostrar. Converso com a turma sobre algumas produções. Assim, alguns podem escolher pesquisar ou comprar uma produção que lhe desperta. Agora, como estamos em quarentena, não tenho o menor interesse em fazer vocês saírem de casa atrás de quadrinho.

ALGUNS TRABALHOS
Por isso antes de publicar a TERCEIRA PARTE do Módulo 1, vou fazer algumas postagens com sugestão de obras (quadrinhos e animes, alguns de acesso gratuito na web, outros não). Claro que alguns de vocês já devem ter personagens que gostam, e produções que acharam interessante. Então, para quem não faz uma leitura de quadrinhos ou não sente que conhece algum personagem o suficiente a ponto de falar sobre ele, de identificar características sociais e psicológicas deste, vale a pena ler o breve comentário e escolher algum(uns) trabalhos para ler ou assistir.
E se você costuma ler muito ou assistir muito apenas um tema, que tal se permitir conhecer algo que possa te interessar, de um estilo diferente do que está habituado?

:: Wilton Bernardo
+ Coordenador e professor da Ação Cultural Oficina HQ
+ Criativo do Estúdio Laço Afro
+ Graduado em Artes Visuais pela Universidade Federal da Bahia
http://www.lacoafro.com
@oficinahq
@lacoafro